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Denise Assis

Jornalista e mestra em Comunicação pela UFJF. Trabalhou nos principais veículos, tais como: O Globo; Jornal do Brasil; Veja; Isto É e o Dia. Ex-assessora da presidência do BNDES, pesquisadora da Comissão Nacional da Verdade e CEV-Rio, autora de "Propaganda e cinema a serviço do golpe - 1962/1964" , "Imaculada" e "Claudio Guerra: Matar e Queimar".

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Mais uma vez o cavalo passa selado para Lula

Articulações no Senado e no STF ampliam pressão sobre decisões estratégicas do governo

Jorge Messias (Foto: Carlos Moura/Agência Senado)

Um André Mendonça no STF, coordenando as investigações sobre as travessuras dos políticos no Banco Master incomoda muita gente. Um Mendonça aliado a Jorge Messias, juntos, nesse trabalho, incomodaria muito mais. Vai daí, que o presidente do Senado, Davi Alcolumbre, decidiu que era melhor não deixar que essa dupla se criasse, e partiu para um jogo sujo e sem precedentes, onde o imediatismo deu o tom.

Numa articulação impensável, uniu-se a Alexandre de Moraes (e, previsível, a Flávio Bolsonaro), para impedir a chegada de Jorge Messias ao cago, cortando, desta forma, os caminhos que levariam talvez às informações sobre quem, de verdade, no Amapá, destinou 400 milhões aos cofres do Master, oriundos da Previdência daquele estado. E, de quebra, a quantas andaram as emendas parlamentares em sua jurisdição.

Jorge Messias foi só o patinho que entrou na lagoa sem verificar para que lado seguia a correnteza. No Palácio, um dos aliados que há muito já estava no radar das esquerdas – desde que se recusou a abraçar a candidatura que lhe cabia, abrindo espaço para a direita -, foi, enfim, flagrado em cenas obscenas com Davi Alcolumbre, perto do final da votação. Sorrisos, proximidade física além do normal e informações de pé de ouvido, confirmaram o que tantas declarações à mídia já deixavam evidente: esse moço traía como quem sai do motel com o cabelo molhado, descuidadamente.

Já foi dito à exaustão, que esses senhores não têm projeto a não ser consigo próprios. Já ficou claro que o Congresso para eles se equipara a uma casa de tolerância. E já foi observado também que são imediatistas. A longo prazo, porém, vai depender do experimentado Lula mudar o rumo das coisas.

Em 9 de janeiro de 2023, quando recebeu apoio de 27 governadores e dos chefes dos três poderes, o presidente poderia ter atravessado aquela praça (a dos Três Poderes) e, do outro lado, anunciado a destituição de parte do Alto Comando Militar, a ala golpista, e dito também que quem estivesse do lado da democracia, que o seguisse. Dali por diante, com o apoio da sociedade e do segmento legalista das Forças Armadas, poderia ter mudado o jogo. O humor da sociedade, revoltada com as cenas de violência, e a perplexidade nas fileiras militares, que pela primeira vez foi desnudada em pleno golpe, fazendo-os recolher armas e baixando-lhes o moral, lhe permitia isso.

Agora, quando a política rasteira e desqualificada foi transmitida em tempo real, rendeu cortes e fotos comprometedoras, nas redes e TVs, Lula não pode deixar escapar a oportunidade de conclamar a opinião pública a ajudá-lo a marchar para eleições justas, que livrem o país dessa ultradireita desinibida. O cavalo está mais uma vez passando selado para Lula. Ou ele se une ao povo, toma atitudes enérgicas e realiza uma mudança radical na tal da conciliação entre instituições e partidos sanguessugas, ou chegará às urnas, de cócoras. É hora de reagir.

* Este é um artigo de opinião, de responsabilidade do autor, e não reflete a opinião do Brasil 247.

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