Conversando "fora da bolha"
Enquanto a desinformação se espalha no dia a dia, indicadores mostram que emprego, renda e redução da pobreza desmontam o discurso de um Brasil “quebrado”
Meu carro fundiu o motor e está sob os cuidados do Vavá, na tradicional “Oficina do Vavá”, ali na Rua Riachuelo. Por isso, tenho usado os serviços de táxi e Uber e, portanto, conheço gente nova, com quem converso sobre tantas coisas, desde o clima (conversas de elevador) até questões mais complexas, como economia, política e sobre a “nossa amada Ponte Preta, orgulho de nossa terra”. Em tempos da “WhatsApp News”, todos se sentem aptos a dar parecer sobre todos os assuntos; na minha área é desesperador: todos são juristas e cheios de certezas.
Outro dia um taxista decretou: “o Brasil está quebrado”. Respirei fundo e comecei a comentar sobre os indicadores macroeconômicos do Brasil, todos positivos: inflação na meta; IED em alta; desemprego no menor nível histórico; PIB crescendo; relação dívida x PIB equilibrada, apesar da Selic nas alturas; dólar em baixa; bolsa de valores em alta, etc.
Ele me ouviu, ficou visivelmente contrariado, mas foi educado.
Por isso compartilho com os leitores parte do argumento que usei e que devemos levar a todos do nosso entorno, pois é nosso dever falar para fora da bolha.
Vamos lá.
A taxa de desemprego no Brasil atingiu 5,2% em novembro de 2025, o menor nível desde o início da série histórica da PNAD Contínua, iniciada em 2012 pelo IBGE. São cerca de 5,6 milhões de desocupados, ao mesmo tempo em que o número de ocupados alcançou o recorde de 103 milhões de pessoas.
Em um cenário de juros elevados e crescimento internacional moderado, o resultado não é trivial. E reflete acertos relevantes da política econômica do governo federal, sobretudo na sustentação da demanda interna, na recomposição da renda e no fortalecimento da proteção social.
O primeiro acerto do Lula 3 foi adotar postura fiscal capaz de amortecer os efeitos da política monetária restritiva, pois, com a taxa básica elevada, coube ao gasto público e às transferências sustentar o consumo das famílias — principal componente do PIB brasileiro.
O rendimento médio real habitual chegou a R$ 3.574 no trimestre encerrado em novembro de 2025, com alta de 4,5% em 12 meses. A massa de rendimentos alcançou R$ 363,7 bilhões mensais, crescendo 5,8% na comparação anual. Esse movimento explica a resiliência do mercado de trabalho, mesmo com a Selic em 15% ao ano, mantida pelo Banco Central do Brasil para conter pressões inflacionárias.
A política de valorização do salário mínimo foi decisiva. Em janeiro de 2025, o piso foi reajustado para R$ 1.518, com ganho real estimado em 2,6% acima da inflação medida pelo INPC. Trata-se de instrumento de forte impacto distributivo, sobretudo nas regiões de menor renda.
O mesmo vale para o Bolsa Família, que contou com cerca de R$ 160 bilhões no orçamento de 2025 e atendeu aproximadamente 18,6 milhões de famílias. A transferência direta à base da pirâmide reduz a pobreza e dinamiza o comércio e os serviços locais, dada a elevada propensão ao consumo dessas famílias.
Os efeitos sociais foram expressivos. Segundo a Síntese de Indicadores Sociais do IBGE, entre 2023 e 2024 a taxa de pobreza caiu de 27,3% para 23,1%, retirando cerca de 8,6 milhões de pessoas dessa condição. A extrema pobreza também recuou. Em um país historicamente desigual, a redução do desemprego e a recuperação da renda têm impacto direto sobre a dignidade e a coesão social.
Houve também avanço do emprego formal.
O contingente de trabalhadores com carteira assinada no setor privado atingiu 39,4 milhões, com crescimento anual de 2,6%. Ainda que a informalidade permaneça elevada, o aumento do emprego protegido indica melhora qualitativa relevante.
É verdade que a produtividade segue praticamente estagnada e que a dívida pública exige atenção no médio prazo. Mas reconhecer desafios estruturais não diminui os méritos do ciclo atual. Em contexto global adverso e com juros elevados, o governo conseguiu reduzir o desemprego a mínimas históricas, recompor salários reais e diminuir a pobreza.
A experiência de 2025 demonstra que política econômica é também escolha. A opção foi priorizar trabalho, renda e inclusão social, e os resultados concretos aparecem nos indicadores de emprego, renda e redução da pobreza. O próximo passo é transformar esse ciclo de inclusão em um ciclo de crescimento com mais investimento e produtividade.
Essas são as minhas reflexões.
* Este é um artigo de opinião, de responsabilidade do autor, e não reflete a opinião do Brasil 247.
