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Esmael Morais

Jornalista e blogueiro paranaense, Esmael Morais é responsável pelo Blog do Esmael, um dos sites políticos mais acessados do seu estado

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Flávio Bolsonaro perde apoio do Centrão contra Lula

Chamado de “zero um de Vorcaro” pelo PT, o filho de Jair Bolsonaro vê escorregar entre os dedos apoios da União Progressista e do Republicanos

Daniel Vorcaro e Flávio Bolsonaro (Foto: Reprodução)
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O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) entrou nesta terça-feira (16) sem apoio nacional fechado da Federação União Progressista, com o Republicanos preso aos estados e com o Novo sob ataque do próprio clã Bolsonaro. A consequência é direta: o filho zero um de Jair Bolsonaro perde pontes no Centrão e leva a crise do Banco Master para o palanque de Sergio Moro (PL-PR), Deltan Dallagnol (Novo) e Filipe Barros (PL-PR) no Paraná.

A Federação União Progressista reúne União Brasil e Progressistas (PP). O bloco foi aprovado pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) em 26 de março e passou a operar como força nacional para a eleição de outubro. Para qualquer presidenciável, isso significa tempo de televisão, fundo eleitoral, bancada no Congresso Nacional, prefeitos, governadores e palanques regionais.

Flávio precisa dessa máquina para sair da redoma bolsonarista. Ele ainda tem o PL, Jair Bolsonaro, militância digital e voto fiel da extrema direita. O que falta é entrar no eleitorado conservador que rejeita o PT, mas não quer viver sob nova temporada de crise institucional, escândalo financeiro e briga permanente com o mundo.

Esse eleitor é o “miolo” da eleição. Pesquisadores estimam algo em torno de 13% do eleitorado brasileiro. Não é lulista orgânico nem bolsonarista raiz. Pode simpatizar com a Lava Jato, defender pauta conservadora e desconfiar da esquerda. Mas quer Pix funcionando, boleto pago, comida mais barata, emprego, crédito, segurança e governo que não transforme cada semana em incêndio político.

A pesquisa Genial/Quaest divulgada em 10 de junho mostrou Lula (PT) com 44% contra 38% de Flávio Bolsonaro em eventual segundo turno. A pesquisa foi publicada depois da revelação de conversas que ligaram o senador a Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master, preso em investigação sobre fraude no sistema financeiro.

Flávio nega irregularidade e afirma que tratou de patrocínio privado para “Dark Horse”, filme sobre Jair Bolsonaro. A explicação pode funcionar para a base fiel. Para o eleitor moderado, a imagem é outra: um candidato que fala em moralidade apareceu orbitando um banqueiro preso.

O problema cresceu quando a Polícia Federal alcançou Ciro Nogueira (PP-PI), presidente do Progressistas e peça central da Federação União Progressista. A PF apontou suspeita de pagamentos mensais de Daniel Vorcaro ao senador piauiense. Ciro nega irregularidade.

Ciro também foi associado a uma proposta legislativa apelidada de “emenda Master”, que mexeria em regras do Fundo Garantidor de Crédito (FGC). O FGC é o mecanismo que cobre parte do dinheiro de clientes se um banco quebrar. Ciro sustenta que sua proposta protege correntistas e enfrenta interesses dos grandes bancos.

Foi nesse ponto que Flávio tentou salvar a própria pele política.

Ao reagir à operação contra Ciro, Flávio divulgou nota sem citar o presidente do PP, mas classificou as notícias como graves e defendeu rigor na apuração. O recado era calculado: o senador do PL queria mostrar distância do aliado atingido pelo Master para impedir que a lama do banco grudasse ainda mais em sua pré-campanha.

No Centrão, esse gesto tem custo.

Ciro não é figurante. Ele controla partido, conversa com bancadas, negocia palanque, tempo, fundo eleitoral e sobrevivência parlamentar. Quando Flávio trata o mandachuva do PP como peso descartável, abre desconfiança justamente no bloco que poderia ajudá-lo a atravessar a fronteira entre bolsonarismo raiz e direita pragmática.

A Federação União Progressista não nasceu para carregar Flávio Bolsonaro no colo. Nasceu para ampliar poder, eleger bancadas e negociar estados. Se o candidato do PL vira risco, União Brasil e PP tendem a proteger seus próprios projetos antes de entregar apoio nacional fechado ao clã Bolsonaro.

O Republicanos joga o mesmo jogo. O partido de Marcos Pereira olha para os estados e cobra contrapartidas. No Paraná, a conta passa por Alexandre Curi, presidente da Assembleia Legislativa do Paraná (Alep), e pela disputa sobre qual palanque terá força para eleger senador, deputados e aliados regionais.

O Novo entrou no moedor pelo caminho de Romeu Zema.

O ex-deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP), dos Estados Unidos, defendeu rompimento nacional entre PL e Novo depois que o ex-governador de Minas Gerais criticou a proximidade de Flávio com Daniel Vorcaro. Zema disse que “quem anda com bandido merece ser visto com cautela”. A frase atingiu o coração do arranjo bolso-lavajatista no Paraná.

Moro está no PL. Deltan está no Novo. Os dois tentam dividir o mesmo campo político contra Lula e contra a esquerda paranaense. Se Eduardo Bolsonaro força o PL a romper com o Novo, a costura Moro-Deltan perde chão antes da campanha oficial.

A contradição ficou exposta. O PL quer usar o Novo nos estados, mas não aceita crítica de Zema a Flávio. O Novo quer vender imagem liberal e moralista, mas abriga Deltan num palanque colado ao clã Bolsonaro. A Lava Jato quer falar em ética, mas aparece ao lado de uma candidatura enredada em Vorcaro, Master, Ciro e dinheiro privado para filme político.

No Paraná, Moro, Deltan e Filipe Barros escolheram embarcar nesse palanque em 29 de maio, no Centro de Eventos Tarumã, em Curitiba. O ato testou a frente bolso-lavajatista diante da militância. O Blog do Esmael contou 69 xingamentos na transmissão online e nenhuma proposta concreta para o país.

Esse dado explica o teto da direita radical. O eleitor moderado pode até rejeitar Lula. Isso não significa que queira comprar o pacote completo de Flávio Bolsonaro: Banco Master, Ciro queimado, Zema atacado, Eduardo Bolsonaro cobrando ruptura, Donald Trump pressionando o Brasil, Pix na mira e palanque regional movido a insulto.

A proposta de tarifa de 25% dos Estados Unidos contra produtos brasileiros ampliou o desgaste. O Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR) citou temas como comércio digital e serviços de pagamento eletrônico. Para pequeno comerciante, entregador, autônomo, aposentado, produtor rural e exportador, esse debate não é ideologia. É custo real.

No Paraná, a discussão chega ao Porto de Paranaguá, ao agro, às cooperativas, aos frigoríficos, ao frete, ao diesel e ao preço dos alimentos. Quando aliados de Flávio tratam Trump como parceiro político, precisam explicar ao produtor e ao trabalhador por que pressão estrangeira contra o Brasil seria vantagem nacional.

Lula tenta ocupar esse espaço com a defesa do Pix, da soberania econômica e do emprego. A hipótese de vitória no primeiro turno segue como hipótese, porque eleição se decide na urna, em 4 de outubro de 2026. Mas o comportamento do Centrão mostra cálculo de risco antes das convenções.

Flávio Bolsonaro tentou se afastar de Ciro para reduzir o estrago do Master. Abriu crise com o PP, esfriou a Federação União Progressista, irritou uma peça decisiva do Centrão e expôs a fragilidade do próprio palanque.

No Paraná, Moro, Deltan e Filipe entraram no barco do Tarumã. Agora terão de explicar ao eleitor moderado por que um palanque sem proposta, cheio de xingamentos e contaminado por Vorcaro, Ciro, Zema, Eduardo Bolsonaro, Trump e ataque ao Pix seria alternativa de estabilidade para o estado e para o Brasil.

* Este é um artigo de opinião, de responsabilidade do autor, e não reflete a opinião do Brasil 247.

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