Rogério Correia denuncia blindagem a Flávio Bolsonaro na CPMI do INSS
Deputado critica cancelamento de sessão que votaria requerimentos de convocação de sócia de Flávio Bolsonaro e de Fabiano Zettel
247 - O deputado federal Rogério Correia (PT-MG) criticou o cancelamento da reunião da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do INSS, prevista para esta quinta-feira (5), e afirmou que a decisão pode ter servido para evitar o avanço de investigações que envolvem aliados do bolsonarismo, entre eles o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ). A sessão foi suspensa em razão de um problema de saúde do relator da comissão, deputado Alfredo Gaspar (União-AL).
A denúncia foi feita por Correia em publicação nas redes sociais nesta quinta-feira (5). No texto, o parlamentar questiona a justificativa apresentada para o adiamento e sugere que havia condições regimentais para manter a reunião, uma vez que a pauta incluía votações de requerimentos que poderiam ser conduzidas por um suplente do relator.
Segundo o deputado, a sessão foi cancelada “em cima da hora”, quando o convidado para prestar esclarecimentos — o presidente da Dataprev, Rodrigo Ortiz D’Ávila Assumpção — já estava presente no local. Também estava previsto o depoimento do advogado Cecílio Galvão. Ambos foram adiados e ainda não há nova data definida para as oitivas.
Correia afirmou que a justificativa apresentada pelo gabinete de Gaspar, que informou que o relator está com sinusite, não impediria a realização de uma sessão deliberativa. “Mas para uma sessão deliberativa, para aprovar requerimentos, não tinha necessidade da presença do relator, o suplente dele poderia assumir e votar”, escreveu.
Requerimentos envolviam aliados do bolsonarismo
O parlamentar destacou que um dos pontos mais sensíveis da pauta era a votação de requerimentos para convocação e quebra de sigilo de pessoas ligadas a investigações que alcançam figuras próximas ao bolsonarismo.
Entre os pedidos que seriam analisados estavam a convocação de uma sócia do senador Flávio Bolsonaro e de Fabiano Zettel. Correia também citou conexões com o chamado “Careca do INSS” e mencionou investigações relacionadas ao grupo.
Na postagem, o deputado declarou: “O estranho é que na pauta estava a quebra de sigilo e convocação da sócia do Flávio Bolsonaro, envolvido com Careca do INSS e do pastor Zettel, que deu R$5 milhões para as campanhas de Bolsonaro e Tarcísio e foi preso ontem junto com Vorcaro”.
Correia também mencionou que documentos obtidos por meio de quebras de sigilo citariam outros nomes ligados ao bolsonarismo. “É bom lembrar que documentos da quebra de sigilo incriminam vários bolsonaristas, como Ciro Nogueira e o próprio Nikolas Ferreira”, escreveu.
Em tom crítico, o deputado ironizou a justificativa para o cancelamento da sessão. “Essa doença da cúpula da CPMI tá com mais cara de ‘Zettelite’ e ‘Vorcarite’ aguda”, afirmou.
Quem é Fabiano Zettel
Fabiano Zettel é cunhado de Daniel Vorcaro, proprietário do Banco Master. Vorcaro é investigado por suspeitas de envolvimento em esquemas de fraude financeira, lavagem de dinheiro e organização criminosa.
Zettel é apontado nas investigações como possível operador financeiro na estrutura investigada. Além disso, ele também atua como pastor da Igreja Lagoinha.
Nas eleições de 2022, Zettel figurou entre os maiores doadores pessoa física do país. Ele foi o sexto maior doador daquele pleito e o principal financiador individual das campanhas de Jair Bolsonaro (PL) e de Tarcísio de Freitas (Republicanos), atual governador de São Paulo.
Sessão previa votação de 18 requerimentos
Além dos depoimentos que estavam programados, a reunião desta quinta-feira também incluiria a votação de 18 requerimentos apresentados por integrantes da CPMI.
Com o cancelamento da sessão, todas as deliberações foram adiadas. A comissão ainda não informou quando os depoimentos do presidente da Dataprev e do advogado Cecílio Galvão serão reagendados.


