Já deu Toffoli
Viagens suspeitas, conflitos de interesse e vínculos empresariais colocam em xeque a conduta do ministro do STF e a credibilidade da Corte
As línguas, em sua estrutura, apresentam muitas expressões significativas que transmitem ideias que, isoladamente, parecem não dizer nada: são as expressões idiomáticas.
Idiomático vem do grego idiomatikós e quer dizer “próprio de um idioma”; daí: expressão idiomática. Exemplificando: galo é o macho da galinha; contudo, “cantar de galo” tem outro sentido: significa tomar atitudes ditatoriais. Os idiomatismos surgem de acordo com o meio ou com a época que representam.
Quando digo “Já deu Toffoli”, uso um idiomatismo. Eu poderia dizer “pede pra sair”, outra locução popular brasileira que ganhou imensa notoriedade por meio do filme Tropa de Elite (2007), falada pelo personagem Capitão Nascimento, mas me pareceu mais “educadinho” o “já deu”.
Vamos à ideia propriamente dita.
Em 8 de dezembro, o Brasil 247 publicou artigo meu no qual perguntei ao leitor se o ministro Dias Toffoli deveria sofrer impeachment, em razão de o referido ministro ter viajado a Lima, no Peru, para a final da Libertadores, em jato particular de um empresário, e pelo fato de que, entre os passageiros, estava o advogado Luiz Antônio Bull, diretor de compliance do Banco Master e alvo de uma investigação da Polícia Federal (Operação Compliance Zero), além de outro advogado de um dos envolvidos no caso Master, cujas investigações estão sob a supervisão do magistrado.
O dono do avião também não seria “boa bisca”, como dizia minha avó Maria, pois Luiz Oswaldo Pastore, dono do jato que levou Toffoli ao Peru, financiou mulher de sócio de Vorcaro, todos no mesmo saco de esterco.
Como escreveu Lula Costa Pinto, jornalista respeitadíssimo: “O ministro do Supremo Tribunal Federal, José Antônio Dias Toffoli, excede o direito de errar na escolha das más companhias com as quais anda em Brasília”.
Se tivesse vergonha na cara, Toffoli deveria ter se declarado suspeito para conduzir o caso do Banco Master; seria o mínimo, pois faltou ao ministro Dias Toffoli dignidade e compostura. Ele não agiu com seriedade, pudor e respeito às normas de comportamento; ignorou solenemente as regras de convívio social e moral; foi indecente e lhe faltou integridade. Toffoli agiu de forma inapropriada e inconveniente, em flagrante desrespeito ao STF, a seus pares e à nação.
Mas ele não parou, pois os idiotas e os canalhas triunfam porque não têm qualquer senso ou vergonha (não consta que Toffoli seja um idiota).
Depois, marcou uma acareação “sem pé nem cabeça”, desistiu dela e decretou sigilo no processo.
Agora vem a público que empresas ligadas à família de Toffoli tiveram como sócio fundo ligado ao caso Master. O “Fundo Arleen” teve participação em empresas de parentes do ministro e manteve ligação indireta com estrutura investigada no caso Banco Master.
Segundo dados da Comissão de Valores Mobiliários (CVM), da Receita Federal e balanços financeiros, o fundo Arleen manteve participações tanto na Tayayá Administração e Participações, responsável por um resort em Ribeirão Claro, no Paraná, quanto na DGEP Empreendimentos, incorporadora imobiliária da mesma cidade que teve como sócio um primo de Toffoli.
Por essas e outras, “já deu” Toffoli.
Essas são as reflexões.
* Este é um artigo de opinião, de responsabilidade do autor, e não reflete a opinião do Brasil 247.
