Levar Jesus no coração é ser solidário com a resistência do povo cubano
"É um dever ético, moral, humanitário e até mesmo espiritual fazer tudo o que esteja em nosso alcance para ajudar o povo cubano"
Nesta hora de tanta aflição e angústia para a América Latina e o mundo, tomo uma vez mais a iniciativa de escrever algumas linhas com o propósito de sensibilizar a significativa parcela de nosso povo que deseja e procura guiar-se na vida com base nos ensinamentos de Jesus relatados nos textos dos Evangelhos.
Independentemente de ter ou não alguma crença espiritual ou religião, considero que o Jesus com o qual nos deparamos nos citados escritos evangélicos nos deixa evidente que suas preocupações centrais referem-se às condições de vida dos seres humanos no mundo real em que estão inseridos. Ninguém imbuído de boa-fé pode levantar a mínima dúvida quanto ao fato de que suas prioridades sempre se manifestavam no sentido do combate às injustiças, da luta pela prevalência da igualdade e na sua permanente disposição de prestar solidariedade aos que padecem privações e sofrimento.
Tendo por base este entendimento, vai ser-nos impossível não reconhecer que o povo e a Revolução Cubana vêm se constituindo há um bom tempo no exemplo maior de fidelidade aos princípios emanados do legado de vida do Nazareno. Para expressá-lo sem nenhum subterfúgio, não há outro povo ou nação que, ao longo das últimas seis décadas, tenha se dedicado com mais intensidade e constância à prática da prestação altruísta da solidariedade e ajuda para com os povos necessitados.
Assim, apesar de seu diminuto tamanho geográfico, a ajuda solidária de Cuba tem estado presente em todos os rincões de nosso planeta onde houvesse povos em dificuldade. Não há pontos em todo o continente africano em que médicos e educadores cubanos não hajam lutado ao lado das populações locais para enfrentar as mazelas que as afligiam. Igualmente, na América Latina, nos momentos de maior turbulência, o que não faltava era o apoio decidido oferecido pelo povo e o governo de Cuba.
No Brasil em particular, ainda bem antes de sua heroica atuação durante a epidemia de COVID-19, foram os médicos enviados por Cuba os primeiros a oferecer atendimento médico a muitos brasileiros que habitavam várias regiões recônditas, as quais jamais tinham contado com a presença de pessoal habilitado para a prestação de assistência médica. Por isso, foi através dos emissários de Cuba no programa Mais Médicos que um número significativo de nossos compatriotas pôde, pela primeira vez, contar com gente dedicada e habilitada para ajudá-los a cuidar de seus graves problemas de saúde.
No entanto, neste exato momento, esse valoroso e prestativo povo e sua Gloriosa Revolução estão sendo vítimas do mais violento, truculento e assassino acosso de todos os tempos.
E essa perversa agressão está sendo perpetrada pelos Estados Unidos, a mais gigantesca potência militar do planeta e sua monstruosa maquinaria de morte e aniquilação. Assim, Donald Trump e seu regime neonazista decidiram reforçar o bloqueio à pequena ilha de Cuba para sufocá-la e, com isso, exterminar o povo cubano e sua Revolução.
Portanto, tendo em mente tudo o que Cuba e seu povo vêm representando em termos de luta por justiça e solidariedade, é um dever ético, moral, humanitário e até mesmo espiritual fazer tudo o que esteja em nosso alcance para ajudar o povo cubano a resistir à agressão que está sofrendo e a derrotar as forças inimigas da humanidade que pretendem retransformá-la no bordel de milionários que era antes da chegada da Revolução.
E se isto é uma obrigação que diz respeito a todos os que se sentem vinculados ao humanismo, ela se aplica mais ainda no caso dos que se identificam também com os ideais de Jesus, uma vez que a Revolução Cubana tem sido a força que com mais coerência e persistência vem se dedicando a defender e exercitar, na prática, tais ideais.
Em resumo: não é preciso ser cristão para solidarizar-se com a luta do povo cubano nesta hora difícil, mas é impossível levar Jesus no coração sem sentir-se obrigado a prestar-lhe agora esta solidariedade.
* Este é um artigo de opinião, de responsabilidade do autor, e não reflete a opinião do Brasil 247.



