Nem só da Presidência vive o povo
Reeleição de Lula precisa vir acompanhada de uma bancada popular mais forte no Congresso, analisa o colunista Jair de Souza
Com a explosão da bomba Banco Master e o escancaramento da realidade da questão do pix, restam poucos brasileiros que ainda não entenderam a verdadeira podridão ética, moral e política que caracteriza tanto o clã bolsonarista como a cúpula dirigente do movimento por eles comandado.
Assim, é mais do que natural que todas as recentes sondagens de opinião revelem o desmoronamento das pretensões eleitorais do integrante do clã indicado para concorrer à presidência em nome da extrema direita representante do grande capital financeiro e agroexportador, e que, em contrapartida, a reeleição de Lula vai se mostrando, cada vez mais, uma probabilidade muito realística.
Contudo, ainda que a provável derrota das forças das trevas bolsonaristas na disputa pelo cargo de Presidente da República seja motivo de alegria e esperança para todos os que sonhamos com um Brasil livre do controle político dos mais servis agentes dos interesses do imperialismo, há outros fatores relacionados com o próximo pleito eleitoral que nos causam muita apreensão.
Na verdade, por mais importante que nos seja garantir nossa presença no cargo máximo do Poder Executivo, pouco poderemos avançar em termos concretos para a melhoria da vida de nosso povo, se, no Congresso Nacional, os que defendem os interesses das classes dominantes e do imperialismo continuarem sendo majoritários.
Portanto, é imprescindível que nossa luta, durante a árdua campanha que temos pela frente, não se limite a reeleger Lula. Precisamos ter clareza de que estender significativamente o percentual de parlamentares do campo popular no Congresso Nacional é um requisito indispensável para que nos seja possível colocar em prática aquilo que a imensa maioria de nossa população espera dessa nova gestão de Lula.
Então, nosso empenho, nestes meses que antecedem a data das eleições, deve ser no sentido de reforçar também a eleição para o Senado e a Câmara dos Deputados do maior número possível de parlamentares inteiramente comprometidos com os fundamentos do programa político presidencial de Lula.
Nesta empreitada, é fundamental que todos os que nos sentimos envolvidos com o futuro das maiorias populares nos esforcemos de corpo e alma para que a realidade no campo parlamentar venha a refletir também as aspirações expressadas para o comando máximo da nação. Não se trata de nenhuma tarefa simples, visto que as oligarquias exercem uma enorme influência econômica e política sobre as instâncias locais que definem a escolha dos representantes aos cargos parlamentares.
Para concluir, gostaria de dizer que considero indispensável que o próprio Lula se manifeste de alto e bom tom para deixar evidente a seus eleitores que eles também precisam escolher corretamente aqueles que vão compor o Senado e a Câmara dos Deputados.
* Este é um artigo de opinião, de responsabilidade do autor, e não reflete a opinião do Brasil 247.




