Golpe mascarado

A encenação do Judiciário divulgada pela imprensa incendiou o país e o Parlamento. Oposicionistas aproveitaram o momento para acelerar o processo de impeachment, que já tinha perdido fôlego, tendo como capitão o presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ)

A sequência de episódios novelescos que o Brasil assistiu em rede nacional nesta semana revela a estratégia armada por setores do Judiciário, da mídia e da oposição para promover uma interrupção democrática no país. Na trama, magistrados tiveram papel protagonista para mascarar um golpe institucional, conferindo aparência de legalidade a decisões que tinham como único objetivo acelerar a derrubada do governo Dilma Rousseff.

Motivada por convicções ideológicas contrárias à esquerda, a ofensiva judicial noticiada amplamente pelos veículos de comunicação abriu precedentes gravíssimos no Brasil. Temos enorme respeito pelo Judiciário, poder essencial para o equilíbrio da democracia. É intolerável, entretanto, que juízes desrespeitem direitos individuais em vez de zelar pelo artigo 5º da Constituição, tão caro para o ideário democrático. Se o Estado viola direitos da Presidência da República, o que os cidadãos podem esperar da Justiça?

Com o intuito de gerar uma convulsão social para interferir no processo democrático, o juiz Sérgio Moro liberou ilegalmente conversa grampeada de Dilma e do ex-presidente para manipular a opinião pública. Com medidas ilegais tomadas, Moro pode comprometer até mesmo a Operação Lava Jato.

E o que dizer do comportamento do juiz do Distrito Federal Itagiba Catta Pretta Neto? Em redes sociais, Catta Preta pregou a derrubada de Dilma para o dólar baixar e assim voltar a viajar a Miami. Isso sem falar na sua ostentação de adesivos de Aécio Neves em fotos. Esse mesmo magistrado concedeu liminar para suspender a posse de Lula como ministro da Casa Civil, mesmo não tendo competência para isso. Estas atitudes ferem a imparcialidade exigida pela Lei Orgânica da Magistratura. É golpe!

A encenação do Judiciário divulgada pela imprensa incendiou o país e o Parlamento. Oposicionistas aproveitaram o momento para acelerar o processo de impeachment, que já tinha perdido fôlego, tendo como capitão o presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ). Desde a instalação da comissão especial, o peemedebista faz manobras para que o processo avance com atropelo.

Por ironia, Cunha é réu na Operação Lava Jato, a mesma que usam para tentar destituir a presidenta legitimamente eleita por 54 milhões de votos em 2014. Com uma biografia que não resiste a uma pesquisa de google, o presidente da Câmara não tem nenhuma autoridade moral para conduzir o impedimento da primeira mulher presidente.

A Bancada do PCdoB no Congresso defende que políticos corruptos sejam investigados, punidos e presos. Queremos o combate ferrenho à corrupção em todas as esferas. Mas queremos também Justiça, que a lei valha para todos, sem perseguições políticas. Temos a certeza de que os parlamentares, movimentos sociais e cidadãos vão intensificar a resistência nas ruas. O Brasil é de todos os brasileiros. Todos juntos vamos superar esta grave crise e preservar a nossa democracia.

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