Moisés Mendes avatar

Moisés Mendes

Moisés Mendes é jornalista, autor de “Todos querem ser Mujica” (Editora Diadorim). Foi editor especial e colunista de Zero hora, de Porto Alegre.

1147 artigos

HOME > blog

O alerta do maquiador: Flávio Bolsonaro está nu

“Agustin Fernandez disse com clareza o que Michelle e toda a direita gostariam de dizer sobre o filho ungido”, escreve Moisés Mendes

Flávio Bolsonaro (Foto: Lula Marques/Agência Brasil)

Os recados dos donos dos partidos da direita, Valdemar Costa Neto, Gilberto Kassab, Ciro Nogueira e Antonio Rueda, só confundem e não ajudam a entender o que se passa no entorno de possíveis aliados vacilantes de Flávio Bolsonaro.

Não ouçam essas figuras, porque elas só enrolam e pensam no negócio que vai surgir mais adiante. Ouçam o maquiador de Michelle, Agustin Fernandez. Ele é quem ilumina os ambientes escuros da extrema direita frequentados por Flávio.

Fernandez ataca Flávio sem os medos da Faria Lima, do que resta de lideranças do empresariado, das igrejas, do agro e dos partidos. Fernandez diz o que não só Michelle, mas todos eles gostariam de dizer: que Flávio entrou de gaiato no navio.

Fernandez é atrevido quando diz que Flávio produziu “uma das situações mais deploráveis que um ser humano pode passar”, ao divulgar a carta do pai doente que o ungia como candidato. Quando afirma que o filho tomou o lugar que seria de Michelle. 

Quando define Flávio como um bacana arrumadinho, apesar dos vínculos com milicianos. E quando prevê, como maldade, que Lula vai vencer a eleição. Fernandez produz diagnósticos e alertas.

Não diz nada que Kassab, Ciro e Valdemar não saibam. Que Flávio era um tomate murcho na feira do bolsonarismo, como mostravam as pesquisas, sempre com Michelle à frente das preferências para suceder o marido.

Que Tarcísio de Freitas também estava acima do filho nessas preferências. Que Eduardo era o lembrado, quase compulsoriamente, como o sucessor natural do chefe da organização criminosa agora preso em casa.

Todos eles sabem que Flávio é competitivo, segundo as pesquisas, porque, se tirarem o filho e colocarem Damares ou Cleitinho, a diferença nessas pesquisas será pequena. Porque Flávio incorporou o anti-Lula do momento, que alguém teria que assumir. 

Flávio é percebido por boa parte da direita como a nova tartaruga no poste, porque o pai o colocou lá, como poderia, se tivesse coragem, ter colocado Michelle.

O nome capaz de se consolidar como agregador de toda a direita era o de Michelle, a esnobada pela família e contida pelo marido, que não suportaria vê-la em campanha para o cargo que ele não conseguiu manter, nem na eleição nem no golpe.

O maquiador é o papagaio do bolsonarismo, que reproduz publicamente o que todos falam nas internas. O bolsonarismo não confia em Flávio, como já repetiu, a reboque de Fernandez, a governadora do Distrito Federal, Celina Leão – que recomenda a Flávio que peça perdão pelo desprezo por Michelle. 

Nem as igrejas e o centrão confiam em Flávio. Michelle sabe que pode entrar numa fria se for uma agregada incondicional do ungido. Flávio é, como até Miriam Leitão já disse, depois que o Diário de Quiraxamirim já havia alertado, apenas o herdeiro de toda a estrutura fascista montada pelo pai. Da estrutura, das ideias, da índole e dos projetos.

Mas não tem tutano para ser comparado a Michelle, que teria o apoio automático da raiz bolsonarista, dos pastores, dos fiéis e da direita católica absorvida pelo poder político evangélico. 

Com Michelle, nem existiriam Caiado e Zema como falsas alternativas, e Tarcísio não precisaria ir a Minas para elogiar o mineiro, como fez esses dias, para assim expressar desprezo por Flávio.

Michelle é hoje a única bolsonarista que poderia se desplugar da família. Todos os que tentaram antes se deram mal e perderam apoios e mandatos, ou morreram ou foram mortos. Mas Michelle não depende mais do marido e dos enteados.

A extrema direita sabe disso, a velha direita também sabe. O maquiador falou por Michelle e por todos os que vacilam em torno de Flávio. Para Michelle, o que importa hoje é a batalha fácil para se eleger senadora por Brasília.

É melhor do que se engajar a um projeto que pode perder força logo adiante e associar seu nome a mais um fracassado. Michelle terá mais valor como senadora de oposição a Lula do que como simples ajudadora dos esquemas do enteado.

Seu maquiador sabe a verdade que velhas e novas direitas tentam esconder e só falam pelas costas: Flávio pode se transformar num fardo. Agradeçam pelo alerta de Agustin Fernandez: o filho está nu.

* Este é um artigo de opinião, de responsabilidade do autor, e não reflete a opinião do Brasil 247.

Artigos Relacionados