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Mauricio Carvalho

Mauricio Carvalho é publicitário e estrategista de marketing político.

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Esqueçam tudo: quem vai contar a história do caso Master?

Ao atingir setores da direita e da extrema-direita, o caso expõe a seletividade que sempre marcou a narrativa anticorrupção no Brasil

Esqueçam tudo: quem vai contar a história do caso Master? (Foto: Divulgação )

O caso Master pode se tornar a nova Lava Jato. Desta vez, contudo, sem uma construção baseada em recortes seletivos, apresentações de PowerPoint ou narrativas previamente orientadas. Trata-se de um episódio que emerge com base concreta nos fatos e atinge setores que, por anos, se apresentam como guardiões da moralidade pública.

O escândalo tem potencial para se tornar um marco na política brasileira recente. Não apenas pelo que revela, mas pelo que pode significar na disputa de narrativa que, no Brasil, quase sempre antecede — e muitas vezes substitui — o julgamento dos fatos.

Ao atingir setores da direita e da extrema-direita, o caso expõe a seletividade que sempre marcou a narrativa anticorrupção no Brasil. Mas essa possibilidade não se realiza automaticamente e, por si só, não quer dizer muito.

A história recente mostra que, em política, não vence quem tem razão, mas quem organiza melhor o significado dos acontecimentos. A Lava Jato é o exemplo mais evidente: sua força esteve na construção de uma narrativa simples, repetida e amplificada, associando corrupção a determinados atores. Houve método, foco e ausência de ruído, numa coordenação quase militarizada.

Sem isso, a força da mensagem pretendida se perde.

Sem uma leitura clara e reiterada, o caso Master corre o risco de ser diluído, relativizado ou reapropriado por quem historicamente demonstrou maior capacidade de organizar narrativa. E, nesse processo, reforça-se a ideia de que “todos são iguais” — conclusão que, na prática, penaliza sempre os mesmos.

Mais do que os fatos, o que está em disputa é o seu significado público. Talvez seja uma raríssima janela de oportunidade para reequilibrar esse quadro. Mas isso exige coerência, continuidade, capacidade de comunicação e coordenação mais verticalizada. Não se trata de criar versões, e sim de impedir que os fatos se percam no ruído.

O desafio é político e, sobretudo, comunicacional.

A ausência de coordenação, a fragmentação de discursos e a dificuldade de traduzir acontecimentos complexos em mensagens claras têm custos altos. Muitas vezes, irreversíveis.

O caso Master pode ser apenas mais um episódio. Ou pode se tornar um ponto de inflexão.

A diferença não está apenas nos fatos.

Está em quem vai conseguir organizá-los — e dar a eles significado.

* Este é um artigo de opinião, de responsabilidade do autor, e não reflete a opinião do Brasil 247.

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