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Chanceler alemão pede cautela após agressão estadunidense à Venezuela

Merz afirma que enquadramento legal da operação dos EUA é “complexo” e que o direito internacional deve prevalecer

Friedrich Merz em Berlim 9/4/2025 (Foto: REUTERS/Annegret Hilse)

247 – O chanceler alemão Friedrich Merz pediu cautela diante da agressão estadunidense à Venezuela e afirmou que a avaliação jurídica da operação militar conduzida por Washington é “complexa”, dizendo que seu governo “vai levar tempo” para analisá-la. Segundo Merz, apesar das críticas ao governo de Nicolás Maduro, “os princípios do direito internacional devem valer” nas relações entre Estados.

Em sua declaração, Merz atacou diretamente o presidente venezuelano, afirmando que Maduro “levou seu país à ruína” e sustentando que a última eleição foi “fraudada”. Ele disse que, por essa razão, a Alemanha — “como muitos outros Estados no mundo” — não reconheceu a presidência de Maduro. “Nicolás Maduro levou seu país à ruína. A última eleição foi fraudada. Nós — como muitos outros Estados no mundo — portanto não reconhecemos a presidência”, afirmou.

O chanceler também descreveu Maduro como um ator “problemático” para a região e mencionou “alianças nefastas” em escala global, além de associar a Venezuela ao narcotráfico. “Maduro desempenhou um papel problemático na região, com alianças nefastas no mundo todo e por meio do envolvimento da Venezuela no tráfico de drogas”, declarou, reforçando a retórica de criminalização frequentemente usada por potências ocidentais para justificar ações de pressão política e diplomática.

Apesar do tom duro, Merz evitou legitimar automaticamente a ação militar norte-americana. Ele destacou que a classificação legal da operação ainda precisa ser examinada com cuidado. “A classificação legal da operação dos EUA é complexa. Estamos levando tempo com isso. Fundamentalmente, os princípios do direito internacional devem valer nas relações entre Estados”, afirmou.

Merz também alertou para os riscos imediatos da ofensiva militar e defendeu que o cenário interno venezuelano não pode se transformar em caos aberto. “Agora, não deve surgir instabilidade política na Venezuela. É essencial garantir uma transição ordenada em direção a um governo legitimado por eleições”, afirmou, indicando que Berlim prioriza a reorganização institucional sob um governo reconhecido por um processo eleitoral.

A posição do chanceler alemão expõe a contradição que marca parte da reação europeia: ao mesmo tempo em que tenta sustentar a deslegitimação de Maduro e impulsionar uma mudança de poder, busca manter um discurso formal de respeito ao direito internacional, evitando endossar sem reservas uma intervenção que afronta a soberania venezuelana e pode abrir um precedente perigoso para a ordem internacional.

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