Maluf merece a cadeia

A idade avançada do réu não impede que ele vá para a cadeia. Se o réu for portador de doença grave, não tratável no presídio, ele faz jus à prisão domiciliar. Para qualquer réu, seja Paulo Maluf ou qualquer outro, deve ser aplicada a lei geral válida para todos

Member of Brazil's Lower House of Congress Paulo Maluf (2nd R) is escorted by Federal Police as he leaves the Medical Legal Institute in Sao Paulo, Brazil December 20, 2017. REUTERS/Leonardo Benassatto
Member of Brazil's Lower House of Congress Paulo Maluf (2nd R) is escorted by Federal Police as he leaves the Medical Legal Institute in Sao Paulo, Brazil December 20, 2017. REUTERS/Leonardo Benassatto (Foto: Luiz Flávio Gomes)

Paulo Maluf é um dos maiores bandidos do País e fez muito por merecer a prisão onde se encontra. Não é injusta sua passagem pela cadeia. Por razões de saúde, se preencher os requisitos legais, faz jus à prisão domiciliar. Quem está confundindo as duas coisas está fazendo lambança, sobretudo ética.

Na nossa sociedade perversa, o piloto da bússola ética sumiu definitivamente. Setores da esquerda e da direita, em termos morais, no caso Maluf, estão completamente perdidos. Aliás, enlouqueceram.

Depois de cinco séculos de roubalheira contínua praticada pelas elites bandidas dominantes e governantes, perdeu-se por completo a noção do justo e do injusto, do certo e do errado. Até o STF se mostra muito desorientado.

Maluf foi preso por força de uma sentença criminal condenatória definitiva. Finalmente, depois de 50 anos de atividade pública questionável, a Justiça conseguiu captar uma das suas incontáveis bandidagens contra o dinheiro público. Mandou-o para a cadeia. Em um sistema em que as elites bandidas sempre foram favorecidas e privilegiadas, o ato tem um enorme significado.

Que seus advogados defendam seus eventuais direitos, compreende-se. Advocacia é uma profissão, que conta com respeito inclusive constitucional.

Mas qual é o significado de outras pessoas saírem em sua defesa depois de uma sentença condenatória definitiva do STF?

Isso tem o sentido de defesa do sistema corrupto e bandido que vigora na nossa cleptocracia. A defesa do réu é algo previsto na Constituição. A defesa do sistema corrupto revela total e absoluta falta de ética e compostura moral.

Há poucos dias, quando perguntado sobre sua condenação, Maluf sorria para a câmera desbragadamente. Tinha ali a certeza inabalável da impunidade. A Justiça não me pega (dizia seu debochado sorriso).

Ele nunca se imaginou sob o império da lei, como qualquer outro cidadão. Como bom aristocrata que é, sempre menosprezou os princípios e valores republicanos.

Tendo sido criado no ambiente das elites bandidas e corruptas, não captou os novos sinais de que o Brasil está mudando. Devagar, lentamente, mas está mudando.

O princípio civilizador (Norbert Elias) está chegando, para dizer que não existem mais capitães hereditários no Brasil. Temos que ser responsáveis pelos nossos atos. Disciplina e autocontrole fazem parte do referido processo.

Muita gente eticamente tresloucada está achando a prisão do Maluf exagerada, inadequada, injusta e absurda. Setores da direita o enaltecem por se tratar de um alinhado em suas fileiras. É a velha leniência liberal-corrupta. Frações da esquerda entendem que não faz nenhum sentido prender um octogenário, que não é ressocializável.

O que a Justiça está fazendo com ele é exatamente o que ele mesmo postou, em 2014, nas suas redes sociais: "Bandido bom é bandido preso". Todo réu, depois de condenado de acordo com o devido processo legal, tem que arcar com as consequências das suas estrepolias.

Se o juiz fixou a pena de prisão, terá que ir para a prisão, porque, como diz Maluf, "bandido bom é bandido preso".

A idade avançada do réu não impede que ele vá para a cadeia. Se o réu for portador de doença grave, não tratável no presídio, ele faz jus à prisão domiciliar. Para qualquer réu, seja Paulo Maluf ou qualquer outro, deve ser aplicada a lei geral válida para todos. Aplique-se a lei geral (e pronto).

Preenchidos os requisitos da lei, prisão domiciliar. Não preenchidos, que permaneça na Papuda ou outro presídio.

O que não se justifica é conferir a um rapinador do dinheiro público privilégios aristocráticos. Viva a República, viva seus princípios e seus valores. Viva a humanidade iluminista. Viva o império da lei. Abaixo os eunucos morais assim como os depravados éticos.

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