Vice-presidenta da Venezuela denuncia agressão militar dos EUA e afirma: “Aqui há um só presidente, e se chama Nicolás Maduro”
Delcy Rodríguez diz que ataque “sem precedentes” tem como objetivo promover mudança de regime e capturar recursos naturais
247 – A vice-presidenta da Venezuela, Delcy Rodríguez, denunciou neste sábado, 3 de janeiro de 2026, uma agressão militar “sem precedentes” atribuída aos Estados Unidos contra o território venezuelano, afirmando que a operação culminou no “sequestro ilegal” do presidente Nicolás Maduro e da primeira-dama Cilia Flores. As declarações foram publicadas pela teleSUR, que informa que o ataque teria ocorrido às 1h58 da madrugada.
Segundo Rodríguez, o episódio representa uma escalada inédita na pressão externa contra o governo bolivariano e confirma alertas feitos anteriormente por Caracas sobre uma ofensiva em curso baseada em “falsas desculpas e pretextos”. A vice-presidenta afirmou que a Venezuela já havia advertido que “as máscaras tinham caído” e que agora estaria explícito o que chama de real intenção de Washington.
Em meio à crise, Delcy Rodríguez foi enfática ao reafirmar a legitimidade do governo venezuelano e a autoridade de Maduro. “Aqui há um só presidente neste país e se chama Nicolás Maduro Moros”, declarou. Ela também exigiu, de forma direta, a libertação do chefe de Estado e de sua esposa: “Exigimos a imediata libertação do presidente Nicolás Maduro e de sua esposa Cilia Flores. Único presidente da Venezuela, o presidente Nicolás Maduro”, enfatizou.
A vice-presidenta conduziu uma reunião do Conselho de Defesa da Nação diante do que chamou de agressão militar contra a Venezuela, acompanhada por altas autoridades do governo bolivariano, representantes dos poderes públicos e integrantes do alto comando militar. De acordo com a teleSUR, o encontro foi realizado como resposta institucional imediata ao ataque, com o objetivo de coordenar medidas de defesa e assegurar a estabilidade interna.
Rodríguez afirmou que o objetivo central da operação militar seria “a mudança de regime na Venezuela”, o que abriria caminho — segundo ela — para “a captura de nossos recursos energéticos, minerais e naturais”. Para a vice-presidenta, trata-se de uma ação que busca não apenas desestabilizar politicamente o país, mas também comprometer a soberania venezuelana sobre suas riquezas estratégicas.
Diante do cenário, Delcy Rodríguez informou que o Organismo de Segurança Cidadã e “todo o poder nacional” foram acionados, com o propósito de ratificar a defesa da independência, soberania e integridade territorial — que ela disse terem sido “selvagemente atacadas”. Ela também declarou que “o povo da Venezuela se ativou nas ruas”, em linha com um chamado anterior do presidente Maduro para a mobilização da Força Armada Nacional Bolivariana (FANB) e das milícias bolivarianas.
No campo institucional, a vice-presidenta anunciou a ativação de um decreto assinado por Maduro e entregue à presidenta do Tribunal Supremo de Justiça para avaliação da Sala Constitucional. De acordo com Rodríguez, o texto decreta um estado de “conmoción externa”, e a expectativa é que receba aval judicial nas próximas horas para execução imediata.
Rodríguez também destacou o que classificou como crescimento da solidariedade internacional à Venezuela, dizendo que diferentes países e regiões teriam se manifestado contra a agressão. Ela citou vozes vindas da China, Rússia, América Latina, Caribe, África e Ásia, afirmando que governos do mundo estariam impactados pela ofensiva. Ao comentar o ataque, atribuiu-lhe um “tinte sionista” e o chamou de “realmente vergonhoso”.
"Pretendem nos escravizar"
Em um momento de forte carga simbólica, Delcy Rodríguez citou o Libertador Simón Bolívar, recorrendo a um trecho da Carta da Jamaica: “O véu se rasgou, já vimos a luz e se nos quer devolver às trevas. Se romperam as correntes, já fomos livres e nossos inimigos pretendem de novo escravizar”. A vice-presidenta reforçou, em seguida, que a Venezuela “jamais voltará a ser colônia de nenhum império”.
A dirigente venezuelana também recordou que, “há apenas dois dias”, Maduro teria reafirmado publicamente, em entrevista de televisão, a disposição do governo para “manter relações de diálogo para abordar uma agenda construtiva”. Segundo Rodríguez, a agressão militar contradiria essa sinalização, ao mesmo tempo em que violaria “flagrantemente o Artigo 1 e 2 da Carta das Nações Unidas”.
Rodríguez afirmou ainda que Maduro havia “estendido a mão ao povo dos Estados Unidos” para estabelecer “canais de comunicação diplomáticos, políticos e institucionais de Estado”, com base no bem-estar dos povos, amizade, cooperação e respeito à legalidade internacional — caminho que, agora, estaria interrompido pela escalada militar denunciada por Caracas.



