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Adão Pretto Filho

Deputado estadual pelo PT-RS

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Flávio Bolsonaro e o risco de o crime organizado chegar ao poder

"No caso de Flávio, o agravante é a sucessão de episódios nebulosos que acompanham sua trajetória pública"

Flávio Bolsonaro (Foto: Geraldo Magela/Agência Senado)
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Em 2024, fui convidado para participar do G20, no Rio de Janeiro. Na ocasião, apresentei a experiência do Rio Grande do Sul na aprovação da lei da agricultura limpa por meio dos bioinsumos. Entre um deslocamento e outro, puxei conversa com um motorista de aplicativo sobre a realidade do povo trabalhador da capital fluminense. O sujeito foi enfático ao dizer que não era "nem de esquerda, nem de direita": "sou do que é certo", afirmou, orgulhoso.

Quando perguntei sobre os principais problemas da cidade, ele respondeu sem hesitar: "não aguentamos mais conviver com a milícia. Eles controlam luz, gás, internet nas favelas. Ameaçam trabalhadores, espancam gente na frente de casa para intimidar. E o grande operador disso tudo é o senador Flávio Bolsonaro. Todo mundo sabe".

Desde então, sempre conto essa história como exemplo do tamanho do perigo que o Brasil corre se um personagem como Flávio Bolsonaro alcançar ainda mais poder político. O avanço da extrema direita é um fenômeno global, e cabe à sociedade defender a democracia para que o país jamais volte a viver sob ameaças autoritárias.

No caso de Flávio, o agravante é a sucessão de episódios nebulosos que acompanham sua trajetória pública: os escândalos das rachadinhas, as homenagens a milicianos, o patrimônio acumulado de forma incompatível com a realidade da maioria da população e os inúmeros episódios cercados de suspeitas. Elevar alguém com esse histórico à Presidência da República significaria abrir as portas do Estado brasileiro para setores ligados ao crime organizado.

As mensagens reveladas pelo Intercept Brasil sobre a relação entre Flávio Bolsonaro e Daniel Vorcaro colocam o senador no centro do escândalo envolvendo o Banco Master. Com o avanço das denúncias, o nome de Vorcaro também passou a aparecer associado a investigações e relações obscuras. O repasse milionário para a produção de um filme sobre Jair Bolsonaro parece ser apenas a ponta de um esquema muito maior, que precisa ser investigado com profundidade e transparência.

A força da mobilização do campo progressista nas redes

Assim que as denúncias começaram a ganhar repercussão, as redes sociais foram tomadas pela mobilização do campo progressista. Comentários, compartilhamentos, debates e denúncias ajudaram a romper a blindagem construída pela extrema direita digital. Já havia sido assim em setembro de 2025, quando a mobilização popular foi decisiva para barrar a chamada PEC da Blindagem, proposta vista por muitos setores da sociedade como uma tentativa de proteger criminosos do colarinho branco.

É fundamental que essa mobilização continue intensa. A opinião pública precisa compreender o tamanho do risco representado por figuras políticas que naturalizam relações com esquemas obscuros e grupos criminosos. Aqui no Rio Grande do Sul, já há sinais de preocupação no campo bolsonarista. Ouve-se nos bastidores que o deputado Luciano Zucco avalia mudar sua estratégia política após a repercussão das denúncias envolvendo Flávio Bolsonaro.

Zucco é aliado direto desse projeto político. Compartilham o mesmo campo ideológico, as mesmas práticas e o mesmo discurso extremista.

Como diz a canção, "é preciso estar atento e forte". O Brasil precisa permanecer vigilante para impedir que a extrema direita avance novamente sobre as instituições democráticas. Nunca o relato daquele motorista carioca fez tanto sentido quanto agora. Nunca foi tão urgente fazer uma verdadeira faxina nos extremistas que tentam destruir conquistas históricas do povo brasileiro.

O futuro do país será decidido pela coragem da sociedade em defender a democracia, a verdade e a justiça.

* Este é um artigo de opinião, de responsabilidade do autor, e não reflete a opinião do Brasil 247.

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