Governo chavista permanece no poder e Trump “não manda em nada” na Venezuela, diz Pepe Escobar
Analista aponta “manual clássico da CIA” em sequestro de Maduro, denuncia traição na segurança presidencial e destaca lealdade de Delcy Rodríguez
247 – O jornalista e analista geopolítico Pepe Escobar afirmou que, apesar do sequestro do presidente venezuelano Nicolás Maduro, o governo chavista continua no comando do país e o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, “não manda em nada” na Venezuela. Em uma postagem contundente nas redes sociais, Escobar classificou a operação como uma ação típica de propaganda e inteligência, baseada em corrupção e infiltração, mas incapaz de produzir qualquer mudança real no poder em Caracas.
Para resumir sua avaliação, Escobar escreveu que o “Neo-Calígula, Imperador da Barbárie” não governará nada, “começando pela própria boca” — uma crítica direta ao que ele descreve como exibicionismo retórico e beligerante do trumpismo. Para o analista, a operação foi montada para produzir um impacto midiático e simbólico, mas não se traduziu em controle político do país.
Sequestro de Maduro teria seguido “manual clássico da CIA”, segundo Escobar
Pepe Escobar define o episódio como uma operação típica do que chama de “manual clássico da CIA”, sugerindo uma ação clandestina baseada em compra de lealdades dentro de um círculo restrito. Em sua versão, os responsáveis pelo sequestro não obtiveram apoio do Exército venezuelano e não foram capazes de provocar rachaduras na estrutura institucional do chavismo.
Segundo ele, o elemento decisivo foi a corrupção no entorno mais imediato de Maduro: os operadores teriam subornado o chefe do destacamento de segurança do presidente e seu círculo, mas não as Forças Armadas. Na avaliação de Escobar, esse detalhe desmente qualquer narrativa de que o Estado venezuelano tenha desmoronado.
Traição no esquema de proteção e neutralização rápida
Escobar afirma que Maduro foi protegido por venezuelanos, e não por russos, contradizendo especulações sobre uma presença russa responsável pela segurança direta do presidente. Ele relata ainda um episódio envolvendo um comando russo que teria se aproximado da residência presidencial, mas sido repelido por integrantes da própria segurança de Maduro — que ele descreve como corrupta.
De acordo com o relato, os homens envolvidos nessa ação foram rapidamente neutralizados, mas quando os russos finalmente conseguiram entrar na residência, o sequestro já teria ocorrido. Escobar diz que o chefe do destacamento de segurança foi preso e posteriormente executado.
Delcy Rodríguez assume com lealdade e governo permanece firme
O ponto central do comentário de Escobar é político: o chavismo, segundo ele, não caiu e nem foi desalojado do Palácio de Miraflores. Pelo contrário, o governo continua operando normalmente, agora sob a liderança da vice-presidente Delcy Rodríguez, apontada pelo analista como presidente interina.
Escobar destaca a lealdade de Delcy Rodríguez à Revolução Bolivariana e a apresenta como figura “formidável” capaz de manter a coesão do projeto chavista diante de agressões externas. Para ele, a permanência do governo e a continuidade do comando institucional demonstram que a operação foi incapaz de alterar o núcleo do poder em Caracas.
Segundo Escobar, até o momento não houve confirmação de “quinta-coluna” dentro do governo, nem de uma rede interna de agentes infiltrados que tenha sido desmascarada. Essa ausência de fissuras internas, em sua visão, é mais um sinal de que o Estado venezuelano segue funcional e alinhado ao chavismo.
“Foi apenas uma operação de propaganda”
Na avaliação de Pepe Escobar, tudo não passou de uma operação de relações públicas. Ele ironiza a ideia de que milhões de venezuelanos estariam celebrando Trump como “libertador”, descrevendo essa narrativa como grotesca e fantasiosa.
Ao final, Escobar afirma que o episódio expôs de forma “gráfica” e definitiva o que chama de “Império da Pilhagem”, que teria enterrado o direito internacional e o que restava de “ordem internacional”. Para ele, a mensagem enviada ao mundo é clara: é hora de que a chamada Maioria Global se prepare para um ambiente internacional em que a força bruta substitui regras e compromissos multilaterais.
Com isso, Escobar conclui que Trump pode até tentar vender o sequestro de Maduro como um troféu simbólico, mas não controla a Venezuela. O chavismo segue no poder, liderado por Delcy Rodríguez, cuja lealdade ao governo e capacidade de comando, segundo ele, desmontam a tese de que a ofensiva dos Estados Unidos tenha alterado a realidade política venezuelana.
* Este é um artigo de opinião, de responsabilidade do autor, e não reflete a opinião do Brasil 247.




