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Paulo Gala

Paulo Gala é economista e professor da FGV

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Inflação de janeiro em linha com o esperado: combustíveis pressionam, alimentos e energia ajudam

Inflação de 0,33% revela um quadro relativamente benigno para o início de 2026

Pistola de gasolina em posto de combustíveis, em Brasília 07/03/2022 REUTERS/Adriano Machado (Foto: REUTERS/Adriano Machado)

O IPCA fechou o mês de janeiro em 0,33%, exatamente o mesmo número de dezembro — uma coincidência raríssima, diga-se de passagem. Em 12 meses, a inflação acumulada ficou em 4,44%. O mercado esperava algo muito próximo disso, em torno de 0,32%, então podemos dizer que o resultado veio em linha com as expectativas.

O grande destaque de alta ficou com o grupo de transportes, puxado principalmente pelos combustíveis. O grupo subiu 0,60%, sendo o principal impacto do mês. A gasolina avançou 2,6%, refletindo aquela velha discussão: a Petrobras reduz preços na refinaria, mas isso nem sempre chega integralmente à bomba final, especialmente após a privatização da BR Distribuidora. O etanol subiu 3,44% e o óleo diesel, 0,12%. Além disso, houve reajustes de tarifas de transporte, com destaque para o ônibus urbano, que subiu 5,14% em várias capitais.

Por outro lado, há boas notícias no grupo de alimentação e bebidas. Houve uma desaceleração, de 0,27% em dezembro para 0,23% em janeiro. A alimentação no domicílio também perdeu força, passando de 0,14% para 0,10%. Alguns itens chamam atenção pela queda: ovos (-4,4%) e leite (-5,5%). O principal ponto fora da curva foi o tomate, que disparou cerca de 20%, mas, no geral, o grupo de alimentos veio mais comportado, ajudando a manter a inflação sob controle.

Outro fator positivo foi a queda da energia elétrica residencial, beneficiada pela mudança da bandeira amarela para a bandeira verde, o que também contribuiu para uma inflação mais moderada no mês.

Resumindo: a inflação de janeiro ficou mais concentrada em combustíveis e transportes, enquanto os alimentos vieram bem comportados, e a energia elétrica ajudou com a bandeira verde. É um quadro relativamente benigno para o início do ano.

O foco do mercado agora segue sendo a reunião do Copom em março. O debate continua entre um corte de 0,25 ou 0,50 ponto percentual, e o corte de 0,50 tem ganhado força. Vale lembrar que janeiro, fevereiro e março costumam ser os piores meses de inflação do ano, por conta da sazonalidade negativa. Já vimos janeiros com 0,8% ou 0,9% e fevereiros com inflação perto de 1%. Nesse contexto, esse 0,33% está razoável.

* Este é um artigo de opinião, de responsabilidade do autor, e não reflete a opinião do Brasil 247.

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