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Denise Assis

Jornalista e mestra em Comunicação pela UFJF. Trabalhou nos principais veículos, tais como: O Globo; Jornal do Brasil; Veja; Isto É e o Dia. Ex-assessora da presidência do BNDES, pesquisadora da Comissão Nacional da Verdade e CEV-Rio, autora de "Propaganda e cinema a serviço do golpe - 1962/1964" , "Imaculada" e "Claudio Guerra: Matar e Queimar".

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Em Minas, lentidão de Pacheco abre caminho para avanço de Cleitinho

O que não fica claro, agora, é porque ele, que já tem legenda, convites públicos do presidente Lula e boa acolhida no meio petista, ainda vacila

Rodrigo Pacheco (Foto: Geraldo Magela/Agência Senado)

Como diria o bordão do personagem do ator José Wilker, em novela de sucesso, “o tempo ruge e a Sapucaí é grande”. Não para o ex-presidente do Senado, Rodrigo Pacheco, que apesar de já ter feito aparição pública ao lado de Lula, sinalizando que não recusa a candidatura ao governo do estado de Minas Gerais, onde – reza a lenda -, a eleição presidencial se define -, tampouco vem a público dizer que é candidato.

Pacheco foi rápido na filiação ao PSB, antes que a janela de troca de partido se fechasse (o prazo termina amanhã 04/04), mas vacila e amarra o jogo, quando não declara publicamente que, sim, é o candidato do presidente Lula no estado. 

O senador participou, no dia primeiro, da cerimônia de filiação ao novo partido, com a presença do vice-presidente, Geraldo Alckmin, mas com um discurso evasivo, em que deu ênfase à defesa da democracia. Na ocasião, afirmou que a filiação "não é um ato de definição eleitoral neste instante" e que a eventual disputa pelo governo será construída a partir de articulação com lideranças e partidos do estado nos próximos dias, mirando um projeto alternativo para Minas Gerais. 

Há quem veja no tricô com o ex-governador Aécio Neves, um dos nós desse anúncio. A simples menção do nome de Aécio entre os petistas mineiros provoca calombos e coceiras. O boato de que essa aproximação aconteceu já foi o suficiente para enfurecer a militância e quadros tradicionais do partido no estado. Não é para menos. Aécio entortou a história do país, impondo a todos um grande retrocesso político ao não aceitar democraticamente a sua derrota para a presidente Dilma Rousseff, em 2014. É o pai do golpe de 2016.

Outro motivo da lerdeza de Pacheco, tem a ver com o enrosco acontecido em Minas, quando o vice do atual governador, Romeu Zema, deixou o Novo para se filiar no PSD, onde estava Pacheco. A chegada de Simões, um bolsonarista de carteirinha, e candidato à reeleição – ele substituiu Zema com a desfiliação recente, do cargo de governador -, o senador ficou desconfortável e saiu em busca de outra legenda que tivesse a ver com o campo progressista, e que o recebesse no momento. Chegou a aventar o MDB, mas a opção foi o PSB de João Campos.

Até aí, todos no entorno político entenderam. O que não fica claro, agora, é porque ele, que já tem legenda, convites públicos do presidente Lula e boa acolhida no meio petista, ainda vacila, impedindo que o processo de início de campanha se faça. Enquanto isso, o seu colega de Senado, Cleitinho (Republicanos), vai avançando nas pesquisas. No momento, lidera.

Segundo levantamento da AtlasIntel divulgado nesta quarta-feira (01/04), no cenário espontâneo de primeiro turno, ele aparece com 32,7% das intenções de voto, à frente de Rodrigo Pacheco, que registra 28,6%. Nada mal, para quem ainda nem colocou o seu nome claramente como candidato.

O quadro inclui ainda Alexandre Kalil (11,7%), Carlos Viana (7,5%) e Mateus Simões (6,2%), o grande vexame da previsão. Afinal, Simões tem a máquina na mão e o respaldo de Zema, eleito e reeleito no primeiro turno para o cargo que almeja. Os demais candidatos aparecem com menos de 5%, enquanto brancos, nulos e indecisos somam cerca de 5,6%.

A grande novidade dessa corrida eleitoral é a candidata ao senado, Marília Campos, que deixou a prefeitura de Contagem, em ato concorrido, para se lançar na peleja. Seu nome aparece como o mais lembrado na disputa para a vaga ao Senado, por Minas, o que pode ajudar bastante Rodrigo Pacheco, na busca por votos. Ele que se filiou a um partido sem nenhum representante na Câmara Federal, por Minas, vai precisar mesmo tanto da sua apresentação, pelo presidente Lula, aos eleitores mineiros, como do carisma de Marília Campos, querida no estado inteiro.

* Este é um artigo de opinião, de responsabilidade do autor, e não reflete a opinião do Brasil 247.

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