ICE invade casa em Minnesota e arrasta homem quase nu para a neve
A temperatura máxima em Saint Paul no domingo foi de 14 graus Fahrenheit, o equivalente a menos 10 graus Celsius
Reuters – Um morador de Minnesota disse à Reuters nesta segunda-feira (19) que sentiu medo, vergonha e desespero um dia depois de agentes do ICE arrombarem a porta de sua casa com armas em punho, algemá-lo e arrastá-lo para a neve vestindo apenas shorts e Crocs.
ChongLy Thao, de 56 anos, cidadão estadunidense naturalizado que atende pelo nome de Scott, afirmou que foi levado de volta para casa mais tarde, no domingo (18), sem qualquer explicação ou pedido de desculpas.
"Eu estava rezando. Eu dizia: Deus, por favor, me ajude, eu não fiz nada de errado. Por que eles fazem isso comigo? Sem minhas roupas", disse Thao, um homem hmong nascido no Laos, à Reuters de sua casa nesta segunda-feira, enquanto vizinhos trabalhavam no conserto da porta quebrada.
Fotos do incidente, que mostram Thao quase nu e coberto por um cobertor, feitas por um fotógrafo da Reuters e por pessoas que estavam no local, se espalharam pelas redes sociais, alimentando ainda mais a preocupação de que agentes federais de segurança estariam excedendo sua autoridade como parte da ofensiva migratória do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que mobilizou cerca de 3.000 agentes na região de Minneapolis.
Um comunicado divulgado pela família classificou o episódio como "desnecessário, degradante e profundamente traumatizante". A temperatura máxima em Saint Paul no domingo foi de 14 graus Fahrenheit, o equivalente a menos 10 graus Celsius.
O Departamento de Segurança Interna afirmou que os agentes investigavam dois criminosos sexuais condenados no endereço e que um cidadão estadunidense que morava no local se recusou a fornecer impressões digitais ou identificação facial, motivo pelo qual foi detido.
"Ele correspondia à descrição dos alvos. Como em qualquer agência de aplicação da lei, é protocolo padrão manter todos os indivíduos de uma residência durante uma operação, para a segurança do público e das forças de segurança", disse a porta-voz do DHS, Tricia McLaughlin, em nota.
"Por que estamos aqui"
O DHS divulgou cartazes de procurados de dois homens alvo da investigação que ainda estavam foragidos, descrevendo cada um como um "imigrante ilegal criminoso" do Laos, sujeito a ordens de deportação. Um dos homens mencionados nos cartazes já havia morado na casa, mas se mudou, segundo parentes próximos ao caso, que o descreveram como ex-marido de uma integrante da família Thao.
Uma juíza distrital federal em Minnesota emitiu na sexta-feira uma liminar que impede o governo Trump de adotar algumas táticas agressivas que, segundo ela, poderiam "inibir" um cidadão comum de participar de protestos protegidos pela Constituição.
"Essa conduta inclui sacar e apontar armas; o uso de spray de pimenta e outras munições não letais; prisões e detenções reais ou ameaçadas de manifestantes e observadores; e outras táticas de intimidação", escreveu a juíza Katherine Menendez.
O governo Trump está recorrendo da decisão.
Thao afirmou que seus pais o trouxeram do Laos para os Estados Unidos em 1974, quando ele tinha quatro anos, e que se tornou cidadão estadunidense em 1991. Durante a abordagem, ele temeu ser enviado de volta ao Laos, onde não tem parentes.
Ele contou que estava cantando karaokê quando ouviu um barulho alto na porta. Ele e a família se esconderam em um quarto, onde os agentes federais o encontraram. Thao disse que tentava localizar seu documento de identidade enquanto era escoltado para fora da casa.
Segundo ele, vestia apenas uma cueca boxer e Crocs nos pés quando os agentes negaram a ele a chance de colocar mais roupas. Para cobrir o torso, usou um cobertor com o qual seu neto de quatro anos dormia no sofá.
Depois de colherem suas impressões digitais e uma foto do rosto dentro do carro, os agentes o levaram de volta para casa, disse Thao.
"Nós viemos para cá com um propósito, certo? … Ter um futuro brilhante. Ter um lugar seguro para viver", afirmou. "Se isso é o que a América vai se tornar, o que estamos fazendo aqui? Por que estamos aqui?"


