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Décio Lima

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O Brasil que empreende

Apesar de representarem apenas 30% do PIB, os pequenos negócios são a espinha dorsal da economia brasileira

O Brasil que empreende (Foto: Rovena Rosa/Agência Brasil)

O Brasil tem voz ativa no Dia Internacional das Micro, Pequenas e Médias Empresas, celebrado mundialmente em 27 de junho, data instituída pela ONU em 2017.

Mas, no caso brasileiro, o compromisso com esse segmento começou bem antes. O país construiu, ao longo dos anos, um arcabouço robusto de políticas públicas que favorecem o ambiente para os pequenos negócios prosperarem.

O reconhecimento do empreendedorismo como motor da economia só foi possível porque o Brasil teve um Presidente da República que compreendeu sua importância estratégica. Foi o presidente Lula quem deu os passos fundamentais: criou o Simples Nacional, sancionou a Lei Geral das Micro e Pequenas Empresas, instituiu o Microempreendedor Individual (MEI) e, mais recentemente, criou o Ministério do Empreendedorismo — elevando o tema à condição de política de Estado.

Graças a essas iniciativas, milhões de brasileiros puderam transformar ideias em renda, autonomia em cidadania, e pequenos negócios em grandes oportunidades para o país.

O Brasil é um país de gente resiliente, criativa, que não desiste. Todos os dias, milhões de homens e mulheres saem de casa para enfrentar desafios, criar soluções e tocar seus pequenos negócios com coragem e esperança. São eles que seguram a economia de pé, que fazem a roda girar nos bairros, nas periferias, no interior e nos grandes centros.

A realidade é clara e os números são inegáveis: cerca de 95% das empresas brasileiras estão inseridas no universo do Super Simples, que abrange as empresas de pequeno porte e os microempreendedores individuais (MEI). Em 2024, dos quase 1,7 milhão de empregos gerados no país, 1,3 milhão provenientes de pequenos negócios. Além disso, registramos um crescimento notável, com a criação de 4,1 milhões de novas micro e pequenas empresas, superando o número de empregos formais gerados com carteira assinada.

Um dado particularmente impressionante é que 98,8% dos empregos criados pela pequena economia foram destinados a pessoas que conseguiram se inserir no mercado de trabalho, saindo do Cadastro Único, que inclui beneficiários do Bolsa Família. Assim, as micro e pequenas empresas não apenas contribuem para o crescimento econômico, mas também promovem a inclusão social e a distribuição de renda.

Apesar de representarem apenas 30% do PIB, os pequenos negócios são a espinha dorsal da economia brasileira, com forte presença em todos os setores: indústria, agronegócio, comércio e serviços. Além disso, elas têm se destacado na indução de processos de inovação e no uso da inteligência artificial. No entanto, é importante ressaltar que o mercado tradicional não foi concebido para favorecer os pequenos empreendedores, mas sim para acumular riquezas. Nesse contexto, o papel do Sebrae se torna fundamental, atuando como um protetor desse setor econômico.

No último ano, o Sebrae atendeu 60 milhões de brasileiros com espírito empreendedor. Nossas pesquisas indicam que 60% da população deseja empreender, mas a formalização ainda é um grande desafio. Existe uma percepção cultural de que formalizar um negócio significa apenas pagar impostos, quando, na verdade, essa ação pode aumentar a renda do empreendedor. Portanto, é vital que continuemos a trabalhar para incluir a pequena economia na formalidade.

Além disso, muitos pequenos empreendedores conhecem bem a produção e os valores econômicos que impulsionam seus negócios, mas carecem de conhecimento sobre o mercado e suas dinâmicas. Recentemente, o Sebrae foi classificado como uma das entidades de maior credibilidade no Brasil, destacando-se como a quarta instituição mais confiável, o que reforça nosso compromisso em transformar sonhos em realidade. Contudo, um dos principais obstáculos enfrentados por esse setor é o acesso ao crédito. Aproximadamente 88% dos CNPJs brasileiros não têm acesso a financiamentos, o que é alarmante, visto que 2/3 da economia depende de crédito.

Para enfrentar essa situação, o governo federal, em parceria com o Sebrae, lançou iniciativas para facilitar o acesso ao crédito, como o programa "Acredita", que visa aumentar a disponibilidade de recursos para as micro e pequenas empresas. Nos últimos anos, o Sebrae tem trabalhado para garantir que esses empreendedores possam acessar financiamento sem as barreiras culturais que muitas vezes os impedem.

Por isso, valorizar a pequena economia é valorizar o Brasil real. É acreditar que o desenvolvimento sustentável e justo se faz com inclusão, apoio e políticas públicas que olham para a base da pirâmide.

* Este é um artigo de opinião, de responsabilidade do autor, e não reflete a opinião do Brasil 247.

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