Há perigo na esquina política
Agora, querem rotular Flávio Bolsonaro de “direita não truculenta”. Realmente, Josef Goebbels foi um mestre medíocre em face dos pupilos que produziu
As eleições estão logo ali e a extrema direita está à espreita. Já venderam Jair Bolsonaro como outsider (mesmo após três décadas dentro do congresso), Tarcísio de Freitas como não bolsonarista e moderado (isso com a defesa da anistia ao ex-presidente condenado e uso do boné MAGA), e agora, querem rotular Flávio Bolsonaro de “direita não truculenta”. Realmente, Josef Goebbels foi um mestre medíocre em face dos pupilos que produziu.
A técnica de dissimulação e expansão da influência é simples e se repete: o fascismo, ainda chamado de extrema direita, não revela o quão nocivo é para a população, especialmente para os trabalhadores, os mais vulneráveis e os periféricos.
Eles festejam todas as derrotas para os trabalhadores e minorias, tanto aqui como nos vizinhos. A Argentina é o exemplo mais notório e recente. Que as medidas aprovadas na Argentina não embasem uma retomada do “efeito Orloff” por aqui, uma vez que a Câmara daquele país aprovou reforma que flexibiliza lei trabalhista. Que os ares ainda progressistas de nosso governo caminhem para uma reumanização das relações de trabalho, não para a consolidação do inferno na Terra, como aconteceu no país vizinho. Isso somente acontecerá se conseguirem aprovar a redução da jornada de trabalho nas próximas semanas, antes da janela eleitoral, pois a invasão fascista do Parlamento será mais intensa ainda nas eleições de outubro, a se confirmar as articulações em curso.
A técnica de criar factoides para esconder a podridão profunda é outra artimanha dos fascistas. Vemos os exemplos de Epstein para Donald Trump e de Daniel Vorcaro para os fascistas domésticos. A bomba política em que os arquivos de Jeffrey Epstein está se transformando, com forte componente de exploração sexual, faz lembrar as denúncias de corrupção do governo Collor, no Brasil, especialmente o que veio à tona, posteriormente, com a publicação de “Notícias do Planalto: A Imprensa e Fernando Collor”, de Mario Sérgio Conti em 1999. No livro, há uma passagem de revelação de áudios de uma festa em que o ex-presidente participou e a maior preocupação não eram os diálogos que comprovavam a corrupção, mas, sim, se estavam presentes cenas das orgias sexuais havidas. A transcrição das falas usa palavrões, desnecessários aqui, mas reveladores do que era aquela “nova República”.
Embriões do fascismo estavam por toda a parte e parece que somente tomamos conhecimento dele após as fogueiras de junho de 2013.
* Este é um artigo de opinião, de responsabilidade do autor, e não reflete a opinião do Brasil 247.



