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Marco Damiani

Marco Damiani é jornalista e diretor da sucursal do Brasil 247 no Rio de Janeiro. Já foi editor de Istoé, Istoé Dinheiro e atuou em Veja e Estado de S. Paulo.

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O dia da virada econômica do Rio de Janeiro

O dia de hoje marca a solução da dívida de R$ 201 bilhões do estado fluminense com a União e o resgate das relações civilizadas entre os dois governos

22.06.2026 - Presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, durante anúncio da adesão do Estado do Rio de Janeiro ao Programa de Pleno Pagamento de Dívidas dos Estados (PROPAG), no Palácio da Guanabara - Rio de Janeiro - RJ. Foto: Ricardo Stuckert / PR (Foto: Ricardo Stuckert / PR)
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22 de junho de 2026. A data de hoje entra para o calendário econômico do Rio de Janeiro como o Dia da Virada. A adesão do estado fluminense ao Propag - Programa de Pleno Pagamento de Dívidas dos Estados - é bem mais que um alongamento de dívida ou uma obtenção de descontos sobre empréstimos consolidados. Estes elementos estão lá, e são altamente favoráveis para o fluxo de caixa do estado. Mas o significado mais profundo do documento assinado hoje entre o presidente Lula e o governador interino Ricardo Couto, com a presença também do prefeito Eduardo Cavaliere, está no resgate de relações republicanas e civilizadas entre os dois poderes executivos. O que nos últimos anos se caracterizou como um afastamento proposital do governo estadual frente ao poder central, a ponto de culminar no completo isolamento político do Rio frente a Brasília, agora inicia um movimento inverso, de cooperação.

O Propag assinado pelo Rio, acima das “conversinhas ideológicas”, como observou o ex-prefeito e pré-candidato ao governo fluminense, Eduardo Paes, liberta o estado de pesadas obrigações de caixa. A renegociação da dívida de R$ 210 bilhões do estado frente à União, assim que todos os termos estiverem assinados, inclui um abatimento de cerca de R$ 40 bilhões ao longo do prazo de 30 anos de pagamento do principal. As prestações recuam dos atuais R$ 490 milhões para R$ 113 milhões, com economia superior a R$ 3,1 bilhões apenas neste ano. Entre as condições para a adesão ao Propag está a da vinculação de até 60% dos juros das dívidas a investimentos em educação técnica e profissionalizante.

À parte a qualidade técnica do pacote de renegociação, sobressai a velocidade com que o acordo - ótimo para o Rio de Janeiro, repita-se - chegou a bom termo. Couto assumiu a interinidade da gestão estadual em 23 de março deste ano. Com uma das mãos, ele vem enxugando a máquina do estado em relação ao clientelismo das indicações políticas. Até o dia 10 de junho, a contabilidade dos cortes indicava uma folha de pagamentos com 3,6 mil ‘pendurados’ pelos políticos a menos, devidamente exonerados a bem da administração pública.

Com a outra mão, Couto deu curso a entendimentos com o Ministério da Fazenda que o seu antecessor, Cláudio Castro, mantinha travados em razão da mais pura pinimba política. Com interesses outros na gestão estadual, Castro fez de conta que tentava negociar o acordo, sempre imputando culpa ao governo federal pelo não fechamento. Vê-se, agora, que as condições objetivas do Propag para o Rio sempre foram muito positivas. Era preciso, apenas, trabalhar em termos técnicos, como Couto fez, em lugar de investir no bloqueio ideológico, a aposta de Castro.

O pragmatismo econômico venceu. A adesão do Rio ao Propag é um trabalho de técnicos. O interesse político entrou no ambiente da negociação pela porta da boa vontade, que antes estava trancada. Os novos termos do pagamento da dívida estadual com a União libertam o governo fluminense para retomar investimentos em programas sociais e obras. A reconstrução administrativa e financeira do governo do Rio de Janeiro acaba de ganhar a sua base de apoio mais sólida.

* Este é um artigo de opinião, de responsabilidade do autor, e não reflete a opinião do Brasil 247.

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