Preços da construção sobem 1,54% em janeiro e registram maior alta desde 2022
IBGE aponta avanço impulsionado pela reoneração da folha e aumento do salário mínimo. Custo médio nacional chega a R$ 1.920,74 por m²
247 - O custo da construção civil no Brasil começou 2026 em forte aceleração. O Índice Nacional da Construção Civil (SINAPI) avançou 1,54% em janeiro, resultado que representa alta de 1,03 ponto percentual em relação a dezembro de 2025, quando o indicador havia registrado 0,51%, alcançando o maior patamar desde junho de 2022. As informações são do IBGE.
De acordo com os dados divulgados nesta segunda-feira (10), o acumulado do SINAPI em 12 meses chegou a 6,71%, acima dos 5,63% registrados no período imediatamente anterior. Em janeiro de 2025, o índice havia sido de 0,51%, o que reforça a diferença no ritmo de aumento observado neste início de ano.
O gerente da pesquisa, Augusto Oliveira, explicou que o desempenho de janeiro foi influenciado pela reoneração da folha de pagamento no setor da construção civil. Segundo ele, “esse reajuste está de acordo com a legislação, que fixa uma alíquota de 10% sobre a folha de pagamento em 2026”.
Com o avanço do índice, o custo nacional da construção por metro quadrado passou de R$ 1.891,63 em dezembro para R$ 1.920,74 em janeiro. Do total, R$ 1.081,31 correspondem aos materiais e R$ 839,43 referem-se à mão de obra.
Os números mostram que a elevação do índice foi puxada principalmente pelo aumento do custo do trabalho. A parcela dos materiais teve variação de 0,27%, repetindo o mesmo percentual de dezembro e ficando levemente acima do índice registrado em janeiro do ano anterior (0,18%).
Já a parcela da mão de obra subiu 3,22%, um salto expressivo em comparação com dezembro (0,83%) e também acima do registrado em janeiro do ano passado (0,97%).
Augusto Oliveira destacou que o aumento foi impulsionado tanto pela reoneração quanto pelo reajuste do salário mínimo nacional. Conforme explicou, “além da reoneração da folha de pagamento de empresas do setor da construção civil, a alta na mão de obra decorre do reajuste do salário-mínimo nacional em 2026”. Ele acrescentou que o impacto foi mais evidente entre os serventes de obra: “em especial para serventes de obra, categoria profissional que teve alta decorrente da adequação a este reajuste em 11 das 27 unidades da federação”.
No acumulado de 12 meses, os materiais registraram alta de 4,29%, enquanto a mão de obra avançou 10,03%, evidenciando a diferença entre o comportamento dos insumos e dos custos trabalhistas.
Nordeste lidera alta regional e Piauí registra maior variação do país
Entre as regiões brasileiras, o Nordeste apresentou a maior variação em janeiro, com avanço de 1,85%, registrando aumento em todos os estados. Na sequência aparecem o Centro-Oeste (1,67%), o Sudeste (1,39%), o Sul (1,35%) e o Norte (1,33%).
No recorte estadual, o Piauí teve o maior índice do país, com alta de 4,12%, resultado influenciado pelo reajuste de acordos coletivos e também pelo aumento no custo de materiais.


