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Paulo Henrique Arantes

Jornalista há quase quatro décadas, é autor do livro "Retratos da Destruição: Flashes dos Anos em que Jair Bolsonaro Tentou Acabar com o Brasil". Editor da newsletter "Noticiário Comentado" (paulohenriquearantes.substack.com)

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Dark Triad é o nome do mal que acomete Donald Trump

Narcisismo, maquiavelismo e psicopatia, essencialmente, compõem a Dark Triad, ou Tríade Sombria

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, em Washington, D.C., EUA, em 6 de janeiro de 2026 (Foto: REUTERS/Kevin Lamarque)

Um médico chamado Frank George publicou nas redes sociais que o comportamento de Donald Trump tipifica pessoas que sofrem de demência frontal temporal (DFT), um tipo de degeneração neurológica bastante diferente do Alzheimer, mas ainda assim um quadro demencial. Alterações bruscas de humor e crença verdadeira em mentiras seriam alguns dos indicativos da DFT. A mídia repercutiu a avaliação do Doutor George.

Este jornalista tem especial curiosidade por doenças neurológicas ou psiquiátricas, e conta com ótima fonte na área. Receosa de perseguições em solo americano, já que viaja sempre aos Estados Unidos, nossa fonte preferiu preservar o anonimato (alô, Malu Gaspar!), mas cravou em off: Trump está acometido pela Dark Triad, e não por alguma modalidade de demência

Narcisismo, maquiavelismo e psicopatia, essencialmente, compõem a Dark Triad, ou Tríade Sombria. 

Os acometidos pela Dark Triad apresentam impulsividade e insensibilidade afetiva, além de absoluta falta de empatia. Tendem a manipular ou instrumentalizar relacionamentos. Buscam sempre atenção e mais e mais poder.

 “I’m a very stable genius”, disse Trump repetidas vezes para descrever sua própria capacidade e sanidade mental, mesmo diante de críticas generalizadas. Essa afirmação de superioridade exagerada e necessidade de autoafirmação é um indicativo clássico de narcisismo em análises populares e acadêmicas. O narcisismo é a mais gritante face da Dark Trial. Frases como “Only I can fix it” ou variantes em discursos de campanha refletem a crença de ser excepcional e indispensável.

Insultos pessoais a jornalistas, como chamar uma repórter de “piggy” (gordinha) e outras ofensas diretas durante coletivas de imprensa atestam falta de empatia e hostilidade interpessoal em situações de confronto.  Em interações diretas e públicas com adversários, Trump historicamente usa adjetivos depreciativos e motivos pessoais em detrimento de debates factuais, algo que linguistas interpretam como agressividade retórica. 

Propagar declarações factualmente incorretas ou exageradas sobre crises, dados sociais ou segurança pública, mesmo depois de refutados por fatos concretos, é conduta diária de Trump – e também dos seus bajuladores bolsonaristas. Não se trata apenas de erro factual, mas de um padrão de insistência em narrativas convenientes à própria posição, algo que estudos sobre a Dark Triad relacionam à manipulação e ao maquiavelismo social. 

Não nos esqueçamos da repetição estratégica de teorias da conspiração ou de fraude eleitoral, incluindo a narrativa de que a eleição de Joe Biden foi “roubada” – como a de Lula, aqui -, apesar de múltiplos sistemas judiciais e agências independentes terem rejeitado tais alegações, tática destinada a manipular percepções e mobilizar apoio político mediante desconfiança institucional.

Olhar o comportamento de Donald Trump é deparar-se com um caso típico de Dark Triad, a tríade sombria.

* Este é um artigo de opinião, de responsabilidade do autor, e não reflete a opinião do Brasil 247.

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