Nestlé reconhece o óbvio: maioria dos seus produtos não é saudável

Ultraprocessado, em suma, não é saudável. Vários estudos científicos realizados em diversos países têm mostrado que o uso abusivo dos ultraprocessados causam problemas sérios de saúde, como doenças cardiovasculares, diabetes, câncer e, principalmente, obesidade

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No final do mês de maio o jornal inglês “Financial Times” publicou, com base em um documento interno da Nestlé, que a empresa suíça e maior produtora de alimentos do mundo reconhece que a maior parte de seu catálogo de alimentos e bebidas não é saudável, já que 63% dos produtos da empresa não atenderiam aos padrões necessários.

Segundo o documento, "algumas de nossas categorias e produtos nunca serão 'saudáveis', não importa quanto renovamos".

Segundo o "Financial Times", não entram na classificação e nos dados fórmulas alimentares para bebês, rações para animais de estimação, café e nutrição médica especializada. 

Esses 63%, que certamente são de alimentos ultraprocessados, se referem a produtos que representam cerca da metade da receita anual total da Nestlé, que é de US$ 103 bilhões (R$ 537 bilhões).

Esse documento mostra algumas obviedades, como o fato de que a Nestlé, assim como a grande maioria dos conglomerados produtores de alimentos industrializados, que, mais importante do que a saúde do consumidor, o objetivo principal é o lucro. Para se ter uma ideia, o lucro da Nestlé em 2020 foi de US 13,65 bilhões. É muita grana.

Apesar dessa dinheirama toda, e de suas vendas terem crescido 3,6% no Brasil, em 2020, a Nestlé tem fechado linhas de produção no país, causando desemprego, como as fábricas de Palmeiras das Missões (RS) e Itabuna (BA). Além disso, diminuiu o valor do vale refeição nas unidades da Bahia, de São Paulo e de Pernambuco.

Segundo o professor Carlos Monteiro coordenador do Núcleo de Pesquisas Epidemiológicas em Nutrição e Saúde da Universidade de São Paulo (Nupens/USP), “a indústria percebeu que poderia ganhar muito dinheiro com alimentos de baixo custo, que aproveitam componentes de outros alimentos e têm sabor que as pessoas gostam e viciam”.

Não saudáveis

Ainda em relação ao tal documento, outra coisa óbvia: devemos diminuir cada vez mais o consumo de alimentos ultraprocessados, que de alimento mesmo têm muito pouco.

O “refresco” mais vendido do Brasil, o Tang (Mondelez), não é saudável. Trata-se de um pó artificial que eles chamam de suco.

O caldo Knorr, o mais vendido do mundo, não é saudável. A linha de ultraprocessados com a marca Knorr (caldos em cubinhos, sopas desidratadas, temperos, molhos, massas, acompanhamentos e refeições semiprontas), é vendida em mais de 90 países e é a segunda maior e mais valiosa marca da Unilever, com faturamento de €3.2 bilhões por ano.

A Coca-Cola não é saudável. Na realidade, refrigerantes, de maneira geral, não são saudáveis.

O hamburger do McDonald’s não é saudável.

Margarina não é saudável. Manteiga é, desde que consumida comedidamente.

Ultraprocessado, em suma, não é saudável. Vários estudos científicos realizados em diversos países têm mostrado que o uso abusivo dos ultraprocessados causam problemas sérios de saúde, como doenças cardiovasculares, diabetes, câncer e, principalmente, obesidade. 

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