Datafolha mede Lula contra Flávio Bolsonaro pela primeira vez
Pesquisa surge em meio a crises políticas e disputa de narrativas, testando pela primeira vez Lula contra Flávio Bolsonaro no cenário presidencial de 2026
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) será testado pela primeira vez contra o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) em uma pesquisa nacional do Instituto Datafolha sobre a eleição presidencial de 2026, cuja divulgação está prevista para este sábado (7), após dois adiamentos sucessivos decididos pelo contratante do levantamento, o jornal Folha de São Paulo.
A sondagem chega em um ambiente político particularmente carregado.
Nos últimos dias, o noticiário nacional foi dominado pelo escândalo envolvendo o Banco Master e a prisão do banqueiro Daniel Vorcaro na Operação Compliance Zero, conduzida pela Polícia Federal. Ao mesmo tempo, oposicionistas tentaram vincular o empresário Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, à CPMI do INSS, movimento posteriormente contido por decisão do ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), que suspendeu a quebra de sigilos do empresário.
Esse pano de fundo transformou a nova pesquisa em um termômetro político aguardado por partidos, mercado financeiro e analistas.
Nos bastidores de Brasília, interlocutores do Palácio do Planalto afirmam que o presidente Lula mantém liderança nas intenções de voto, apesar da sequência de crises e disputas narrativas das últimas semanas. A última rodada divulgada pelo Datafolha, em dezembro de 2025, mostrava Lula vencendo Flávio Bolsonaro por 51% a 36% em um eventual segundo turno.
A nova sondagem mede diferentes cenários de primeiro turno.
Entre os nomes testados aparecem governadores e lideranças da direita que buscam espaço no campo oposicionista. Estão incluídos Tarcísio de Freitas (Republicanos-SP), Romeu Zema (Novo-MG), Ronaldo Caiado (União-GO), Eduardo Leite (PSDB-RS) e Ratinho Júnior (PSD-PR).
Também aparecem como pré-candidatos o ex-ministro Aldo Rebelo (Democracia Cristã) e o influenciador político Renan Santos (Missão).
A novidade política central é a presença de Flávio Bolsonaro como herdeiro direto do capital eleitoral do bolsonarismo. Após a prisão do ex-presidente Jair Bolsonaro por crimes contra a democracia, o senador passou a ser apontado por aliados como possível representante do campo conservador na disputa presidencial.
O Datafolha ouviu 2.004 eleitores em todo o país, com margem de erro de dois pontos percentuais e nível de confiança de 95%.
Além da intenção de voto, o instituto mede rejeição aos candidatos, grau de conhecimento do público e cenários de segundo turno. Esses indicadores costumam revelar o chamado teto eleitoral de cada liderança e a capacidade de crescimento durante a campanha.
Nos bastidores do mercado financeiro, operadores acompanham a pesquisa com atenção.
Levantamentos eleitorais costumam influenciar expectativas econômicas, comportamento de investidores e estratégias de partidos que buscam se posicionar na corrida presidencial.
No campo político, a expectativa gira em torno de uma pergunta central: o bombardeio midiático das últimas semanas terá impacto real na popularidade do presidente ou a disputa seguirá relativamente estável?
A resposta virá com a divulgação dos números.
Pesquisas não antecipam o resultado das urnas, mas revelam o humor do eleitorado em determinado momento. Em ano eleitoral, cada nova pesquisa tende a alterar cálculos políticos, influenciando alianças e estratégias de candidatura.
A política brasileira vive mais um desses momentos de aferição de forças.
O retrato que o Datafolha divulgará neste sábado ajudará a medir se a tempestade política recente alterou a percepção do eleitor ou se o cenário segue praticamente inalterado.
A corrida presidencial ainda está longe da linha de chegada, mas as pesquisas já começam a revelar quem larga na frente no imaginário do eleitorado.
A disputa de narrativas segue intensa.
* Este é um artigo de opinião, de responsabilidade do autor, e não reflete a opinião do Brasil 247.



