Lula reagirá com persuasão aos EUA e parcerias comerciais, enquanto Vorcaro pode delatar "Dark Horse"
Presidente defende soberania nacional, promete buscar novos compradores e prepara nova ofensiva, analisa o colunista Leopoldo Vieira
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva indicou que a persuasão sobre os Estados Unidos, a renovação do apoio aos setores afetados e articulação de parcerias comerciais alternativas serão a reação de seu governo à quarta rodada de sobretaxas impostas contra o Brasil, sendo que duas ocorreram nesta semana — de 25% e 12,5% — embora haja negociações em curso entre Brasília e Washington sobre elas até 15 de julho.
Assim, não haverá escalada com os EUA, como dizem temer agentes econômicos ligados à oposição que, em conversas reservadas, gostariam que a classificação de organizações criminosas brasileiras como terroristas e o tarifaço produzissem efeitos contrários à reeleição de Lula — o que não é visto como tendência.
"Vou mandar outra carta ao presidente [Donald] Trump, vou escrever quantos artigos forem necessários na imprensa americana e mundial para mostrar que eles estão errados. Nós não vamos ficar chorando, vamos procurar outros parceiros. Se ele não quer comprar da gente, vamos vender para quem quiser comprar" , afirmou o presidente durante reunião ministerial realizada nesta quarta-feira.
O petista também afirmou que busca provar que um ambiente pacífico entre Brasil e EUA passa pelo fortalecimento da democracia, do multilateralismo e da responsabilidade na relação entre chefes de Estado. Em paralelo, atropelando a institucionalidade do Brasil e as regras diplomáticas, o senador Flávio Bolsonaro declarou que pode obter sucesso em uma negociação com Trump e que espera que sua carta ao secretário de Estado Marco Rubio, pedindo que os EUA não confirmem a taxação sobre empresas brasileiras, seja atendida.
Isso, contudo, deve ser interpretado como mais um aspecto do risco banana republic associado a Flávio, enquanto setores financeiros e empresariais brasileiros continuam tendo sobre a mesa a escolha de tentar reabilitar ou não o clã Bolsonaro. Segundo relatos da imprensa, o pedido do senador Bolsonaro a Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master, para financiar o filme "Dark Horse", foi incluído em sua nova proposta de delação premiada.
Assim, os indícios são de que o magnata e presidente americano Trump e o ex-líder sindical e presidente brasileiro Lula seguirão em suas artes de negociação, com a bandeira da soberania nacional empunhada pelo petista em meio à crescente possibilidade de revés do republicano nas eleições americanas de meio de mandato.
* Este é um artigo de opinião, de responsabilidade do autor, e não reflete a opinião do Brasil 247.




