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Oliveiros Marques

Sociólogo pela Universidade de Brasília, onde também cursou disciplinas do mestrado em Sociologia Política. Atuou por 18 anos como assessor junto ao Congresso Nacional. Publicitário e associado ao Clube Associativo dos Profissionais de Marketing Político (CAMP), realizou dezenas de campanhas no Brasil para prefeituras, governos estaduais, Senado e casas legislativas

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Desenrola pesquisas

Se bem comunicada, essa iniciativa pode começar a romper a barreira que hoje impede um avanço mais consistente de Lula nas pesquisas

04.05.2026 – Presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, durante assinatura da Medida Provisória referente ao Novo Desenrola Brasil, no Palácio do Planalto. Brasília - DF. Foto: Ricardo Stuckert / PR (Foto: Ricardo Stuckert / PR)

Se a militância lulista abandonar o seu comportamento de tudo querer analisar, estudar, construir teses, avaliar layouts, fontes e cores, ou seja, se não fizer o conteúdo distribuído por suas lideranças objeto de debate e simplesmente fizer circular as informações sobre o Desenrola Brasil, ele tem força motriz para mexer nas pesquisas positivamente para Lula daqui a um mês.

Não é exagero. O Desenrola toca em um ponto central da vida real das pessoas: o sufoco das dívidas. São milhões de brasileiros que vivem hoje com o nome negativado, sem acesso a crédito, limitados nas decisões mais básicas do dia a dia - do supermercado ao financiamento de um bem essencial. Ao permitir a renegociação e até o cancelamento de pequenas dívidas, o programa não apenas reorganiza números, mas devolve dignidade.

A nova fase do Desenrola vai além. Ao incluir também pequenos empreendedores e produtores rurais, o governo acerta em cheio na base da economia brasileira. São essas pessoas que sustentam a dinâmica econômica das cidades, especialmente no interior: o dono do pequeno comércio, o prestador de serviço, o agricultor que planta e colhe. Quando eles estão endividados, não é só uma pessoa que para - é uma cadeia inteira que desacelera.

Ao aliviar essas dívidas, o programa gera um efeito imediato e concreto: libera consumo, reativa negócios, estimula produção e melhora o ambiente econômico. É uma política que não depende de teoria sofisticada para ser compreendida. Ela é sentida na prática - na geladeira mais cheia, na conta paga, no nome limpo.

E talvez esteja aí o ponto político mais relevante. Durante muito tempo, o debate público se afastou da percepção cotidiana das pessoas. O Desenrola recoloca o governo nesse lugar: o da vida real. É uma política que conversa diretamente com quem precisa, sem intermediários, sem ruído.

Se bem comunicada - e aqui entra o papel central da militância e das lideranças -, essa iniciativa pode começar a romper a barreira que hoje impede um avanço mais consistente de Lula nas pesquisas. Porque, no fim das contas, o que move opinião não é apenas discurso, é resultado percebido.

O Desenrola tem esse potencial. Não como peça de marketing, mas como instrumento concreto de transformação. Cabe agora menos interpretação e mais circulação. Menos debate interno e mais presença no cotidiano das pessoas.

Quando a informação chega, o impacto aparece. E quando o impacto aparece, a política muda.

* Este é um artigo de opinião, de responsabilidade do autor, e não reflete a opinião do Brasil 247.

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