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Adilson Roberto Gonçalves

Pesquisador científico em Campinas-SP

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Dez anos do golpe

A força de Dilma é dada por suas palavras finais ao ser deposta

Dilma Rousseff (Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil)

Quais foram mesmo os crimes cometidos por Dilma Rousseff que a tiraram do poder em 2016? Não ter se submetido a Eduardo Cunha e impedir o sequestro do orçamento pelo parlamento devem ter sido os principais. A força dessa mulher é dada por suas palavras finais ao ser deposta. Hoje o centrão está dilapidando o país, responsável em grande parte pela crise institucional entre os poderes. O início do ressurgimento da extrema direita – ou dos fascistas, neofascistas, como queiram – se deu nas “fogueiras de junho” de 2013, com disfarçadas manifestações pelas ruas contrárias ao aumento do preço das passagens do transporte público, e o golpe de 2016 foi parte importante dessa trajetória, que incluiu a prisão de Lula e a eleição de Jair Bolsonaro em 2018, esta somente possível porque foi baseada nas fakenews disseminadas à velocidade da luz.

Pela imprensa padrão – ou do patrão – a cantilena é a mesma ao reafirmar a tese de que Dilma somente foi deposta porque bagunçou a economia, perdendo apoio, e, por óbvio, a coragem política daquela mulher sequer é citada. Mesmo nos jornais de regiões interioranas, fora das capitais, insistem em paralelos e abobrinhas que apenas atendem às teses fascistas.

Afirmam que não há o que reconhecer na coragem de Dilma durante a ditadura porque foi anistiada. Usam esse argumento até para avocar o mesmo dispositivo para os golpistas de 2022-2023. A anistia havida em 1979 em nada se compara com a pretensa manobra de hoje para libertar golpistas, Jair Bolsonaro o principal criminoso aí incluído. Aquela foi feita em pleno regime ditatorial militar, que somente veio a término seis anos depois, e que teve como objetivo inocentar os mandatários de crimes dos militares. Os militantes da esquerda revolucionária já haviam sido assassinados e a anistia chegou para crimes de opinião. Por outro lado, clamar por justiça para os invasores da Praça dos Três Poderes é ignorar que foi dada a eles a opção de não cumprir pena, caso admitissem a culpa. Isso aconteceu com um terço dos presos. Os demais fiéis aos mandatários, não aceitaram o acordo e somente por isso foram condenados. Escrevem outras narrativas, da mesma forma que transformaram o golpe de 1964 em “revolução” e o de 2016 contra Dilma Rousseff em “impeachment”.

E assim vamos perdendo a história. No mais, tenho o prazer e o privilégio de ter cumprimentado Dilma Rousseff em 2011 por ocasião da entrega do Prêmio Jovem Cientista daquele ano. A única foto que possuo com ela ilustra a publicação de quatro anos atrás (https://www.brasil247.com/blog/lembrancas-de-um-golpe-contra-dilma-rousseff).

* Este é um artigo de opinião, de responsabilidade do autor, e não reflete a opinião do Brasil 247.

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