Em queda nas pesquisas, Flávio Bolsonaro sai em defesa do Bolsa Família
Senador afirma que há preconceito contra beneficiários; parlamentar também defendeu a isenção do IR para quem ganha até R$ 5 mil
247 - O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) defendeu nesta segunda-feira (15) a manutenção e o fortalecimento do Bolsa Família, principal programa de transferência de renda do país, e afirmou que existe preconceito contra os beneficiários da iniciativa.
Ao abordar o programa social, frequentemente associado aos governos do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), o parlamentar afirmou que muitos beneficiários têm receio de ingressar no mercado formal de trabalho por medo de perder o auxílio e voltar a enfrentar dificuldades financeiras. Segundo Flávio, o Bolsa Família representa uma garantia de estabilidade para famílias que já passaram por situações de extrema vulnerabilidade.
"A gente tem que entender que tem uma memória afetiva, até. O Bolsa Família é estabilidade para quem já passou fome. A pessoa pensa o seguinte: ‘olha, se eu arrumar um trabalho de carteira assinada e eu perder o Bolsa Família, e se eu perder o meu trabalho, como é que eu vou ficar? Vou voltar para aquela época que eu passava fome de verdade’", afirmou o pré-candidato durante um debate promovido pela revista Veja, em São Paulo, de acordo com a Folha de São Paulo.
Bolsa Família e mercado de trabalho
O senador defendeu mecanismos que garantam mais segurança aos beneficiários que conquistam emprego formal, evitando que a transição para o mercado de trabalho represente um risco para a renda familiar.
"Então a gente tem que entender essa lógica que passa na cabeça das pessoas que precisam disso, reafirmar mais uma vez para elas que isso vai ser mantido e nós vamos potencializar essa garantia para estimular que as pessoas possam ter um emprego formal", declarou. Flávio classificou o Bolsa Família como um "direito adquirido" e argumentou que programas de assistência alimentar voltados à população de baixa renda existem em diversos países.
Apoio à isenção do Imposto de Renda
Durante o debate, o senador também manifestou apoio à proposta de ampliação da faixa de isenção do Imposto de Renda para trabalhadores que recebem até R$ 5 mil por mês.
Embora concorde com a medida, ele criticou a estratégia adotada pelo governo Lula para compensar a perda de arrecadação. "A única diferença é que, com Bolsonaro, certamente você teria uma compensação de abrir mão dessa receita quando você elevar o patamar da isenção do imposto", disse.
Daniella Marques reforça equipe
Flávio confirmou ainda que Daniella Marques, ex-presidente da Caixa Econômica Federal durante o governo Jair Bolsonaro, participará de sua equipe de campanha, com atuação voltada especialmente para temas ligados à mobilidade social.
Sem detalhar qual será exatamente sua função, o senador destacou a confiança que deposita na ex-executiva e seu papel na equipe econômica liderada por Paulo Guedes.
"[Daniella] é uma pessoa que está se dispondo a estar próxima de nós. Não porque é mulher. É porque ela, para mim, é a melhor pessoa que tinha no time do Paulo Guedes. Então, tenho certeza de que muita coisa que o Paulo Guedes conseguiu implementar a Dani ajudou a construir e a viabilizar", afirmou.
"É uma pessoa que eu respeito demais, em quem eu confio demais, está se dispondo a estar perto de nós na campanha e vai me ajudar não só nessa parte econômica, mas principalmente na pauta de mobilidade social", completou.
Críticas à relação com a imprensa
Ao falar sobre aprendizados da gestão de Jair Bolsonaro, Flávio afirmou que a relação conflituosa com parte da imprensa foi um dos erros cometidos pelo governo anterior.
"[O relacionamento com a imprensa] foi um dos problemas que eu identifico no governo do presidente Bolsonaro. O relacionamento com a imprensa, o preconceito muitas vezes de quem estava gerindo o orçamento para publicidade com relação a alguns veículos de comunicação", declarou.
Segundo ele, essa postura não deve ser repetida em um eventual governo sob sua liderança. "Isso, obviamente, tem que ser mudado radicalmente. É um aprendizado de uma coisa que eu acho que foi feita errada e que a gente não precisa repetir. Pode fazer muito melhor e assim será num possível governo meu."
Caso Banco Master e cenário eleitoral
Questionado sobre sua relação com o banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, Flávio afirmou que o contato entre ambos esteve relacionado exclusivamente ao financiamento de um filme sobre Jair Bolsonaro.
"A minha relação com ele foi única e exclusivamente por causa do filme. Eu vejo as coisas pelo lado bom, porque não tem outra coisa para falar de mim a não ser isso, que é algo que não tem absolutamente nada de errado. É uma relação privada, um investimento. E a pessoa [Vorcaro] teria um retorno. E, se Deus quiser, muito em breve todos verão o filme aí. Ficou bem legal", disse.
O senador também minimizou especulações sobre o distanciamento de lideranças da direita, como o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), o deputado Nikolas Ferreira (PL-MG) e a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro.
"Todos virão no momento que eles entenderem melhor. A realidade é que nós já estamos falando de campanha, estamos falando de eleição, mas a massa do povo brasileiro não está atenta para isso ainda", concluiu.



