Edinho convoca militância e diz que Flávio Bolsonaro é a essência do fascismo
“Flávio é essência do pensamento fascista ultraconservador brasileiro. Se não falarmos isso ao povo brasileiro, ele será o candidato palatável”, declarou
247 - O presidente do PT, Edinho Silva, defendeu uma ofensiva política contra o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e cobrou maior mobilização da militância petista. A declaração foi feita durante reunião da corrente Construindo Um Novo Brasil (CNB), majoritária no partido, conforme noticiou a Folha de S.Paulo. O encontro ocorreu após a divulgação de pesquisa Atlas/Bloomberg que apontou empate entre Flávio e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva em um eventual segundo turno.
No discurso aos dirigentes, Edinho subiu o tom contra o adversário e afirmou que é preciso deixar claro ao eleitor quem é o senador. “Flávio é essência do pensamento fascista ultraconservador brasileiro. Se não falarmos isso ao povo brasileiro, ele será o candidato palatável”, declarou. O dirigente também pediu reforço na atuação digital e organização da base para enfrentar o avanço do bolsonarista nas pesquisas.
Segundo relatos de bastidores, a avaliação interna no PT é de que houve crescimento consistente do nome de Flávio Bolsonaro, o que levou a uma mudança de postura da legenda. Edinho afirmou ainda que o partido adotará a bandeira da justiça social na campanha e associou o senador a interesses do mercado financeiro e a setores contrários ao fim da escala 6x1. Sem mencionar diretamente o caso Master, disse que o escândalo “não foi construído no governo Lula”.
Ao concluir, o presidente do PT destacou a importância da militância no embate político e digital. “Eles têm um estrutura profissionalizada, mas nenhum robô debate mais que um militante. Vamos ganhar essas eleições na política”, afirmou.
O debate ocorre em meio a uma ofensiva jurídica do PT contra aliados de Flávio. De acordo com informações divulgadas pelo portal Brasil 247, ao menos 55 apoiadores da pré-candidatura do senador investiram em impulsionamento de publicações críticas a Lula após o desfile da escola de samba Acadêmicos de Niterói, no carnaval deste ano. Um levantamento partidário, citado pelo O Estado de S.Paulo, identificou pagamentos feitos em plataformas digitais por políticos e influenciadores.
Com base nesses dados, o PT protocolou cinco ações no Tribunal Superior Eleitoral (TSE). A legenda sustenta que Flávio Bolsonaro, o PL, o governador de Minas Gerais, Romeu Zema, e aliados teriam utilizado conteúdos falsos para influenciar o cenário eleitoral.
Entre os nomes citados no levantamento estão o prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes, apontado como o que mais desembolsou recursos em impulsionamentos, e o deputado Paulo Pereira da Silva (Solidariedade-SP), o Paulinho da Força. Ele utilizou inteligência artificial para criar vídeo satírico com Lula e declarou: “se eles pagaram o carnaval, por que a gente não pode pagar o impulsionamento de uma postagem na rede social?”. Acrescentou ainda: “O PT vai entrar na Justiça falando o quê? O dinheiro usado foi meu, não foi dinheiro público”.
O caso ampliou a discussão sobre os limites do impulsionamento pago nas redes sociais. A legislação proíbe propaganda eleitoral negativa patrocinada, enquanto o TSE propôs entendimento segundo o qual críticas a governos, mesmo impulsionadas, não configurariam propaganda antecipada negativa, desde que não façam referência direta às eleições.


