De que está cheio o vosso coração?
Sobre como pensamentos e palavras influenciam atitudes humanas e a relação com mulheres, animais e a natureza
Cara leitora, caro leitor! Sobre a maldade impressa e expressa em atos e palavras contra a mulher, contra os animais e a natureza, compartilho está crônica com vocês!
Minha mãe aprendeu com a mãe dela, que aprendeu com a avó, que aprendeu com a tataravó…que aprendeu com a MÃE TERRA…
E, antes mesmo de eu aprender a falar, minha mãe já antecipava o cuidado de me ensinar a ler. A ler o dia e a noite. A interpretar a chuva e o vento. A admirar o sol, a flor, as árvores e o mar. A pensar antes de falar e que, estranhamente, pensamento e palavra moravam no coração! Que vida e morte andavam de mãos dadas. Eu só ouvia.
Dizia ela, com palavras de bem-querer, que a vida se constrói aos poucos, com os pedacinhos do tempo e das palavras que destinamos às plantas, aos bichos, às gentes e…, devagarinho completava… “às criancinhas”. Insistia em falar que nós, no uso do tempo e das palavras, tecemos a forma de nossa morte.
Eu não entendia nada, mas achava tudo muito lindo. No som melodioso das palavras tudo, segundo ela, num dado momento da vida, formaria um grande quebra-cabeça incompleto. Sim! Insistia em dizer que faltava, entre as coisas, bichos, flores, gentes e palavras, o meu pedacinho, a minha parte.
Eu a observava por horas na lida do dia. Quando cansada, jogava água no rosto e lançava o olhar ao infinito, desfiando, no rosário invisível entre os dedos, a “Salve Rainha” Ela, baixinho, pedia a Deus, com delicadeza, que protegesse a palavra o pensamento, a boca, as mãos e o coração das pessoas.
Não entendia eu que palavra ela pedia para Deus proteger. Curiosa, queria saber. Um dia, desses dias comuns que povoam as nossas lembranças, a peguei sussurrando ao pé do ouvido de meu pai. Esforcei-me pra ouvir e, com muito custo, descobri, no sussurro e cumplicidade entre os dois, a palavra cantada a entoar gentileza.
Dizia ela a ele: - Seja gentil! Pense bem! A vida de mulheres, dos bichos, das florestas e dos rios, pede cuidado. Cuidado com pensamento e linguagem. Ambos moram no coração! Cuide, ao falar! A palavra retorna insana a quem a profana! Numa breve pausa, continuava ela: palavras não foram feitas para agredir ninguém. São ondas sonoras através das quais os sentimentos, maus e bons, vão e vêm. Cuidado!
* Este é um artigo de opinião, de responsabilidade do autor, e não reflete a opinião do Brasil 247.



