Inimigo íntimo

Presidente nacional do PMDB e parceiro na chapa de Dilma reeleita nas eleições de 2014, Temer trai a confiança da presidenta sem qualquer constrangimento

Brasília - A presidenta Dilma Rousseff e o vice-presidente, Michel Temer, participam da solenidade onde recebem os cumprimentos de oficiais-generais no Clube do Exército (Antonio Cruz/Agência Brasil)
Brasília - A presidenta Dilma Rousseff e o vice-presidente, Michel Temer, participam da solenidade onde recebem os cumprimentos de oficiais-generais no Clube do Exército (Antonio Cruz/Agência Brasil) (Foto: Daniel Almeida)

Três minutos bastaram para o PMDB romper com o governo Dilma Rousseff após anos de construção de um projeto político comum. O encontro televisionado, marcado pela ausência de expoentes da sigla, serviu para revelar que um dos grandes patrocinadores do golpe institucional no Brasil está dentro do núcleo palaciano: o vice-presidente da República, Michel Temer.

Presidente nacional do PMDB e parceiro na chapa de Dilma reeleita nas eleições de 2014, Temer trai a confiança da presidenta sem qualquer constrangimento. Principal beneficiário de eventual impeachment, ele rasga sua história política e estranhamente submete-se aos caprichos do comandante do golpe, o presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), réu no Supremo Tribunal Federal (STF), acusado de corrupção passiva e lavagem de dinheiro no caso Petrobras.

O movimento que tinha como objetivo estimular a debandada de partidos da base aliada foi precipitado e pouco inteligente, conforme avaliação do próprio presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL). Outras legendas não abandonaram o barco. Pelo contrário, a saída do PMDB impulsionou o debate sobre a composição dos espaços do governo que será feita por forças comprometidas com o projeto.

O fato político criado para selar o sepultamento do governo Dilma acabou sendo, portanto, o propulsor da renovação da base aliada. Em vez de fragilizar a gestão como pretendia, Temer gerou uma oportunidade estratégica para mudança de rumo. É hora agora de o Executivo definir uma agenda clara e unir seus aliados fiéis em torno de um projeto de Brasil para superarmos rapidamente as crises política e econômica.

Em outra frente, a presença de milhares de brasileiros nas ruas mobilizados em defesa da democracia constrange artimanhas de setores do Ministério Público, do Judiciário e da Oposição que tentam chegar ao poder sem voto popular. Eles ficam incomodados quando são taxados de golpistas. Não existe nenhum crime de responsabilidade que justifique o impedimento de Dilma. Por isso, tentam desconstituir junto à opinião pública a ideia de que há um golpe em curso no país. 

As próximas três semanas serão decisivas para a derrota do impeachment. A questão pode ir para votação até o dia 21 no plenário da Câmara. É fundamental que todos permaneçam em vigília. Ocupe a rua, vem para democracia. A sua voz será essencial nesta luta para barrar grave retrocesso. O Brasil já mostrou que está mobilizado contra o golpe!

*Deputado federal pela Bahia e líder do PCdoB na Câmara.

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