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Miguel do Rosário

Jornalista e editor do blog O Cafezinho. Nasceu em 1975, no Rio de Janeiro, onde vive e trabalha até hoje

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Mastergate de Flávio faz Lula abrir 7 pontos à frente no segundo turno, diz Atlas

Atlas aponta que o caso Vorcaro muda cenário eleitoral e favorece Lula no segundo turno, destaca Miguel do Rosário

Presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, durante anúncio sobre a retomada da produção de fertilizantes na Fafen-BA, na Rua Eteno – Polo Industrial de Camaçari - BA. (Foto: SEAUD/PR)
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O novo tracking da Atlas Intel, revelado há pouco pela CNN Brasil, mostra que o vazamento dos áudios em que Flávio Bolsonaro conversa com o banqueiro Daniel Vorcaro produziu impacto devastador nas chances do senador chegar ao Planalto.

A medição traz Lula com 49,1% das intenções de voto contra 42,6% de Flávio na simulação de segundo turno. Em votos válidos, segundo fontes ligadas ao instituto, o petista chega a 54% contra 46% do senador.

Cabe um esclarecimento metodológico. Os dados de 15 de maio vêm de um tracking, levantamento diário e mais ágil, com método e amostra distintos das pesquisas convencionais mensais que a Atlas Intel vinha publicando até agora.

Para medir o tamanho do impacto, é preciso olhar a série anterior, feita pelo método tradicional da casa. Em dezembro de 2025, a Atlas mostrava Lula com folgados 12 pontos de vantagem, 53,0% a 41,0%.

De lá pra cá, o petista vinha caindo enquanto Flávio subia. Em fevereiro de 2026, o senador passou numericamente à frente pela primeira vez, ainda que por apenas 0,1 ponto (46,3% a 46,2%).

A liderança numérica de Flávio se manteve em março (47,6% a 46,6%) e em abril (47,8% a 47,5%), sempre dentro da margem de erro, mas com a direção do movimento favorecendo o senador. Era esse o cenário que o vazamento dos áudios interrompeu.

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O tracking de hoje rompe com essa trajetória de forma abrupta. Lula sobe 1,6 ponto em relação a abril, Flávio despenca 5,2 pontos, e abre-se uma diferença de 6,5 pp que a CNN arredondou para sete.

O levantamento também indica que os demais pré-candidatos da direita, Ronaldo Caiado, Romeu Zema e Renan Santos, não tiveram mudanças significativas. Houve leve alta no primeiro turno, mas recuo no segundo.

A leitura inicial dos pesquisadores é de que o episódio atingiu sobretudo o eleitor indeciso de perfil moderado e de centro. Foi justamente o segmento que Flávio precisava manter para sustentar a competitividade no segundo turno.

Vale lembrar que o Datafolha, com divulgação prevista para sexta ou sábado, deve pegar apenas uma beiradinha do escândalo. Só na semana que vem, se houver nova pesquisa convencional, teremos uma ideia mais precisa do impacto.

Por ora, o tracking da Atlas já oferece um bom indicativo dos efeitos do escândalo.

* Este é um artigo de opinião, de responsabilidade do autor, e não reflete a opinião do Brasil 247.

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