Depois de mim, o dilúvio
Apesar de sinais de insanidade, é quase impossível afastar Trump
Donald foi uma criança valentona e descontrolada, brigava na escola e desrespeitava os professores. Em uma ocasião, quando tinha 13 anos, em 1959, ele deu um soco em um professor de música. Fred, frustrado e envergonhado (já que era um grande doador da escola), removeu abruptamente o filho da casa familiar em Queens — uma mansão com 23 quartos e serviçais — e o enviou para a New York Military Academy, no interior do estado.
Donald descreveu isso como um "banimento", dizendo que seu pai era "muito duro" e "nunca deixava nada passar".
Na academia, sob disciplina militar rigorosa, ele aprendeu a "ser um rei" e "matador", mas o episódio destacou a ausência de afeto paterno, priorizando controle sobre apoio emocional. Fred Trump desprezava fraquezas, e isso se manifestou na relação com seu filho mais velho, Fred Jr., que lutava contra o alcoolismo.
Donald, influenciado pelo pai, adotou uma atitude similar, zombando do irmão por não ser "durão" o suficiente. Um amigo da família relatou: "Donald humilhava Freddy bastante".
Fred Jr. deixou o negócio familiar para se tornar piloto, mas morreu aos 43 anos em 1981 devido ao vício. Donald citou isso como razão para evitar o álcool, mas biografias sugerem que a pressão paterna por sucesso contribuiu para a disfunção familiar, com Donald internalizando o mantra de "nunca mostrar fraqueza".
Desde criança, nos anos 1950-60, Donald acompanhava o pai em visitas a canteiros de obras em Brooklyn e Queens, coletando aluguéis e lidando com inquilinos. Fred ensinava: "Seja um matador" e "Você é um rei".
Essas lições incluíam manipulação política em clubes democráticos locais para obter favores. Donald absorveu isso, mas a relação era distante — Fred trabalhava sete dias por semana, deixando pouco tempo para paternidade.
Biógrafos notam que isso criou uma dinâmica de admiração misturada com medo, onde o sucesso era medido por lucros, não por laços afetivos.
Após a morte de Fred, em 1999, documentos revelaram que ele transferiu fortunas a Donald via esquemas fiscais questionáveis, evitando impostos em centenas de milhões.
Donald assumiu o negócio em 1971, mas a sobrinha Mary Trump, filha de Fred Jr., processou os dois, alegando fraude na herança, destacando como a rigidez paterna perpetuou relações doentias.
A mãe de Donald, Mary Anne MacLeod Trump, sofreu complicações de saúde graves após o nascimento de seu irmão mais novo, Robert, quando Donald tinha cerca de dois anos e meio. Ela ficou hospitalizada por longos períodos, levando a uma "ausência materna" em uma fase crítica de desenvolvimento.
Isso é descrito como traumático, resultando em "privações que o marcaram para a vida", com falta de conexão emocional e sensação de abandono.
Trump sofreu "abuso infantil" por "demais" ou "de menos"
Em seu livro “Too Much and Never Enough” (2020), Mary Trump, Jr., que é psicóloga clínica, descreve Trump como produto de abuso familiar, com traços narcisistas, sociopatas e declínio cognitivo.
Ela afirma que Trump sofreu "abuso infantil" por "demais" ou "de menos", com negligência materna e falha paterna em prover amor e segurança. Isso levou a defesas como bullying, desrespeito e agressividade. Ela o vê com "narcisismo além do comum", insegurança crescente, confusão (similar ao avô com Alzheimer) e deterioração de memória e controle de impulsos.
"Ele sabe no fundo que está perdendo capacidades cognitivas em ritmo alarmante."
Compara-o ao avô, vendo sinais de demência sobre narcisismo maligno. Ela enfatiza que a família bania fraqueza, impedindo a busca de ajuda.
Há diversos relatos públicos e midiáticos de comportamentos excêntricos de Trump antes de 2017, quando se tornou presidente.
Ele era visto como uma figura controversa em Nova York, conhecido por negócios questionáveis, auto-promoção excessiva e hábitos pessoais peculiares. Muitos o descreviam como "boorish" (grosseiro), attention-seeking (doente por atenção) e shady (suspeito) em práticas empresariais.
Trump tem aversão a germes (germofobia), preferindo beber com canudo. Ele evita apertar botões de elevador e dar autógrafos por medo de contaminação. Acredita que exercícios "destroem o corpo" como uma bateria que se esgota, e tem fobia de calvície. Admirava Howard Hughes por suas excentricidades. Relatos o mostram usando drogas como cocaína em clubes e sendo banido de locais por comportamento detestável.
Nos anos 80-2000, Trump era visto como um palhaço desesperado por atenção, mentiroso e pig (porco). Ele orquestrava confrontos públicos entre esposa e amante na frente de filhos e fotógrafos, para fornecer material para tablóides.
Era snubbed (ignorado) em eventos sociais por ser boorish. Durante a Guerra do Vietnã, evitou o alistamento com adiamentos médicos (esporões ósseos) e universitários. Analistas o descrevem como "episodic man", vivendo no momento sem narrativa introspectiva, com grandiosidade e impulsividade.
"E então eu vejo o desinfetante, que derruba [o vírus] em um minuto”
Em uma coletiva de imprensa na Casa Branca durante a pandemia de COVID-19, em abril de 2020, Trump virou-se para especialistas em saúde, como o Dr. Anthony Fauci, e perguntou se seria possível "injetar" desinfetantes no corpo humano para combater o vírus.
"E então eu vejo o desinfetante, que derruba [o vírus] em um minuto. Um minuto. E há uma maneira de fazer algo assim, por injeção dentro ou quase uma limpeza?", disse ele, gesticulando animadamente enquanto olhava para o público e os repórteres.
Essa declaração causou choque imediato, levando agências de saúde a emitir alertas contra a ingestão de produtos químicos. Trump depois alegou que era "sarcasmo", mas o episódio foi visto como um exemplo de raciocínio perigoso e desconectado da ciência.
"Who can figure out the true meaning of 'covfefe' ??? Enjoy!"
Às 00:06 da madrugada, em maio de 2017, Trump postou no Twitter (agora X): "Despite the constant negative press covfefe".
A mensagem incompleta e sem sentido permaneceu online por seis horas, gerando memes e especulações globais sobre o que "covfefe" significava — possivelmente um erro de digitação para "coverage".
Trump, em vez de deletar ou corrigir, dobrou a aposta no dia seguinte, tuitando: "Who can figure out the true meaning of 'covfefe' ??? Enjoy!".
Isso foi interpretado como uma tentativa de transformar um erro em algo misterioso ou engraçado, mas destacou sua tendência a impulsos noturnos e recusa em admitir falhas, alimentando debates sobre seu julgamento.
"Eu sei que o Alabama estava no caminho original"
Durante uma atualização sobre o furacão Dorian na Sala Oval, em setembro de 2019, Trump exibiu um mapa oficial do Serviço Nacional de Meteorologia que mostrava a trajetória da tempestade.
No entanto, o mapa havia sido alterado manualmente com uma linha preta desenhada com caneta Sharpie, estendendo o caminho para incluir o Alabama — contrariando previsões oficiais.
Trump insistiu que o Alabama seria afetado, repetindo isso em tuítes e entrevistas, mesmo após os meteorologistas negarem. Repórteres presentes notaram sua expressão confiante enquanto apontava para o mapa adulterado, dizendo: "Eu sei que o Alabama estava no caminho original".
O incidente, apelidado de "Sharpiegate", foi visto como uma obsessão em não admitir erros, beirando o delirante.
Em um town hall na Pensilvânia, em outubro de 2024, após uma interrupção por uma emergência médica no público, Trump decidiu abandonar as perguntas e respostas. Ele anunciou: "Vamos não fazer mais perguntas. Vamos só ouvir música. Quem diabos quer ouvir perguntas, certo?".
Por 39 minutos, ele ficou no palco balançando e dançando ao som de uma playlist eclética, incluindo "Nothing Compares 2 U" de Sinéad O'Connor e "Memory" do musical Cats.
O público, inicialmente confuso, acabou se dispersando parcialmente, enquanto Trump parecia alheio, balançando os braços e acenando. Analistas descreveram isso como um sinal de declínio cognitivo, com discursos cada vez mais desconexos.
“Não permitiremos que um moinho de vento seja construído nos Estados Unidos”
Em uma reunião com a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, em agosto de 2025, Trump desviou abruptamente de imigração para moinhos de vento.
Ele falou por dois minutos ininterruptos: "A outra coisa que digo à Europa: nós não permitiremos que um moinho de vento seja construído nos Estados Unidos. Eles estão nos matando. Eles estão matando a beleza da nossa paisagem".
Ele alegou, sem evidências, que turbinas eólicas deixam baleias "loucas" e matam pássaros em massa. Repórteres presentes relataram sua expressão séria e gesticulação intensa, como se o tópico fosse urgente, destacando uma tendência a monólogos incoerentes sobre temas aleatórios.
Em um comício no Mississippi, em outubro de 2018, Trump zombou de Christine Blasey Ford, que acusou Brett Kavanaugh de agressão sexual.
Ele imitou sua voz de forma caricata: "O que aconteceu? 'Eu não lembro'. Onde? 'Eu não lembro'. Como você chegou lá? 'Eu não lembro'".
A multidão riu e aplaudiu enquanto Trump gesticulava exageradamente, virando-se para o público com um sorriso.
Esse episódio foi criticado como cruel e desumano, refletindo uma propensão a bullying público que muitos veem como instável.
Exemplos incluem alegar que seu tio conhecia o Unabomber
Esses exemplos ilustram padrões de comportamento impulsivo, negação de fatos e desvios mentais, frequentemente atribuídos a uma personalidade narcisista ou declínio cognitivo por analistas.
Trump frequentemente muda de tópico abruptamente, como em reuniões de gabinete onde passou minutos falando sobre decoração ou em discursos que começam com carros elétricos e terminam em tubarões ou música. Isso foi descrito por especialistas como falta de regulação narrativa e possível sinal de declínio cognitivo.
Exemplos incluem alegar erroneamente que seu tio conhecia o Unabomber, reclamar de moinhos de vento causando câncer ou assistir à violência de 6 de janeiro de 2021 "com prazer", repetindo partes favoritas. Esses episódios levantaram dúvidas sobre sua acuidade mental.
Relatos indicam aumento de paranoia, como fixação em teorias conspiratórias, fraqueza no lado direito do corpo (possível sinal de demência frontotemporal) e irritabilidade extrema. Psicólogos notaram padrões como redução de sono, grandiosidade e hostilidade.
Análises sugerem narcisismo maligno, com desrespeito por fatos, necessidade excessiva de admiração, falta de empatia e prazer em infligir dor.
Essas atitudes foram amplamente cobertas pela imprensa e por livros como "The Dangerous Case of Donald Trump", onde psiquiatras discutem perigos potenciais sem diagnósticos formais, respeitando regras éticas como a "Goldwater Rule". Elas não provam insanidade, mas geram debates sobre aptidão.
A Constituição dos EUA não usa termos como "maluco", mas a Emenda 25, ratificada em 1967, lida com a incapacidade presidencial, incluindo mental.
Na Seção 4, permite que o vice-presidente e a maioria do gabinete (ou outro corpo designado pelo Congresso) declarem por escrito ao presidente pro tempore do Senado e ao speaker da Câmara que o presidente está "incapaz de exercer os poderes e deveres de seu cargo".
Presidentes não são obrigados a passar por avaliações psiquiátricas
Isso pode incluir incapacidade mental, como debilidade cognitiva ou instabilidade. O vice-presidente assume como presidente interino. Se o presidente contestar, o Congresso decide por voto de dois terços em ambas as casas para manter a remoção.
A emenda foi criada para cenários como doenças graves ou mentais, mas "incapacidade" é intencionalmente vaga para flexibilidade, focando no impacto nos deveres presidenciais, não em diagnósticos específicos. Ela nunca foi usada para remoção permanente por razões mentais.
Não há mecanismo legal na Constituição ou leis federais que forcem um presidente em exercício a se submeter a um exame de saúde mental. Presidentes não são obrigados a passar por avaliações psiquiátricas antes ou durante o mandato. O Congresso não pode ordenar isso diretamente, e a Emenda 25 não requer exames formais — depende de julgamento do gabinete baseado em observações diárias, não em testes médicos.
Propostas como o "Stable Genius Act" (2018) visavam exigir exames para candidatos, mas não avançaram. Qualquer tentativa de forçar um exame violaria a privacidade e a separação de poderes, exceto em contextos como impeachment.
Nenhum presidente dos EUA foi removido ou interditado permanentemente por incapacidade mental. A Emenda 25 foi invocada apenas para transferências temporárias por razões físicas, como cirurgias, tais como os casos de Reagan em 1985, Bush em 2002 e 2007 e Biden em 2021.
Casos históricos de possível incapacidade mental, como Woodrow Wilson (derrame em 1919, com esposa gerenciando informalmente) ou Reagan (preocupações com Alzheimer no final do mandato), não resultaram em remoção formal. A Seção 4 nunca foi usada, pois requer consenso político alto e é vista como medida extrema.
Nenhum psiquiatra americano, nem a imprensa podem taxá-lo de “maluco”, em razão da Regra Goldwater. Em 1964, a revista Fact enviou uma enquete para mais de 12 mil psiquiatras americanos: "Você acha que Barry Goldwater é psicologicamente apto para ser presidente?".
Cerca de 1.189 responderam "não" (e muitos fizeram comentários duríssimos, comparando-o a Hitler, por exemplo), sem nunca tê-lo examinado.
A manchete da capa — "1.189 psiquiatras dizem que Goldwater é psicologicamente inapto para ser presidente" — motivou um processo por difamação. E Goldwater ganhou.
Desde então, a American Psychiatric Association, a principal associação de psiquiatras dos Estados Unidos, proíbe que psiquiatras opinem sobre a saúde mental ou façam diagnósticos de figuras públicas (como políticos, celebridades ou candidatos) sem que tenham realizado um exame pessoal direto e obtido autorização explícita da pessoa para divulgar tal opinião. Em 1973, a APA criou a Regra Goldwater, para evitar que isso se repetisse.
Mais de 200 profissionais alertaram: Trump exibe sintomas de "transtorno de personalidade grave - narcisismo maligno"
Psiquiatras podem falar sobre temas gerais de saúde mental, transtornos ou questões psiquiátricas em público, mas não podem aplicar isso a uma pessoa específica sem avaliação direta.
Alguns psiquiatras argumentam que, em casos de risco grave à segurança pública, como "duty to warn" — dever de alertar — a regra poderia ser flexibilizada. Isso foi muito debatido durante a presidência de Donald Trump (2017–2021 e depois), quando grupos como o World Mental Health Coalition (liderado por Bandy X. Lee) defenderam violações para "proteger a nação".
A APA reafirmou a regra várias vezes (inclusive em 2017 e em publicações recentes), dizendo que quebrá-la é irresponsável e pode estigmatizar a profissão.
Há movimentos significativos entre deputados, ex-funcionários do governo e especialistas em saúde mental nos EUA expressando preocupações sobre a instabilidade de Donald Trump e os riscos para o país.
Essas preocupações se intensificaram desde sua reeleição em 2024 e o início do segundo mandato em 2025, focando em declínio cognitivo, impulsividade e potenciais ameaças à segurança nacional.
Em janeiro de 2025, mais de 200 profissionais de saúde mental assinaram uma carta alertando que Trump exibe sintomas de "transtorno de personalidade grave - narcisismo maligno", tornando-o "deceitful, destructive, deluded & dangerous" e "grossly unfit for leadership" ("Enganador, destrutivo, iludido e perigoso" e "totalmente inadequado para a liderança").
Mais da metade da equipe de segurança via Trump como desequilibrado e com tendências autoritárias
Psiquiatras como Bandy X. Lee, em entrevistas e livros como "The Dangerous Case of Donald Trump", destacam paranoia, lapsos cognitivos e deterioração mental, comparando-o a riscos semelhantes à demência.
No Congresso, democratas e alguns republicanos discutiram invocar a 25ª Emenda para remover Trump por incapacidade.
Em 2025, o deputado John Garamendi (D-CA) chamou Trump de "sério risco de segurança nacional" devido a problemas mentais.
Propostas como formar uma comissão independente para avaliar a aptidão presidencial foram revividas, com chamadas para um "25th Amendment Commission" para lidar com idosos no poder.
Ex-funcionários como Miles Taylor (ex-chefe de gabinete do DHS) alertaram que mais da metade da equipe de segurança nacional original de Trump o via como "unhinged" (desequilibrado) e com tendências autoritárias.
Autoridades como ex-oficiais de lançamento nuclear o chamaram de "clear and present danger" (“claro e atual perigo”) devido à impulsividade.
Em 2026, relatórios indicam que o Congresso expressou preocupações com demissões na NNSA (agência nuclear), temendo instabilidade no arsenal nuclear.
Essas preocupações não resultaram em ações formais como impeachment ou invocação da 25ª Emenda até agora, devido a divisões partidárias e lealdade republicana.
Trump, como presidente, tem autoridade exclusiva para ordenar um lançamento nuclear, sem necessidade de aprovação congressual ou militar prévia – um sistema criticado por ser "hair-trigger" e dependente de um indivíduo.
Especialistas alertam que sua impulsividade e traços como narcisismo maligno o tornam capaz de tal ação, especialmente sob estresse.
Ex-oficiais nucleares e analistas como Bruce Blair argumentam que Trump aumenta riscos de guerra acidental ou intencional, citando sua ameaça de "fire and fury" (“fogo e fúria”) contra a Coreia do Norte e propostas de retomar testes nucleares.
Sua retórica “meu botão é maior” e demissões em agências nucleares provocam temores
Em 2025, Trump prometeu retomar testes "on an equal basis" (“em termos iguais”) com Rússia e China, o que especialistas veem como uma escalada desnecessária.
Militares podem, no entanto, questionar ordens ilegais, e ex-líderes como John Kelly relataram intervenções para bloquear ideias perigosas.
Propostas para exigir aprovação conjunta (ex.: de um oficial sênior) ganharam tração, mas não foram implementadas.
A China alertou que isso aumenta riscos globais de conflito.
Não há evidência de que Trump apertaria o botão sem motivo, mas sua retórica ("my button is bigger" – “meu botão é maior”) e demissões em agências nucleares provocam temores.
Trump reviveu sua ideia de 2019 de comprar a Groenlândia, citando recursos minerais e segurança contra China e Rússia.
Isso ainda não provocou guerra militar, mas escalou tensões comerciais e diplomáticas, com riscos de conflito maior.
A Eurasia Group lista Trump como risco global nº1 em 2026
Em janeiro de 2026, Trump ameaçou com tarifas de 10% (subindo para 25%) contra oito países europeus (Dinamarca, Noruega, Suécia, Finlândia, França, Alemanha, Reino Unido, Países Baixos) por se oporem a "complete and total purchase" de Groenlândia.
Analistas e relatórios de 2025-2026 argumentam que políticas de Trump – como tarifas, intervenções unilaterais e enfraquecimento de alianças – colocam os EUA em risco econômico, de segurança e geopolítico.
A Eurasia Group lista Trump como risco global nº1 em 2026, por "undoing its own global order" (“impor a sua própria ordem global”).
Ações como o raid na Venezuela e ameaças ao Irã e Cuba aumentam a instabilidade.
Há ampla preocupação nos EUA, de especialistas, mídia, ex-funcionários e aliados.
Um ano após Trump 2.0, a fé na aliança transatlântica diminui, com Europa vendo "urgency" contra ameaças como tarifas.
Think tanks como Brookings e Crisis Group alertam para caos global e enfraquecimento americano.
No X, posts destacam riscos nucleares e Groenlândia como "dangerous" para estabilidade.
No entanto, a base de Trump o vê como "projeção de força".
Ele detém um apoio significativo dentro do Partido Republicano, especialmente entre sua base MAGA e a maioria dos líderes congressionais.
No entanto, esse apoio não é unânime e tem mostrado sinais de erosão em alguns setores, particularmente devido a preocupações com suas decisões políticas imprevisíveis e foco excessivo em questões estrangeiras controversas.
De acordo com pesquisas recentes, sua aprovação geral está em torno de 42-46% nacionalmente, mas entre republicanos, permanece alta, acima de 80%.
Ele é visto como o "líder supremo" do partido, com republicanos no Congresso frequentemente se alinhando a ele para evitar retaliações, como endossos a rivais em primárias.
Trump tem endossado candidatos para as eleições de 2026.
No entanto, analistas alertam que seu declínio de popularidade entre independentes, jovens e hispânicos pode prejudicar o partido nas “midterms” deste ano.
Os republicanos controlam ambas as câmaras do Congresso no 119º Congresso (que vai até janeiro de 2027, após as eleições de 2024).
Eles controlam 218 cadeiras, contra 213 dos Democratas.
No Senado, Republicanos ganham por 53 a 45.
Uma parcela significativa de republicanos no Congresso e em outros níveis expressa temores de que decisões de Trump, como ameaças sobre Groenlândia, intervenção na Venezuela e pressão sobre aliados, possam ameaçar a segurança nacional, alianças e a economia dos EUA.
Senadores republicanos alertaram para o risco de guerra com a NATO
Embora a maioria permaneça leal, há dissidência crescente: os senadores Thom Tillis (R-NC), Mitch McConnell (R-KY) e Don Bacon (R-NE) criticaram abertamente as ameaças de tarifas ou força para adquirir Groenlândia, chamando de "absurdo" e alertando para o risco de guerra com a NATO e danos a alianças.
Eles veem isso como "autodestruição estratégica" e potencial para uma "espiral perigosa".
Republicanos bloquearam resoluções para limitar poderes de guerra de Trump na Venezuela, mas o senador Rand Paul (R-KY) criticou a ação como "guerra disfarçada" e "ruse" para o povo americano.
Analistas e estrategistas republicanos alertam que o foco de Trump em política externa e ego pode custar as midterms de 2026, levando a perdas no Congresso e até impeachment.
Há preocupações com imigração agressiva, como tiroteios por ICE, e políticas que erodem direitos civis.
No X, posts destacam que republicanos veem apoio a Trump como risco para o partido, com alguns pedindo união apesar de discordâncias.
No geral, enquanto a base MAGA apoia, líderes moderados temem danos à imagem do partido e à nação.
Relatos indicam que assessores chave de Trump expressam preocupações privadas sobre sua estabilidade, imprevisibilidade e foco disperso, especialmente em 2026.
O círculo de influência ao redor dele está encolhendo, priorizando lealdade sobre expertise, o que leva a um governo descrito como "caótico".
Assessores lutam para conter gambitos como Groenlândia e Venezuela, vendo-os como desestabilizadores e arriscados para alianças globais.
Há temores de que sua abordagem "solo" erode a estabilidade diplomática.
Assessores e ex-conselheiros alertam que pressão sobre o Fed para cortar juros pode inflacionar e ameaçar a estabilidade financeira.
Jamie Dimon (CEO do JPMorgan) chamou de "ideia ruim" que pode ter consequências reversas.
A possibilidade de terceiro impeachment é considerada baixa
Há relatos de assessores preocupados com seu "comportamento imprevisível" e falta de foco em questões domésticas, como economia, o que aliena a base e complica mensagens para 2026.
Alguns concedem que sua "imprevisibilidade" dá alavancagem, mas precisa de consistência para legados duradouros.
No X, posts ecoam suporte leal, mas com críticas internas a táticas divisivas.
A possibilidade de Donald Trump sofrer um terceiro impeachment é considerada baixa no momento, principalmente porque os republicanos mantêm o controle majoritário tanto na Câmara dos Representantes quanto no Senado.
No entanto, Trump tem alertado publicamente que, se os republicanos perderem as eleições de novembro de 2026 (que renovam todos os assentos da Câmara e um terço do Senado), os democratas poderiam retomar a Câmara e iniciar um processo de impeachment contra ele.
Em discursos recentes, como em um retiro republicano em 6 de janeiro de 2026, Trump afirmou: "Se não ganharmos as midterms, eles vão encontrar uma razão para me impeachar. Eu vou ser impeachado."
Pesquisas indicam que os democratas lideram por cerca de 5 pontos na intenção de voto genérico para as midterms, o que poderia inverter o controle da Câmara, aumentando as chances de um impeachment se ações controversas de Trump, como a intervenção militar na Venezuela ou as ameaças sobre a Groenlândia, forem usadas como base.
Até agora, várias resoluções de impeachment foram propostas por democratas em 2025, mas todas foram arquivadas (tabled) por votações majoritárias republicanas.
Analistas políticos notam que um impeachment só seria viável com maioria democrata na Câmara (para aprovar artigos) e dois terços no Senado (para condenação e remoção), o que é improvável sem dissidências republicanas significativas.
Há precedentes: Trump foi “impeachado” duas vezes em seu primeiro mandato (2019 e 2021), mas absolvido no Senado.
Os motivos para impeachment de um presidente estão definidos na Constituição dos Estados Unidos, Artigo II, Seção 4:
"O Presidente, o Vice-Presidente e todos os oficiais civis dos Estados Unidos serão removidos do cargo por impeachment e condenação por traição (treason), suborno (bribery) ou outros altos crimes e misdemeanors (“contravenções”), (high crimes and misdemeanors)".
Apesar das atitudes que ameaçam o mundo, não há como tirá-lo do cargo
Essa cláusula é intencionalmente ampla, permitindo que o Congresso interprete "high crimes and misdemeanors" para incluir abusos de poder, corrupção, obstrução de justiça ou condutas que violem o juramento presidencial de "preservar, proteger e defender a Constituição".
Não é necessário um crime penal específico; o foco é em condutas que ameaçam a integridade do cargo ou o sistema democrático.
O processo é político, não judicial.
A Câmara aprova artigos de impeachment por maioria simples (como uma acusação), e o Senado julga por dois terços dos votos para condenar e remover o presidente.
Exemplos históricos incluem o impeachment de Andrew Johnson (1868) por violar uma lei congressional, Richard Nixon (em 1974, renunciou antes da votação por obstrução e abuso de poder) e Bill Clinton (em 1998, por perjúrio e obstrução).
Por aí se vê que, apesar dos claros sinais de insanidade e atitudes que ameaçam a segurança dos Estados Unidos e do mundo, não há como tirá-lo do cargo ao menos antes de novembro deste ano.
Ele só sairá por três motivos.
Se renunciar, o que é pouco provável; se for internado por um longo período, caso seu declínio cognitivo o obrigue; ou se for assassinado.
* Este é um artigo de opinião, de responsabilidade do autor, e não reflete a opinião do Brasil 247.



