Mercados respiram com alívio no Oriente Médio, petróleo recua e ativos reagem
Alívio geopolítico reduz tensões nos mercados, mas incertezas ainda limitam otimismo sustentável
Os mercados globais iniciam abril em tom mais positivo, refletindo sinais de distensão no conflito no Oriente Médio. O preço do petróleo recua para a faixa dos US$ 100 por barril, após semanas de forte escalada, enquanto declarações do ex-presidente Donald Trump, sugerindo uma possível retirada unilateral dos Estados Unidos da região em uma ou duas semanas, reforçam a percepção de alívio no cenário geopolítico.
A reação dos ativos foi imediata: bolsas em recuperação, juros longos em queda e valorização de moedas emergentes, como o real. No Brasil, o movimento foi particularmente expressivo, com a bolsa subindo quase 3% e a curva de juros cedendo de forma relevante ao longo de toda a estrutura a termo.
Apesar do alívio recente, março foi um mês marcado por elevada volatilidade. O petróleo acumulou alta próxima de 50%, refletindo a intensificação do conflito e os riscos sobre a oferta global. Esse choque já começa a produzir efeitos domésticos, como o aumento de cerca de 50% no preço do querosene de aviação, adicionando pressão inflacionária relevante à economia brasileira.
Mesmo com a recente queda, a expectativa é de que o petróleo não retorne aos níveis anteriores ao conflito, na casa dos US$ 60 por barril. Parte da infraestrutura energética foi danificada, e a região permanece instável, o que deve manter os preços em patamares mais elevados, possivelmente entre US$ 80 e US$ 90.
No campo da atividade, os dados seguem mistos. No Brasil, o Caged registrou a criação de 255 mil vagas formais, número abaixo das expectativas, mas ainda consistente com um mercado de trabalho resiliente. Já nos Estados Unidos, o relatório ADP apontou a criação de 60 mil vagas em fevereiro, levemente acima do esperado, indicando que a economia americana ainda mantém algum dinamismo, inclusive com crescimento salarial.
Esse cenário reforça a leitura de que o Federal Reserve deve manter uma postura cautelosa. As expectativas de inflação seguem entre 2,5% e 3%, reduzindo o espaço para cortes de juros no curto prazo.
No Brasil, o quadro também se deteriora na margem. As projeções de inflação vêm sendo revisadas para cima, com estimativas já convergindo para algo próximo de 4,5% no IPCA deste ano. Instituições financeiras, como o Bradesco, revisaram recentemente suas projeções tanto para inflação quanto para juros, reforçando um ambiente de maior cautela.
Ainda assim, os ativos brasileiros mostraram resiliência ao longo de março, com reversão parcial do movimento de fuga para o dólar. O alívio recente no cenário externo pode reforçar esse movimento, ao menos no curto prazo.
O início de abril, portanto, traz um ambiente mais benigno para os mercados, sustentado pela expectativa de redução das tensões no Oriente Médio. No entanto, a ausência de um acordo formal de cessar-fogo e a possibilidade de novos episódios de instabilidade mantêm o cenário ainda sujeito a mudanças abruptas.
* Este é um artigo de opinião, de responsabilidade do autor, e não reflete a opinião do Brasil 247.



