Esse é o cara!

"Ao apontar para o Lula como 'o cara', Obama, ainda que involuntariamente assinalou o alvo para as agências de inteligência, para o DOJ (Department of Justice -DOJ), etc e deu início ao Lawfare", avalia o ex-chanceler Celso Amorim à jornalista Denise Assis

(Foto: Reprodução)
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Por Denise Assis, para o Jornalistas pela Democracia 

O ex-chanceler, Celso Amorim, demonstrou contrariedade e reagiu às declarações do ex-presidente americano, Barack Obama, que a propósito de lançar o seu livro de memórias no Brasil, (“Uma terra prometida”), deu uma entrevista aos jornalistas Pedro Bial (da TV Globo) e Flávia Barbosa (jornal O Globo), em que teceu comentários pouco airosos a respeito do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Obama, que durante uma reunião do G-20, em 2009, cumprimentou Lula com simpatia e apontando para ele disse: “esse é o cara. Amo esse cara”, em seu livro mudou o tom e o descreveu como alguém com “os escrúpulos de um chefão mafioso”.

O ex-chanceler não quis que sua fala soasse como uma resposta. Preferiu usar uma linguagem de cunho diplomático para se referir às declarações do ex-presidente estadunidense. Testemunho da cena na reunião do G-20 e do clima de camaradagem da época, comentou: “não sei se foi intencional. Não quero dizer algo levianamente. Mas ao apontar para o Lula como “o cara”, Obama, ainda que involuntariamente assinalou o alvo para as agências de inteligência, para o DOJ (Department of Justice -DOJ), etc e deu início ao Lawfare.

Amorim ainda complementou que, “independentemente de simpatia, todos esses líderes se curvam diante do interesse maior da potência americana: não pode haver outra potência no continente americano”.

A descrição feita por Celso Amorim, faz lembrar a expressão “ecce homo”, que significa: “eis o homem”. Ela foi proferida por Pôncio Pilatos e está reproduzida no evangelho João (19.5), numa referência à cena em que apresenta ao público Jesus flagelado, ensanguentado, já com a coroa de espinhos e que dali seguiria para a crucificação.

Ao “retificar” suas impressões sobre Lula, no livro, Obama escreveu, segundo o jornal O Globo: “Bem, como os relatos de corrupção que surgiram, na época eu não sabia de todos eles. Acho que o dom que o Lula tinha de se conectar com o povo brasileiro e o progresso econômico que aconteceu quando ele tirou as pessoas da pobreza são coisas que não podem ser negadas. Uma das coisas que tento fazer no livro é descrever as complexidades dessas figuras. Falo de Putin, Merkel. O que você acaba percebendo é que a maioria dos líderes é um reflexo das contradições e das tensões dos seus países”. (A tradução é do jornal). Estaria bem, o ex-presidente americano, se examinasse as próprias contradições.

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