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Elisabeth Lopes

Advogada, especializada em Direito do Trabalho, pedagoga e Doutora em Educação

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O desmoronamento dos políticos malfeitores e traidores da pátria

Não resta dúvida o quanto o Rio de Janeiro tornou-se refém de uma degradação institucional provocada pela captura do Estado

Cláudio Castro (Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil)
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Não se pode classificar determinados políticos apenas como corruptos. Essa palavra, desgastada pelo uso seletivo e oportunista que muitos fazem dela para atacar adversários enquanto escondem os próprios atos, já não é suficiente para definir certas figuras públicas. Muitas delas romperam essa fronteira há muito tempo, convertendo-se, pela natureza de suas condutas, em operadores vis do crime político voltado ao benefício privado. Suas posturas vão além do desvio de verbas, da violação da soberania nacional. São legítimos malfeitores que se travestem de representantes do povo. Em sua maioria oriundos da extrema direita, da direita oportunista e do Centrão fisiológico, foram legitimados pelo voto popular não pela consistência de seus históricos, mas pela capacidade de enganar o eleitor, de promover discursos de ódio, de instrumentalizar o moralismo e de vender uma falsa imagem de integridade.

Com mecanismos criminosos cada vez mais engenhosos, esses grupos se blindam através de alianças político-corporativas, ocupam sucessivamente cargos políticos. Perpetuam dinastias familiares e consolidam redes de poder sustentadas pela desinformação, pelo fisiologismo e pela manipulação da opinião pública. Dominam com habilidade o discurso antissistema enquanto vivem exatamente da captura do próprio Estado. Vendem-se como defensores da moral, da pátria e da família, mas utilizam essas bandeiras apenas como vitrines eleitorais para ocultar práticas profundamente lesivas ao interesse público.

Assim operou o ex-governador do Rio de Janeiro, Cláudio Castro, aliado de primeira hora de Flávio Bolsonaro e devoto seguidor da diretriz política do pré-candidato à presidência, todos devidamente abrigados sob o mesmo teto de conveniência do Partido Liberal. Na terça-feira (26/05), Castro novamente foi alvo de busca e apreensão em sua cobertura na Barra da Tijuca, no âmbito da 8ª fase da Operação Compliance Zero, conduzida pela Polícia Federal. As investigações da PF referem que a proximidade entre o ex-governador do Rio de Janeiro e Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, tornou-se cada vez mais vantajosa para ambos. A PF interceptou diálogos que mostram o ex-banqueiro convidando o político para um evento ultra exclusivo de degustação de uísque em Nova York, ocorrido em 14 de maio de 2024. A reunião restrita a apenas dez convidados, além de Claudio Castro, contou com a presença do senador Ciro Nogueira (PP-PI) e do deputado federal Hugo Motta (Republicanos-PB) e teve um custo de US$ 1,013 milhão, superior a R$ 5 milhões. Coincidentemente, o desdobramento financeiro veio logo em seguida. Já no dia 15 de maio, a Rioprevidência injetou R$ 80 milhões em Letras Financeiras do Banco Master. De acordo com as autoridades, essa não foi uma ação isolada, sendo sucedida por mais duas aplicações que somaram R$ 150 milhões, uma de R$ 80 milhões e outra de R$ 70 milhões.

Em meio as suas profundas ligações com Daniel Vorcaro, o Banco Master foi amealhando intensivamente recursos públicos oriundos dos fundos de aposentadoria e pensão da RioPrevidência. As investigações apontam que para assegurar aplicações financeiras em fundos podres do Banco Master foram nomeadas pessoas chave em cargos estratégicos da Rioprevidência. O prejuízo estimado foi de R$ 3,6 bilhões, comprometendo a sustentabilidade da instituição previdenciária, enquanto beneficiavam o banco privado.

De um lado, um banqueiro inescrupuloso interessado em irrigar financeiramente uma instituição à beira de um colapso. De outro, um governador suspeito de facilitar a transferência de vultosos recursos da previdência dos servidores públicos do Rio de Janeiro para fundos considerados altamente arriscados. Essa combinação entre interesses privados e a captura política da máquina pública revelou um modelo perverso de administração estatal em que o patrimônio coletivo se converteu em instrumento de enriquecimento e favorecimento de agentes específicos.

Vale ressaltar que sobre Claudio Castro ainda recaem graves suspeitas sobre suas condutas de representante público cujo mandato exige a salvaguarda dos interesses da população e do Estado. Entre essas, o uso político-eleitoral da estrutura da Fundação Ceperj. Esta resultou na sua inelegibilidade e perda de direitos políticos até 2030, entretanto, a defesa do ex governador está recorrendo da decisão do TSE. Votaram contra a inelegibilidade apenas os ministros indicados por Jair Bolsonaro, Nunes Marques e André Mendonça. Além dessas frentes somam-se indícios de fraudes fiscais envolvendo a refinaria Refit.

Com esse acúmulo de irregularidades não resta dúvida o quanto o Rio de Janeiro tornou-se refém de uma degradação institucional provocada pela captura do Estado por alianças espúrias entre a extrema-direita bolsonarista, o Centrão fisiológico e a direita oportunista. Longe de ser um acidente, a atual situação difícil do RJ resulta de várias sucessões de governos cercados por escândalos políticos e crimes financeiros, enraizados na naturalização de conluios entre a política institucional e o crime organizado.

Nesse ambiente contaminado, milícias deixaram de ser apenas grupos armados territoriais para se transformarem em estruturas políticas e econômicas profundamente infiltradas nas instituições. O bolsonarismo encontrou nesse terreno fértil um espaço ideal para crescer. O discurso da violência como solução, da exaltação armamentista, do culto à brutalidade policial e do ódio às instituições democráticas dialogou diretamente com setores que lucram com o medo, a intimidação e o controle paralelo de territórios. A influência bolsonarista no Rio de Janeiro não surgiu isoladamente, ela foi alimentada por anos de abandono social, desmonte do Estado, precarização dos serviços públicos e fortalecimento de organizações criminosas com capacidade de interferência eleitoral.

A ascensão de Jair Bolsonaro à Presidência intensificou esse processo. O extremismo político ganhou legitimidade institucional, discursos antes considerados incompatíveis com a democracia passaram a circular com naturalidade dentro das estruturas do poder e personagens ligados ao submundo da política sentiram-se autorizados a ampliar seus métodos. Milicianos foram homenageados por Flávio Bolsonaro. A máquina pública passou a ser utilizada não como instrumento de desenvolvimento social, mas como plataforma de negócios privados, proteção de aliados e expansão de poder.

Desde o golpe parlamentar contra a presidenta Dilma Rousseff, sobre quem jamais recaiu qualquer acusação de enriquecimento ilícito ou corrupção pessoal, o país abriu espaço para uma avalanche de representantes desses setores extremistas. Com raríssimas exceções, muitos desses políticos transformaram a atividade pública em mecanismo de enriquecimento ilícito. Acumulam patrimônios incompatíveis com os salários que recebem, enquanto parcelas significativas da população não são atendidas em suas necessidades.

É necessário destacar ainda, que as relações entre Claudio Castro e a família Bolsonaro ilustram sem sombra de dúvida essas engrenagens perigosas. O ex-governador consolidou-se como um dos principais aliados do bolsonarismo no Rio de Janeiro. Com base em sua estreita relação política com Flávio Bolsonaro, reportagens divulgadas nesta semana apontam coincidências inquietantes entre as relações de ambos com Daniel Vorcaro, levantando suspeitas sobre possível tráfico de influência e operações. Chamam atenção os contatos de Flávio Bolsonaro com Vorcaro para viabilizar o financiamento de um filme sobre Jair Bolsonaro justamente no período em que Claudio Castro ampliava os investimentos da previdência estadual no banco Master.

Flávio Bolsonaro, diante dos visíveis prejuízos a sua pré-candidatura, por conta do escândalo de seu envolvimento com Daniel Vorcaro, tentou mudar o foco de sua campanha eleitoral, a partir de uma visita à casa Branca para encontrar o presidente Trump. Como esperado, essa visita foi cercada de versões desencontradas publicadas pelo bolsonarismo radical e pelo próprio trio de visitantes, formado pelos irmãos Bolsonaros, o senador Flávio, o ex deputado Eduardo e o neto do ditador João Batista Figueiredo, Paulo Figueiredo.

De acordo com reportagens de veículos confiáveis, o encontro durou apenas alguns minutos, contrariando as divulgações dos três visitantes. Durante a rápida conversa, Flávio ainda teve que ouvir de Trump elogios dirigidos ao presidente Lula, fato constrangedor para quem quer articular apoio do governo norte-americano.

Numa coletiva subsequente, visivelmente nervoso e temendo escorregar em suas próprias versões metamórficas, Flávio limitou-se a ler um roteiro no celular sobre os temas abordados, destacando o pedido para classificar as organizações criminosas PCC e Comando Vermelho como terroristas. Esse pedido, que na realidade visou confrontar o governo do Brasil, carrega implicações delicadas para a soberania brasileira e para a própria estabilidade institucional do país. Em um cenário internacional marcado pela instrumentalização política do discurso de segurança, não são poucos os que enxergam nesse movimento uma possível brecha para futuras interferências inclusive no ambiente eleitoral brasileiro.

Na tentativa de aliviar o peso das suspeitas que recaem sobre si, Flávio Bolsonaro agiu para rifar princípios elementares da soberania nacional em favor de interesses pessoais e familiares. Na quinta-feira (28/05), o secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio, anunciou a classificação do PCC e CV como organizações terroristas, evidenciando que as articulações promovidas por Flávio nos bastidores apenas precipitaram a concretização das intenções do governo imperialista há algum tempo. Nesse episódio, Flávio Bolsonaro foi o capacho da vez, ao considerar que o mérito dessa medida se deve a ele.

E mais vassalos ainda, foram os inaptos Romeu Zema, Ronaldo Caiado, bem como o eterno submisso a Jair Bolsonaro, Tarcísio de Freitas ao manifestaram-se prontamente a favor da violação da soberania nacional estimulada por Flávio. Essa investida desastrosa, contudo, corre o risco de se voltar contra o próprio senador. Por outro lado, o histórico recente mostra o quanto a opinião pública brasileira se revoltou contra as conspirações pregressas de seu irmão para prejudicar o país. Esta reação também sugere que o tiro da subserviência internacional pode, novamente, sair pela culatra.

De acordo com especialistas, rotular as facções PCC e PC como entidade terrorista gera ameaças severas à estabilidade econômica do país. A canetada norte-americana pode encarecer o ambiente de negócios para as empresas locais, inibir investimentos externos pelo temor de punições severas nos critérios de governança, além de ferir a soberania brasileira, na medida em que abre precedentes para sanções estrangeiras contra o sistema financeiro e o comércio nacional. O ex-secretário Nacional de Segurança Pública, Mário Luiz Sarrubbo, em entrevista ao G1, foi mais longe ao dizer que o Brasil daqui para frente poderá ser considerado como um Estado pária no plano internacional.

Na sexta-feira (29/05), em evento realizado em Sergipe, o presidente Lula reagiu com veemência à decisão dos Estados Unidos de classificar as facções PCC e Comando Vermelho como organizações terroristas. Em defesa da soberania nacional no enfrentamento ao crime organizado, Lula rechaçou a tutela estrangeira: "Nós não aceitamos ser tratados como moleques. Nós não aceitamos ser tratados como se fôssemos uma republiqueta". A fala presidencial foi endossada por uma dura nota emitida pelo Governo Federal, que elevou o tom contra a articulação da extrema-direita nos bastidores de Washington. O documento denunciou o uso político da segurança pública por "falsos patriotas envolvidos com o crime organizado" e classificou como "deplorável" a viagem de integrantes da família Bolsonaro aos EUA para suplicar por sanções e interferências externas. Relembrando o episódio do "tarifaço", que já havia penalizado a economia nacional, o governo expôs o caráter colaboracionista e lesa-pátria dessas lideranças, que insistem em sabotar o próprio país em busca de vantagens políticas pessoais.

É importante salientar que o atual governo tem sido implacável no combate ao crime organizado, materializado nas diversas operações da PF que nunca foram tão intensas nos últimos três anos. A atuação da PF alicerça-se na produção de conhecimento estratégico, no alinhamento internacional e na asfixia econômica do crime organizado.

Diante de um horizonte de capachismo aos EUA, o senador Flávio, contudo, não consegue explicar como seu irmão Eduardo, que atua nos Estados Unidos em permanente campanha contra a economia brasileira e contra o próprio governo do país de origem consegue manter um padrão de vida elevado no Texas. Eduardo reside com a família em uma mansão localizada em bairro de classe média alta, cujo aluguel gira em torno de 30 mil reais mensais, segundo reportagem do Intercept Brasil. Surge então uma pergunta inevitável: qual é a origem dos recursos que financiam esse exílio luxuoso? É justamente essa questão que investigadores da Polícia Federal buscam esclarecer ao rastrear possíveis fluxos financeiros ligados ao banqueiro Daniel Vorcaro, suspeitos de estarem custeando as despesas de Eduardo Bolsonaro nos Estados Unidos. Investigam, se os recursos teriam sido destinados exclusivamente ao financiamento de um suposto projeto cinematográfico, justificativa apresentada por pessoas próximas à negociação, ou se a história do filme serviu apenas como cortina de fumaça para mascarar uma transferência internacional de valores, conforme informações divulgadas no G1.

Enquanto isso, na Câmara de deputados, a articulação contra o fim da escala 6x1 ganhava novos contornos. Primeiro, deputados do PL e do Centrão tentaram emplacar uma emenda para esticar a jornada semanal para 52 horas. Logo depois, em uma guinada, o PL anunciou um destaque para instituir a escala 3x4 com o objetivo de travar a votação da PEC original. A manobra teve o claro intuito de esvaziar a proposta dos partidos progressistas, que defendiam o fim do modelo 6x1 com redução da jornada para 40 horas semanais. Apesar desse escárnio e da tentativa do PL de impedir o avanço dos direitos trabalhistas, a Comissão da Câmara aprovou o texto-base da (PEC) 221/19, na quarta-feira (27/05).

Na sequência, no plenário, foi aprovada com ampla margem de vantagem. No primeiro turno de votação, o texto recebeu o apoio massivo de 472 parlamentares, registrando apenas 22 votos contrários. A consolidação da vitória veio logo em seguida, no segundo turno, quando a proposta recebeu 461 votos favoráveis e 19 contra. Apesar do forte consenso em torno da medida, a resistência na votação final ficou concentrada em um grupo reduzido de deputados de partidos de oposição e de centro. Os 19 votos contrários no segundo turno foram liderados pelo PL, que registrou 9 votos contra, seguido pelo partido Novo com 4 votos. Completaram a lista de oposição à PEC o MDB, com 2 votos contrários, e o União Brasil, o PSD, o PP e o Missão, com 1 voto contra cada um. Esses 19 votos, revelam uma postura que simboliza o desprezo da direita bolsonarista e do centrão pelas pautas que afetam diretamente a vida do trabalhador brasileiro. Enquanto milhares de pessoas adoecem física e mentalmente submetidas a jornadas exaustivas, parlamentares comprometidos com interesses empresariais atuam para impedir avanços mínimos na proteção da dignidade humana.

A PEC 221/19 seguiu para o Senado Federal. Davi Alcolumbre, presidente do senado, referiu que dará andamento ao texto, mas não com a mesma rapidez que tramitou na câmara. Todavia, foi ágil ao encaminhar uma proposta do senador da oposição, Rogério Marinho (PL-RN), que propõe regime por hora trabalhada. Essa proposta é nociva ao trabalhador, cuja hipossuficiência inviabiliza qualquer equilíbrio na mesa de negociações. Ao referir que a redução de jornada e a compensação de horários ocorram por acordo individual ou negociação direta, o texto aniquila a proteção coletiva e transforma a negociação em mera imposição patronal, já que o empregado aceita as condições sob a ameaça do desemprego.

Sem nenhuma surpresa, houve críticas à aprovação do fim da escala 6x1 pelos opositores ao governo, pela contrariedade de empresários gananciosos e por meio de narrativas da mídia corporativa, que tacharam a medida como eleitoreira, sobretudo por ter sido uma pauta abraçada pelo presidente Lula e por seu empenho na negociação com o presidente da Câmara, Hugo Motta, para alcançar a aprovação. Tais críticas não correspondem à realidade, por desconsideram tanto a histórica relevância dessa pauta para a classe trabalhadora, quanto a articulação política legítima que viabilizou o avanço do projeto.

Essa eficiência do bloco progressista contrasta substancialmente com a fragmentação e os escândalos que desestabilizam o campo adversário. No universo caótico da extrema-direita, da direita oportunista e do Centrão fisiológico, as alianças só são sólidas enquanto geram vantagens mútuas. Elas desmoronam rapidamente assim que escândalos vêm à tona e as investigações policiais avançam, expondo as entranhas dos crimes cometidos por seus aliados. Esse pragmatismo individualista e a busca por sobrevivência política ficam ainda mais evidentes diante do isolamento dos personagens envolvidos nos escândalos.

A medida em que Flávio Bolsonaro despenca na intenção de votos em sua pré-candidatura, os seus “irmãos” ideológicos Romeu Zema (Novo-MG), Ronaldo Caiado (PSD-GO) e Tarcísio de Freitas (Republicanos-SP) oscilam entre subir ou descer da lesada embarcação bolsonarista que a cada dia vai apresentando sinais de naufragio nas águas turvas e lamacentas de suas práticas. Quando a situação é flagrantemente irreversível, como no caso “Claudio Castro”, os “irmãos ideológicos” descartam sem nenhum constrangimento. Sua futura ex candidatura ao Senado foi fulminada pelo presidente do PL, a mando dos Bolsonaros. Frente a essa sentença, Castro comunicou sua desistência.

Diante das falcatruas praticadas por políticos malfeitores, o povo acompanha a luta do governo para melhorar as condições materiais de existência da população e aprovar projetos que garantam qualidade de vida aos trabalhadores.

Enquanto figuras financeiramente abonadas, que se locupletam por meio de financiamentos públicos para adquirir bens milionários, questionam o programa Bolsa Família, recursos essenciais para a dignidade dos vulneráveis acabam desviados para alimentar esquemas políticos, interesses privados e fortunas pessoais. Mesmo diante de tantas evidências desse contraste, uma parcela significativa da sociedade continua fiel a esses grupos dominantes.

Esse fenômeno não pode ser explicado apenas pela desinformação. Há uma engenharia permanente de manipulação ideológica e de distorção da realidade, impulsionada pelo mercado financeiro e por seus instrumentos de influência, como a mídia corporativa e os partidos alinhados aos seus interesses. Basta recordar o papel desempenhado pelo Jornal Nacional na construção de uma percepção hostil às forças progressistas, alimentada pelo lawfare da Operação Lava Jato e por suas ilegalidades posteriormente reconhecidas pela Justiça. Embora a operação tenha sido desmoralizada e juridicamente desmontada, deixou marcas profundas e duradouras na percepção de parcela da sociedade.

Líderes da direita, do Centrão oportunista e extrema direita bolsonarista convenceram milhões de pessoas de que seus verdadeiros inimigos não são os malfeitores que saqueiam o Estado, mas professores, jornalistas, artistas, universidades, movimentos sociais e qualquer voz que questione privilégios históricos. Criaram uma militância movida pelo fanatismo político e pela crença de que defender determinados líderes significa defender valores morais ou religiosos.

Inversões da realidade passaram a circular numa velocidade muito maior que os fatos. Escândalos gravíssimos são relativizados ou ignorados quando envolvem figuras idolatradas por parcelas radicalizadas da população. Muitos desses políticos construíram uma relação quase messiânica com seus apoiadores, como Jair Bolsonaro, baseada na lógica de que qualquer investigação é automaticamente tratada como perseguição política, ainda que existam provas, operações policiais e rastros financeiros robustos, como os revelados pelas recentes operações da Polícia Federal, que age de modo absolutamente autônomo no atual governo.

A perversidade dessas posturas distorcivas está justamente na capacidade de setores privilegiados convencerem trabalhadores precarizados a defender projetos que aprofundam sua própria exploração, enquanto vários políticos dessa estirpe degenerada que se farta em benesses amealhadas pelos desvios do dinheiro público. Muitos dos que sofrem com baixos salários, jornadas abusivas, desemprego e ausência de direitos continuam apoiando aqueles que sistematicamente votam contra seus interesses. É a vitória de uma política baseada na manipulação das pessoas.

O desmoronamento político protagonizado pelos malfeitores e traidores da pátria, atingiu um grau alarmante nos últimos anos. O Brasil passou a conviver com a banalização da corrupção seletiva, da violência política, do entreguismo, do autoritarismo e da captura criminosa das estruturas públicas. E enquanto parte da sociedade continuar tratando figuras investigadas como heróis intocáveis, a democracia seguirá ameaçada por aqueles que utilizam justamente suas liberdades para corroê-la por dentro.

* Este é um artigo de opinião, de responsabilidade do autor, e não reflete a opinião do Brasil 247.

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