Michelle celebra sequestro de Maduro e agressão à Venezuela
Em nota, PL Mulher diz que ação é “início do fim” do regime, com ataques diretos ao presidente Lula
247 – A ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro divulgou uma nota pública em que celebra o sequestro do presidente venezuelano Nicolás Maduro e endossa a agressão dos Estados Unidos contra a Venezuela, afirmando que a operação representa o “início da libertação” do país. No texto, assinado por ela, o PL Mulher manifesta “solidariedade ao povo de bem venezuelano” e atribui a ofensiva aos “esforços americanos”, afirmando que a prisão de Maduro e a destruição das estruturas do Estado venezuelano estariam abrindo caminho para a derrubada do governo.
A nota adota uma linguagem extrema e agressiva, chamando Maduro de “ditador narcotraficante” e classificando o governo venezuelano como uma “ditadura narcoterrorista”. Segundo Michelle, a operação realizada por forças de segurança dos EUA representaria o “início do fim” de um regime que, segundo ela, teria imposto “sofrimento e morte” a milhares de venezuelanos, atingindo de forma brutal “mulheres e crianças”.
No texto, Michelle afirma que venezuelanas refugiadas no Brasil teriam relatado abusos e violências, “inclusive sexuais”, durante a fuga do que ela chama de “narcoestado instalado na Venezuela”. A nota também menciona “irmãos surdos e pessoas com deficiência”, alegando que essas populações teriam preferido se arriscar em travessias para o Brasil a continuar no país sob o governo de Caracas.
A ex-primeira-dama aproveita o episódio para atacar diretamente o presidente Lula e associá-lo ao governo venezuelano. Na nota, ela afirma que Hugo Chávez e Maduro seriam “amigos próximos do atual presidente do Brasil” e menciona o Foro de São Paulo, alegando que Lula seria um de seus fundadores. Ao inserir Lula no texto, a declaração tenta transformar a agressão externa à Venezuela em peça de propaganda interna, sugerindo que o Brasil estaria associado a uma suposta rede regional criminosa.
Em outro trecho, Michelle afirma que a prisão de Maduro e a “demolição das estruturas de poder” — com destaque para o chamado “Cartel dos Soles”, citado como composto por generais do regime — seria um sinal de que a “libertação dos povos” das mãos de “ditadores latino-americanos” estaria se aproximando. O texto vai além e interpreta a ação dos EUA como um aviso a governantes da América do Sul, acusando-os de proteger traficantes, cercear liberdades, perseguir opositores, impor práticas ditatoriais “disfarçadas” e cooptar instituições para aplicar lawfare.
Ao final, a nota diz que o “recado” foi claro e escreve: “Ditadores disfarçados de democratas e defensores de traficantes, coloquem a ‘barba’ de molho”. Em seguida, adota um tom religioso para pedir que os “criminosos” se entreguem “pacificamente”, evitando derramamento de sangue, e afirma que a transição deve ocorrer pelas “mãos do povo venezuelano”.
A declaração de Michelle Bolsonaro, ao legitimar o sequestro de um chefe de Estado e celebrar a ofensiva militar de uma potência estrangeira, naturaliza a ideia de intervenção como instrumento político e reforça uma escalada perigosa no continente. Ao mesmo tempo, a nota revela como setores da extrema direita brasileira buscam capitalizar a agressão à Venezuela para mobilização interna, vinculando o episódio a ataques ao presidente Lula e a uma retórica de criminalização política que ignora princípios básicos de soberania e direito internacional.



