Combustíveis: boicotes ampliam espaço político do governo
A PF pode revelar novas conexões entre o setor de combustíveis e o crime organizado
A iniciativa de postos e distribuidoras de combustíveis de elevar os preços, usando a guerra dos Estados Unidos contra o Irã como justificativa em meio ao anúncio de medidas anti-inflacionárias pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, abriu ao governo uma oportunidade para ampliar o diálogo social e a mobilização eleitoral contra o chamado “andar de cima” flagrado em associação com o crime organizado, além de pressionar a Petrobras por um amortecimento maior dos efeitos do conflito no Oriente Médio.
Nesta semana, cerca de 669 postos de combustíveis, 64 distribuidoras e ao menos uma refinaria foram fiscalizados por uma força-tarefa federal em 16 estados, conforme relatos à imprensa. O objetivo é envolver a sociedade no combate a crimes contra a economia popular e evitar que os impactos da guerra cheguem à população, segundo aliados de Lula.
Em paralelo, a ameaça de uma greve nacional dos caminhoneiros, na esteira desses aumentos considerados abusivos e também do reajuste de 11,6% nos combustíveis nas refinarias, autorizado pela Petrobras, favoreceu o diálogo entre o governo e a categoria. Nesse contexto, entraram no radar novas medidas para ampliar a fiscalização do cumprimento da tabela do piso mínimo do frete, além de ações para responsabilizar empresas que descumprirem as regras.
Diante da avaliação do presidente americano Donald Trump de que as operações militares contra o Irã tendem a se prolongar, a insistência de postos e distribuidoras em boicotar as medidas do governo para ampliar lucros, pressionar a inflação e colocar em xeque o ciclo de queda dos juros pode resultar no aumento da defasagem dos preços da Petrobras em relação ao barril internacional. Ao mesmo tempo, a Polícia Federal (PF) pode revelar novas conexões entre o setor de combustíveis e o crime organizado, que utiliza empresas de fachada e ativos do mercado financeiro para lavagem de dinheiro.
Em tempo: Na segunda-feira, o presidente do PT, Edinho Silva, reiterou o posicionamento antissistema do partido para 2026. As previsões são de uma disputa presidencial polarizada e acirrada, sem espaço, portanto, para administração dos rounds "nas cordas".
* Este é um artigo de opinião, de responsabilidade do autor, e não reflete a opinião do Brasil 247.



