CPMI do INSS transforma quebra de sigilo em ataque a Lula
Decisão da comissão provoca tumulto, troca de acusações e reação de governistas em Brasília
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) entrou no alvo da CPMI do INSS depois que a comissão aprovou a quebra de sigilo bancário e fiscal do filho dele, Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, num movimento que petistas classificam como palanque bolsonarista para tentar desgastar a popularidade do Planalto.
A CPMI do INSS se reuniu em Brasília nesta quinta-feira (26) para a reunião do colegiado que investiga fraudes e irregularidades na concessão de benefícios previdenciários. Antes das oitivas, a pauta previa votação de 87 requerimentos, incluindo pedidos de quebras de sigilos e convocações.
O requerimento que mira Lulinha (REQ 2.939/2026) foi apresentado pelo relator, deputado Alfredo Gaspar (União-AL), que diz haver mensagens interceptadas com referência a “o filho do rapaz”, em apuração que envolve o lobista conhecido como “Careca do INSS” e a empresária Roberta Luchsinger.
Nos bastidores, parlamentares do PT afirmam que a comissão está sendo usada para “atingir Lula por tabela”, mirando a família do presidente para tentar frear a vantagem eleitoral do petista, inclusive com a tese de que Lula poderia encaminhar uma vitória já no primeiro turno. A estratégia, dizem, é trocar a investigação técnica por barulho político.
A reunião que aprovou a quebra de sigilo terminou em confusão, com empurra-empurra, acusação de agressão e discussão sobre o rito da votação. Segundo relatos obtidos pelo Blog do Esmael, o presidente da CPMI, senador Carlos Viana (Podemos-MG), conduziu a deliberação em votação simbólica por contraste visual, desconsiderando suplentes, e governistas reclamaram de “erro na contagem” e pediram anulação do resultado.
O deputado Rogério Correia (PT-MG) afirmou nas redes sociais que foi “covardemente agredido” durante o tumulto e atribuiu a agressão a um colega bolsonarista. “Bolsonarista mente que nem sente! Fui agredido covardemente na CPMI”, escreveu ele no X, conforme o próprio parlamentar relatou.
Do outro lado, integrantes da oposição comemoraram o avanço dos requerimentos e trataram a aprovação como “vitória” da comissão. Já governistas sustentam que a CPMI deveria mirar o coração do esquema de descontos indevidos e cobrar a cadeia de intermediários, bancos e entidades, sem seletividade.
Na mesma quinta-feira, a CPMI também deve ouvir o empresário Paulo Camisotti, citado nas investigações, além do deputado estadual Edson Cunha de Araújo (MA) e do advogado Cecílio Galvão, segundo a pauta oficial.
No fundo, o que está em disputa não é só uma lista de requerimentos. É a tentativa de transformar um escândalo que afeta aposentados em arma eleitoral, com a máquina do conflito mirando 2026. Dito isso, investigação séria exige foco em prova, cadeia financeira e responsabilização, não espetáculo, e o Congresso vai precisar escolher qual CPMI quer entregar.
* Este é um artigo de opinião, de responsabilidade do autor, e não reflete a opinião do Brasil 247.



