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Jeferson Miola

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Chapa Zucco-Covatti é a quintessência gaúcha do Master-bolsonarismo

O candidato master-bolsonarista Zucco vê aumentadas as chances de ser derrotado pela chapa Juliana Brizola e Edegar Pretto

Luciano Zucco e Silvana Covatti (Foto: DIvulgação)
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A chapa com Luciano Zucco/PL e Silvana Covatti/PP ao governo gaúcho, que tem Marcel Van Hattem/Novo ao Senado Federal, é a quintessência do Master-bolsonarismo.

Esta chapa reproduz, em escala estadual, a aliança Bolsomaster tentada nacionalmente entre Flávio Bolsonaro, do PL, e Ciro Nogueira, presidente do PP e comandante da federação partidária com o União Brasil, sigla de muitos outros políticos muito encrencados no escândalo do Banco Master.

Ciro é um senador de aluguel de Vorcaro. Comprado por uma propina de até R$ 500 mil mensais, também recebeu mais alguns milhões em paraísos fiscais e imóveis.

No contexto amoroso e de fraternidade criminosa entre eles, Flávio Bolsonaro considera Daniel Vorcaro um “irmão”, ao passo que o banqueiro mafioso considera Ciro um “amigo de vida”.

No dia 16 de novembro de 2025, Flávio declamou a Vorcaro: – “Irmão, estou e estarei contigo sempre, não tem meia conversa entre a gente”.

Como de costume, em uma das várias tentativas contraditórias de se explicar, Flávio mentiu à imprensa dizendo que “quando houve esse contato com ele, Daniel Vorcaro era um astro no Brasil. Circulava bem entre autoridades de Brasília, era cortejado por bancos, não tinha problema nenhum. Portanto, foi naquele momento […]”.

É mentira. O diálogo do Flávio para pedir R$ 134 milhões a Vorcaro aconteceu na véspera da prisão do mafioso [17/11] e na antevéspera da liquidação extrajudicial do Master pelo Banco Central [18/11] – portanto, depois do escândalo dominar o noticiário policial e financeiro há quase um ano, e dois meses depois do BC proibir o Banco de Brasília/BRB adquirir o Master.

Além do mais, Flávio e os bolsonaristas jamais poderão alegar desconhecimento das falcatruas do Banco Master, que é um produto genuinamente bolsonarista.

O esquema criminoso de Daniel Vorcaro só conseguiu iniciar e se expandir agressivamente devido às facilidades, omissões e cumplicidades da diretoria do BC presidida por Roberto Campos Neto. Não por acaso, o desbaratamento do esquema criminoso do Vorcaro aconteceu meses após o fim da nefasta gestão de Campos Neto no BC.

O mafioso também alimentava uma teia de relações com bolsonaristas no Congresso e com governos municipais e estaduais bolsonaristas que desviaram bilhões de reais dos fundos de aposentadoria e pensão de funcionários públicos para contribuir com o esquema fraudulento de Vorcaro.

Este escândalo, por isso, não só atinge mortalmente a candidatura do Flávio, como deverá comprometer a viabilidade do bloco anti-Lula, com reflexo também nas eleições para os governos estaduais e aos legislativos, em especial para o Senado.

É um acontecimento com potencial para reconfigurar o cenário eleitoral. Cria possibilidade real para o campo democrático-popular e antifascista impor uma derrota contundente às extremas-direitas lavajatista e bolsonarista.

Essa é uma perspectiva concreta também no Rio Grande do Sul, onde o candidato master-bolsonarista Zucco/PL, que repete versões mentirosas e diversionistas de Flávio, vê aumentadas as chances de ser derrotado pela chapa Juliana Brizola/PDT e Edegar Pretto/PT.

Cara de pau, Zucco diz que “estão tentando transformar um pedido de patrocínio privado para um filme em escândalo político”, referindo-se ao dinheiro roubado e usado [depois de lavado] pelos gângsteres para fazer a peça de propaganda audiovisual do bolsonarismo, além de usarem em outras coisinhas suspeitas que estão sendo apuradas pela Polícia Federal.

* Este é um artigo de opinião, de responsabilidade do autor, e não reflete a opinião do Brasil 247.

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