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Paulo Gala

Paulo Gala é economista e professor da FGV

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IPCA-15 de maio registra maior alta desde 2016 e pressiona Banco Central

IPCA-15 de maio sobe acima do esperado, rompe teto da meta e aumenta pressão sobre o Banco Central diante da alta dos alimentos e combustíveis

Logo do Banco Central na sede da instituição em Brasília (Foto: REUTERS/Adriano Machado)
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O IPCA-15 de maio veio acima das expectativas do mercado, registrando alta de 0,62% — a maior variação para o mês desde 2016. O resultado superou a mediana das projeções dos analistas, que apontavam para 0,57%, e elevou o acumulado em 12 meses para 4,64%, rompendo o teto da banda de tolerância da meta de inflação.

No acumulado do ano, o índice já acumula 3,02% — e isso considerando apenas os cinco primeiros meses. Vale lembrar que o IPCA-15 mede a variação de preços entre o dia 15 do mês anterior e o dia 15 do mês de referência, o que significa que a meta já está estourada antes mesmo do encerramento do primeiro semestre.

Os principais vilões da alta foram o grupo de Alimentação, com avanço de 1,38%, seguido de Saúde e Cuidados Pessoais (+0,5%) e Habitação (+0,03%). A única nota positiva ficou por conta de Transportes, que registrou deflação — embora a alta da gasolina e do diesel já esteja disseminada pela economia. O índice de difusão ficou em 65%, ligeiramente abaixo dos 67% do mês anterior, mas ainda em patamar elevado, indicando que a pressão inflacionária é ampla.

O cenário representa uma reversão do ambiente desinflacionário observado no final de 2025 e início de 2026. A alta de alimentos e a pressão dos combustíveis já estão bastante evidentes, e o mercado havia se reposicionado para essa perspectiva desde o choque do petróleo.

No último Relatório Focus, a expectativa de inflação para o ano fechado está em 5% — número que muitos analistas já consideram conservador diante da dinâmica atual. Para 2027, as projeções já apontam para 4%, dificultando o cumprimento da meta também no ano seguinte.

O dilema do Banco Central se aprofunda. Com o espaço para novos cortes de juros bastante limitado, cresce no mercado a discussão sobre uma possível pausa na próxima reunião do Copom. Uma das leituras em circulação — referenciada em análise recente — sugere que o mais prudente seria realizar ainda alguns cortes graduais de 25 pontos-base, mirando a convergência para 3% apenas em 2028, em vez de forçar uma trajetória mais acelerada de corte de juros que poderia elevar o IPCA para a faixa de 6%.

O pano de fundo é uma sequência incomum de choques externos: a pandemia de Covid-19, a invasão da Ucrânia pela Rússia, a forte desvalorização cambial na virada de 2024 para 2025, o choque tarifário do governo Trump e, mais recentemente, a volatilidade no mercado de petróleo. Todos esses fatores se somaram e contaminaram os preços domésticos. No plano interno, as políticas de transferência de renda e a expansão do mercado de trabalho sustentam a demanda aquecida, pressionando especialmente a inflação de serviços.

Apesar desse ambiente desafiador, a economia brasileira segue resiliente. O Monitor do PIB da FGV aponta para crescimento de cerca de 2% em 2025 — desempenho robusto, considerando o nível ainda elevado da taxa de juros.

* Este é um artigo de opinião, de responsabilidade do autor, e não reflete a opinião do Brasil 247.

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