Equador e Bolívia indicam que eleições no Brasil serão fraudadas

Cassação de partidos e perseguição a candidatos, no Equador. Manobras para não haver vitória da esquerda nas eleições bolivianas. Os dados apontam para novas fraudes nas eleições brasileiras

Presidentes golpeados da Bolívia, Brasil e Equador
Presidentes golpeados da Bolívia, Brasil e Equador (Foto: Reuters)
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Nessa semana, a Justiça equatoriana cassou partidos de esquerda e deu mais um passo na condenação infundamentada de Rafael Correa, ex-presidente nacionalista do país. Também, na Bolívia, a Justiça adiou novamente as eleições que deveriam ocorrer esse ano com medo que o MAS, do ex-presidente deposto por um golpe militar e fascista, Evo Morales, voltasse ao poder. 

A fraude eleitoral se anuncia. Fica clara a ofensiva da direita golpista na América Latina para se manter no poder. No Equador, o golpe ocorreu internamente dentro do partido do ex-presidente Alianza País. Rafael Correa, que havia ganho duas eleições seguidas, foi traído pelo seu sucessor, Lenín Moreno.

Golpe no Equador

Como qualquer partido do nacionalismo de esquerda, o partido é dividido em diversas alas, uma esquerda representada pelos setores mais alinhados aos sindicatos, movimentos sociais e base militante do partido; a ala direita, mais próxima ou totalmente aliada do imperialismo e de setores das classes dominantes; e setores que representam um meio termo.

Em 2017, a ala direita, da qual faz parte Moreno, ganhou espaço no partido, com uma correlação de forças favorável aos reacionários no continente, e deixou para trás a ala nacionalista representada por Correa e Jorge Glas, seu vice. Chegando ao poder, a direita do Alianza iniciou uma política alinhada com os interesses do imperialismo e se associaram com os governo de direita latino-americanos, sendo o brasileiro, de Michel Temer e, em seguida, de Jair Bolsonaro, e o argentino, de Maurício Macri, os principais.

Moreno entregou o ativista cibernético, Julian Assange, que revelou os crimes de guerra dos Estados Unidos no Oriente Médio, para o governo inglês, que o mantém até hoje enclausurado nas piores condições humanas. Da mesma forma, iniciou uma ferrenha política neoliberal, destruindo os serviços públicos, e uma ação de perseguição política contra os movimentos sociais, sindicatos e lideranças de esquerda, inclusive do próprio partido.

O vice de Correa, Jorge Glas, foi atingido pela Lava Jato - aliada do FBI - e o ex-presidente é acusado de corrupção em operações farsescas, como no caso de Lula, tendo que se exilar na Bélgica para não ser preso. Agora, a Justiça cassa partidos de esquerda e aumentam a perseguição a Correa para manter a linha política de Moreno.

Golpe na Bolívia

Já na Bolívia, o golpe não foi tão sutil. A Organização dos Estados Americanos (OEA), instrumento de manutenção dos EUA no continente, alegou fraude nas eleições que levariam Evo a assumir novo mandato presidencial. A “denúncia” da OEA, que mostrou-se comprovadamente sem fundamento, deu “legitimidade” para um golpe fascista com o apoio dos militares, que deram um ultimato ao presidente, que foi se exilar no México.

No país, o golpe assumiu abertamente um caráter fascista. Os fatores que precederam a deposição de Evo incluem linchamento de políticos e lideranças de esquerda nas ruas, invasão e queima de seus patrimônios - como casa, pertences etc. e milícias armadas apoiadas pela polícia. Agora, a Justiça adia as eleições com medo que o MAS ganhe as eleições em pleno desequilíbrio do governo usurpador.

Crise do golpismo

O ano de 2019, porém, mostrou claramente a crise dos regimes golpistas na América Latina. Durante meses, um intenso contratempo ocorreu em países dominados pelo golpe. No Chile e no Equador, a política de Sebastián Piñera e de Moreno se desgastou e o povo reagiu aos ataques. No mesmo momento, ocorre o golpe na Bolívia e a população sai às ruas, armada e organizada em comitês de bairro, para combater as milícias fascistas e derrotar o processo golpista. Jeanine Áñez, que assumiu e montou um governo com ministros de extrema-direita, já assumiu em meio a uma intensa crise, sem nenhuma legitimidade.

Da mesma forma, no início do ano de 2019, nos primeiros meses do governo de Jair Bolsonaro, milhões foram às ruas por “Fora Bolsonaro”, em um processo que iniciou-se no carnaval e foi até o fim do primeiro semestre. Assim com Áñez, porém em grau menor, Bolsonaro também assumiu em meio a uma crise, sem forte legitimidade, uma vez que seu governo é produto de uma fraude explícita, que tirou seu principal concorrente, Lula, das eleições.

Em todos os países, a derrota, que veio seguida de uma contenção da polarização e da luta política, ocorreu pela política colaboracionista das lideranças, que buscaram acordos com os governos. No Chile e no Equador, aceitaram as propostas dos respectivos governos e não levaram a luta por “Fora Piñera” e “Fora Moreno”. No Brasil, a esquerda inventou que o povo foi às ruas apenas para “defender a Educação” e não para exigir “Fora Bolsonaro” e lutar contra todos os ataques do governo. Na Bolívia, o MAS buscou saídas institucionais e não incentivou a luta armada dos trabalhadores. O ponto central se resume a isso: as lideranças buscaram acordos com os setores que quebraram os acordos, e canalizaram a saída do problema para as instituições que participaram do problema.

Eleições e fraude

Desta forma, em todos esses países, a esquerda busca nutrir a ilusão de que a crise será resolvida por dentro das instituições que participaram ativamente do golpe, como se a situação política de estabilidade e conciliação não tivesse sido quebrada. Como se houvesse “normalidade democrática”. Como se o problema essencial em todos eles não fosse a manutenção - ou não - do processo golpista. É com base nessa enganação que grupos políticos atualmente buscam formar frentes e alianças “democráticas” com setores fundamentais do golpe.

Os outros países deveriam ter aprendido com o Brasil, que institucionalmente só sofreu derrotas atrás de derrotas após o impeachment da Dilma. Devo lembrar que, se as eleições de 2016 já foram desfavoráveis para a esquerda, que perdeu, por exemplo, São Paulo, a capital mais importante do País, as eleições de 2018 foram um verdadeiro desastre. A extrema-direita tomou conta das instituições. O pleito, que sempre é manipulado, ultrapassou os limites e apareceu para qualquer ser pensante como uma fraude descarada. Houve o impedimento do principal candidato, arbitrariedades dos tribunais eleitorais (como a impossibilidade de milhões de brasileiros de votarem por causa da biometria), milícias fascistas nas ruas, impugnação de candidaturas de esquerda e assim por diante.

Agora, com as manobras dos tribunais e da direita no Equador e na Bolívia para manter os golpistas; com cassação de partidos de esquerda e a perseguição à principal liderança da população, no primeiro, e diversos adiamentos das eleições, no segundo, o Brasil precisa tomar isso como lição e entender que tanto as eleições de 2020, quanto as de 2022 (se não houver mudança na correlação de forças até lá) serão completamente fraudadas. O Brasil não vive fora do mundo e em outra conjuntura... O golpe é uma ofensiva geral do imperialismo no continente latino-americano.

Por isso, o processo eleitoral não deve ser visto com esperança por aqueles que querem derrotar o golpe. Assim, sem semear ilusões irreais, a esquerda deve utilizar a eleição como uma tribuna para denunciar os golpistas e não buscar acordos eleitorais que jogarão a luta do povo e seus interesses na lama. As eleições devem ser utilizadas para aumentar a polarização e a radicalização da luta, porém o verdadeiro resultado se dará nas ruas, expulsando os fascistas e derrubando os governos fraudulentos. Estancar o combate para favorecer as eleições apenas trará novas derrotas para os trabalhadores.

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