Comida tem nome
O modismo atual é, em vez de tratar os alimentos com os seus nomes próprios, denominá-los de proteína e carboidrato
Vira e mexe surgem modismos alimentares, alguns deles influenciados, ou criados, pela indústria de alimentos, a grande produtora de ultraprocessados.
O modismo atual é, em vez de tratar os alimentos com os seus nomes próprios, denominá-los de proteína e carboidrato, por exemplo.
Proteínas e carboidratos são fundamentais para o funcionamento do nosso corpo. Daí, partindo desse princípio, a indústria de alimentos criou o tal do suplemento alimentar, fórmula ultraprocessada contendo proteína e/ou carboidrato. Aí, em vez de um bom prato de feijão com arroz, as pessoas estão tomando um frasco desse tal de whey proteico, ou comendo uma barrinha de cereais.
É bom saber que, se você tem uma alimentação balanceada e saudável, nenhum suplemento ou proteína artificial são necessários. Os alimentos que fazem parte da nossa dieta cotidiana já contêm a proteína e o carboidrato que precisamos para nos manter vivendo com saúde.
Só que tem gente que, em vez de comer carne, ovo, feijão está consumindo "proteína". E em vez de macarrão, arroz, batata está consumindo "carboidrato".
E isso é muito perigoso, pois quando se parte do princípio de que o importante consumir proteína ou carboidrato esteja onde estiverem, abre-se a porta de entrada para os ultraprocessados.
Eu não como "proteína", como carne, feijão, ovo. E tampouco como “carboidrato”, e sim macarrão, batata, mandioca, arroz.
Sinceramente, não dá para substituir o ato cultural de comer pela cultura do whey.
O que nos dá saúde, energia, é uma alimentação diversificada, balanceada. Açúcar, sal, gordura, carboidratos, proteínas, vale tudo. Só não vale uma coisa: basear a nossa dieta em “alimentos” ultraprocessados.
* Este é um artigo de opinião, de responsabilidade do autor, e não reflete a opinião do Brasil 247.
