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Direita amplia racha em Minas Gerais após filiações

Novas filiações intensificam divisão na direita em Minas e abrem espaço para disputa mais fragmentada pelo governo estadual

Nikolas Ferreira e Cleitinho (Foto: Kayo Magalhães/Câmara dos Deputados | Waldemir Barreto/Agência Senado)

247 - A seis meses das eleições estaduais, o cenário político em Minas Gerais aponta para uma disputa marcada pela fragmentação da direita, impulsionada por novas filiações partidárias que ampliam as incertezas sobre alianças e candidaturas ao governo. Esse movimento ocorre em meio ao prazo final da janela partidária e pode influenciar diretamente o equilíbrio da corrida eleitoral no estado.As informações foram divulgadas pela Folha de S.Paulo, que detalha como as recentes mudanças partidárias reduziram ainda mais as chances de unificação entre os principais nomes do campo conservador em Minas.

Atualmente, ao menos três pré-candidatos despontam como possíveis concorrentes ao Palácio Tiradentes. O vice-governador Mateus Simões (PSD), que assumiu o comando do estado após a renúncia de Romeu Zema (Novo), aparece como o nome mais estruturado para a disputa. Já o senador Cleitinho Azevedo (Republicanos), que lidera pesquisas de intenção de voto, ainda não definiu se entrará na corrida e tem até agosto, durante as convenções partidárias, para tomar uma decisão.

Outro nome que ganhou destaque recentemente é o do empresário Flávio Roscoe, ex-presidente da Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg). Ele oficializou sua filiação ao PL nesta semana e deixou o comando da entidade empresarial logo em seguida. Apesar disso, evitou confirmar uma candidatura. “O diálogo não foi esse. Eu me filiei e coloquei o nome à disposição. Eles entendem que eu seria um ótimo nome para liderar a chapa de governo ou fazer uma composição”, afirmou.

Internamente, a possível candidatura de Roscoe é vista como uma estratégia do PL para assegurar palanque no estado, especialmente caso o partido não consiga firmar alianças com outras legendas. O movimento ocorre em meio à indefinição de Cleitinho e ao posicionamento de Simões, que já declarou apoio a Romeu Zema em eventual disputa presidencial.

A reação de Simões às movimentações do PL veio com a articulação da filiação do senador Carlos Viana ao PSD. Viana, que deixou o Podemos, deve disputar a reeleição ao Senado na chapa do vice-governador, ocupando uma vaga que vinha sendo negociada com o PL. A decisão, no entanto, gerou tensões internas.

Marcelo Aro (PP), ex-secretário dos governos Zema e Simões e também pré-candidato ao Senado, criticou a articulação. Ele defende uma composição com o deputado federal Domingos Sávio, nome de destaque do PL em Minas. Apesar do desconforto, Carlos Viana tentou minimizar o impasse e reforçou a intenção de manter a unidade. “Não estamos em momento de buscarmos divisões dentro de um grupo que vai ganhar essa eleição”, declarou.

O presidente do PSD, Gilberto Kassab, também sinalizou o distanciamento da legenda em relação ao PL e ao bolsonarismo. “O nosso caminho é eleger Mateus Simões. Não é caminhar nem com bolsonarismo nem com petismo. Queremos uma alternativa para Minas e para o Brasil”, disse.

Enquanto a direita enfrenta dificuldades para consolidar uma candidatura única, o campo da esquerda observa o cenário com atenção. O senador Rodrigo Pacheco se filiou ao PSB nesta semana, movimento que pode indicar uma possível candidatura ao governo estadual. Apesar disso, ele ainda não confirmou participação na disputa e, segundo aliados, pretende avaliar o apoio de outras forças políticas antes de tomar uma decisão.

Atualmente, o PSB tem presença limitada em Minas Gerais, com 22 prefeitos, dois deputados estaduais e nenhum deputado federal, o que reforça a necessidade de alianças para viabilizar uma candidatura competitiva.

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