Milei celebra agressão estadunidense e oferece apoio da Argentina
Presidente argentino comemora “queda” de Maduro e diz que Buenos Aires está pronta para ajudar na transição
247 – O presidente da Argentina, Javier Milei, celebrou publicamente a agressão estadunidense contra a Venezuela e comemorou o que chamou de “queda” de Nicolás Maduro, afirmando que seu país está pronto para apoiar uma transição política em Caracas. Em uma declaração carregada de retórica extremista, Milei classificou o governo venezuelano como uma “ditadura narcoterrorista e sangrenta” e afirmou que o momento exige uma escolha sem “meias tintas”: “Ou se está do lado do bem, ou se está do lado do mal”.
A manifestação foi divulgada sob o título “Princípio de revelação”, no qual Milei afirma que dias como o de hoje expõem “do que são feitos alguns dirigentes e formadores de opinião”. Segundo ele, de um lado estariam “a democracia” e a “defesa da vida, da liberdade e da propriedade” — valores que, para o presidente argentino, muitos dizem defender, mas só defendem “quando lhes convém”.
Do outro lado, Milei colocou “os cúmplices” do que chamou de “ditadura narcoterrorista”, que, segundo ele, teria sido “um câncer para a região” ao semear o “Socialismo do Século XXI”, com “miséria e morte” como consequência. Em sua visão, o episódio não admite nuance nem análise: “Aqui não há cinzas nem tons de cinza”, escreveu, afirmando que todos os que não defendem “com unhas e dentes” a causa da liberdade seriam “parte do problema”.
O presidente argentino então celebrou diretamente o desfecho da operação: “Celebramos a queda do ditador narcoterrorista Maduro”, afirmou. Na sequência, anunciou disposição ativa para interferir no processo político venezuelano: “A Argentina está pronta para ajudar na transição para uma Venezuela livre, democrática e próspera”, declarou, oferecendo apoio ao rearranjo institucional após a ação militar liderada por Washington.
O texto termina com o slogan característico de Milei, “Viva la libertad, carajo”, usado por ele como marca de mobilização política e como instrumento retórico para enquadrar adversários como inimigos morais. Ao transformar uma intervenção externa em símbolo de “liberdade”, o presidente argentino reforça uma narrativa que naturaliza o uso da força militar e a violação da soberania como se fossem instrumentos legítimos de democracia.
A declaração de Milei amplia o coro internacional que tenta legitimar a agressão estadunidense à Venezuela como ato de “salvação”, ao mesmo tempo em que promove uma leitura maniqueísta, que dispensa o debate sobre direito internacional, soberania e consequências humanitárias. Ao oferecer apoio explícito à transição, Milei sinaliza alinhamento total à estratégia dos Estados Unidos e sugere que a Argentina pretende atuar como parceira regional na reorganização política venezuelana sob influência externa.



