Lula pode levar no primeiro turno
"Ninguém que votou em Lula no primeiro turno de 2022 deve votar em Bolsonaro, nem vice-versa"
Ante o cenário de polarização (eleitoral, não política) nacional, mantido o quadro pré-eleitoral, Lula pode se reeleger no primeiro turno.
Ninguém que votou em Lula no primeiro turno de 2022 deve votar em Bolsonaro, nem vice-versa. Tampouco o eleitorado que optou por Lula deve migrar para Zema, Caiado ou Leite, Renan Santos ou Aldo – Ratinho Jr. é uma possibilidade dada a confusão com o nome do pai, popular.
Já parte de quem votou em Bolsonaro no primeiro turno pode migrar para outras candidaturas, seja Zema pelo discurso de Estado mínimo, Caiado pelo agro, Renan pela mobilização nas redes sociais, Aldo pelo nacionalismo. Sabe-se que tudo isso é falso no bolsonarismo, como se sabe que, ainda assim, cola.
Lula teve no primeiro turno 48,43% dos votos, isto é, precisaria de menos de 2% para se eleger.
Naquele então, Simone Tebet teve 4,16% e Ciro Gomes, 3,04%. Simone hoje está no governo como ministra do Planejamento e estará na campanha. Ciro diz que não será candidato e migrou do PDT para o PSDB. Para onde podem ir seus votos? Pelo PDT raiz, talvez para Aldo Rebelo e a proposta nacionalista, mas é improvável que Bolsonaro absorva uma mínima parte.
Para além dos 48,43% de votos conquistados no primeiro turno em 2022, Lula chegou à vitória com 50,90% no segundo turno, sem contar com alguns dos partidos que hoje têm pastas na Esplanada, como PSD, União, MDB, PP e PDT, e nenhum desses quadros, ainda que só representem parte de seus partidos, deixará o governo para disputar eleições em seus estados atacando o trabalho que fizeram por quase quatro anos.
E, sobretudo, Lula é o incumbente, tem a caneta na mão e chance mínima de, mais uma vez, ter a polícia rodoviária federal impedindo eleitores de chegarem às urnas e outras barbaridades golpistas. E com realizações para propagandear: inflação dentro da meta, desemprego em mínima histórica, dólar controlado, reconstrução de relações diplomáticas (até com Donald Trump, encarando sanções severas em dobradinha perfeita com seu vice e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços Geraldo Alckmin, sanções que eram aplaudidas pelos "patriotas" bolsonaristas, lembrando que Bolsonaro foi o último chefe de Estado a reconhecer a vitória de Joe Biden em 2020), reforma tributária após décadas de tentativas frustradas, desmatamento caindo, acordo Mercosul-UE, isenção de IR até cinco mil reais entre outras.
E desde FHC, só Bolsonaro conseguiu a proeza de perder uma reeleição.
* Este é um artigo de opinião, de responsabilidade do autor, e não reflete a opinião do Brasil 247.



