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Descontrolado, Eduardo Bolsonaro ataca jornalistas, mas não consegue explicar ligação com Vorcaro

Documentos revelam que ex-deputado atuou como produtor-executivo de filme sobre Jair Bolsonaro que teria recebido recurso de fundos ligados a Vorcaro

Eduardo, Jair Bolsonaro e Daniel Vorcaro (Foto: Agência Câmara I Divulgação I Reprodução)
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247 - O deputado federal cassado Eduardo Bolsonaro (PL-SP) usou a rede social X, antigo Twitter, para negar que tenha recebido recursos do banqueiro Daniel Vorcaro, proprietário do Banco Master, e atacar o site The Intercept Brasil, em meio à repercussão de uma reportagem sobre negociações envolvendo o financiamento do filme “Dark Horse, película sobre a trajetória de Jair Bolsonaro (PL).

De acordo com a apuração do Intercept, Eduardo aparecia como produtor-executivo em contrato relacionado ao longa-metragem, função que incluía, entre outras atribuições, a captação de recursos para o projeto. A produção recebeu investimentos de R$ 61 milhões por meio de fundos ligados a Daniel Vorcaro.

Na publicação, Eduardo reagiu ao título da matéria do Intercept que, segundo ele, o associava à expressão "o homem da grana". O parlamentar escreveu: "Intercept, vocês são VAGABUNDOS! NÃO EXISTE DINHEIRO DO VORCARO PARA MIM, LARGUEM DE SER MENTIROSOS! E ainda botam no título da matéria: 'o homem da grana'. Vocês são a escória do jornalismo".

A manifestação ocorreu após a divulgação de reportagem segundo a qual Flávio Bolsonaro teria negociado com Daniel Vorcaro o valor de R$ 134 milhões para financiar uma produção cinematográfica sobre Jair Bolsonaro. O texto do Intercept afirma que as tratativas envolveriam também Eduardo Bolsonaro, o deputado federal Mario Frias e outros intermediários.

A reação de Eduardo Bolsonaro se concentrou em negar qualquer recebimento de dinheiro de Vorcaro. No texto publicado no X, o deputado não apresentou detalhes adicionais sobre a relação mencionada pela reportagem, mas classificou como falsa a associação feita pelo veículo.

Apesar disso, ele afirmou que sua participação no projeto se limitou a um investimento inicial para garantir a permanência de um diretor de Hollywood na produção do filme.

"Investi US$ 50 mil nos Estados Unidos. O objetivo era garantir um contrato com um diretor de Hollywood, para que ele pudesse elaborar o roteiro e dar início ao projeto. Esse contrato permitiu manter o diretor por dois anos, assumindo eu, pessoalmente, todos os riscos", disse.

A afirmação vai ao encontro de uma postagem feita por ele na quinta-feira (15), quando disse que "a história de que recebi dinheiro do fundo de investimento não se sustenta e é tosca. Meu status migratório não permitiria; se isso tivesse acontecido, o próprio governo americano me puniria". No texto, Eduardo também afirma que "não exerci qualquer posição de gestão ou emprego no fundo, apenas cedi meus direitos de imagem".

O caso ganhou repercussão política porque Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master, passou a ser citado em investigações e reportagens sobre suspeitas envolvendo o banco. A Associated Press informou que Flávio Bolsonaro negou irregularidades após a publicação de áudios pelo Intercept e afirmou que a busca por recursos para o filme seria uma iniciativa privada.

A publicação de Eduardo Bolsonaro também ocorreu em meio à movimentação nas redes sociais em torno dos termos "PEGA LADRÃO" e "O HOMEM DA GRANA", que apareciam entre os assuntos em destaque no X no momento registrado no conteúdo fornecido.

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