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Paulo Gala

Paulo Gala é economista e professor da FGV

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IPCA-15 vem abaixo do esperado, mas inflação segue em 4,80% em 12 meses

IPCA-15 abaixo das projeções indica leve alívio no mês, mas inflação de 12 meses permanece acima do teto da meta do Banco Central

Conta de energia elétrica (Foto: Marcello Casal Jr/Agência Brasil)
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Saiu hoje pela manhã o IPCA-15 e o indicador veio um pouco abaixo do esperado: 0,41% nesta primeira leitura, contra os 0,44% que o mercado projetava. Apesar do alívio na margem, o quadro segue desconfortável. No acumulado de doze meses, a inflação corre a 4,80%, acima do teto da meta, de 4,50%, e muito distante do centro, fixado em 3%. No acumulado do primeiro semestre já estamos em praticamente 3,5%.

A energia elétrica foi o principal vilão do mês, com alta de cerca de 2%. A alimentação também pressionou, com avanço de 0,74%, assim como habitação, que subiu 0,72%. Do outro lado, transportes apresentaram deflação, e educação ajudou a conter o índice. Ainda assim, o índice de difusão segue elevado, ao redor de 60%, o que mostra que a inflação continua espalhada pela economia. Foi um número um pouco melhor do que o esperado, com uma leve melhora na composição, mas o índice segue muito elevado em relação ao centro da meta na leitura de doze meses.

O Banco Central acaba de divulgar o Relatório de Política Monetária, com entrevista coletiva do presidente Gabriel Galípolo e do diretor Paulo Picchetti, que devem detalhar as perspectivas de inflação e de política monetária. A informação mais importante do relatório é a projeção do modelo do BC para a inflação do primeiro trimestre de 2028, que aparece em 3,2%. É esse o horizonte relevante que a autoridade monetária está mirando, segundo o próprio comunicado e a ata recentes.

No cenário externo, saiu o dado de PCE nos Estados Unidos mostrando consumo um pouco mais fraco, o que aliviou a curva de juros. Vale lembrar que vínhamos de um movimento de estresse em torno das expectativas de alta de juros americanos neste ano; esse número mais fraco pela manhã ajudou a acalmar os ânimos. O preço do petróleo também vem cedendo, outra boa notícia: talvez tenhamos um segundo semestre um pouco melhor do ponto de vista do petróleo, o que pode ajudar na inflação adiante.

O problema, como tenho repetido, é que o estrago já está feito. Dá para usar o IPCA-15 como leitura do semestre e fechamos a primeira metade do ano com inflação de praticamente 3,5%. O primeiro semestre foi contaminado pelo choque do petróleo originado nos Estados Unidos — o mesmo aconteceu em vários outros países. E a questão é que o BC não vai reagir a esse choque de oferta agora. Estamos falando de uma inflação acima de 5% neste ano e acima de 4% no ano que vem, com a tentativa de colocar o índice na meta apenas em 2028. Trata-se, portanto, de uma acomodação enorme do choque do petróleo: 2026 e 2027 já foram, na prática, acomodados pelo Banco Central. Os detalhes virão na entrevista coletiva, mas essa é a mensagem central.

* Este é um artigo de opinião, de responsabilidade do autor, e não reflete a opinião do Brasil 247.

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