O “Dia do Fico” de Rousseff

O mico das manifestações de hoje não derrotam o PSDB, o DEM e parte do PMDB, estes já são derrotados por si só; pela história que possuem; pelos males que já fizeram ao povo desse país. O grande perdedor desse movimento que se esvazia a cada nova quadratura são os mastodontes econômicos da FIESP, é a Rede Globo e o sistema bancário

Já passa do meio dia, deste domingo, 13 de março de 2016 e com alguma cautela, já é possível analisar com mais precisão e acuidade sobre o significado destas manifestações em favor da "ética" da "moral" e da "família" ocorridas em "todo" o Brasil.

Vejam bem... Eu estava em São Paulo no 15 de março de 2015; fazia disciplinas na Universidade de São Paulo e, no sábado, tinha que ir na Avenida Paulista ver livros para uma disciplina em que havia me matriculado.

Pra variar, aquele friozinho de garoa, tão típico de São Paulo; quando saio da livraria, vejo na fachada do majestoso prédio da FIESP a imagem glamourosa da bandeira do Brasil e amplamente projetada com aquelas luzes especiais.

Me dei conta de que estava em um lugar especial para compreender o que se passava no meu país; pensei: Avenida Paulista, FIESP, Dilma Rousseff, trabalhismo, PT, 15 de março, crise econômica, Rede Globo... Pronto! Os ingredientes estavam postos para a bolada do dia seguinte.

Me recordei de certo 31/03/1964 quando esta mesma FIESP fora parte intelectual, militante e orgânica fundamental no golpe que desapeava o presidente eleito João Goulart do poder e agora, de novo... Lá estava o grande empresariado de São Paulo, portanto, do Brasil, mais uma vez, articulando contra o povo brasileiro, contra a democracia brasileira e contra o nosso futuro.

O mico das manifestações de hoje não derrotam o PSDB, o DEM e parte do PMDB, estes já são derrotados por si só; pela história que possuem; pelos males que já fizeram ao povo desse país. O grande perdedor desse movimento que se esvazia a cada nova quadratura são os mastodontes econômicos da FIESP, é a Rede Globo e o sistema bancário.

Dilma, essa presidente acabrunhada, de fala complicada venceu, sem perceber, apenas respeitando a democracia e seu rito, o triunvirato da dependência econômica, da submissão nacional e da morte política do Brasil, o esquemão Globo/FIESP/Sistema financeiro. Não é qualquer coisa... O que hoje se deu obriga as elites a repensarem imediata e integralmente suas estratégias políticas, suas formas de operação e seus atores políticos.

Tudo mudou! Espero que o PT, o governo de Dilma e a esquerda percebam isso e aprofundem suas relações com os movimentos sociais, com os trabalhadores e com suas militâncias tendo em vistas as necessárias e inadiáveis reformas estruturais e que esse país aviltado precisa.

Reforma? De que tipo? Ora... É preciso frear a sangria bancária e o jogo fácil dos juros escorchantes que pauperiza a sociedade; é necessário ampliar o acesso de jovens, adultos e idosos ao ensino superior; programas como o "Minha Casa, Minha Vida" devem, da mesma forma, ser aperfeiçoados e ampliados; é fundamental criar o marco civil das comunicações porque não dá mais para o vodu hipnótico da Rede Globo seguir dominando mentes e corações de nosso povo. Não dá mais!

A economia deve ser re-nacionalizada; lucros não podem sair aos borbotões para outras fronteiras. Esses capitais são fundamentais para o país, para as atividades econômicas do Brasil e para as possibilidades de empreendedorismo. É preciso de mais investimento na infraestrutura nacional e é urgente amortizar parte da oceânica dívida social que o país possui com jovens, crianças, mulheres, negros, deficientes físicos e trabalhadores rurais. Garantir os direitos fundamentais desses segmentos mais vulneráveis pode ser bom começo!

Finalmente, hoje é o "Dia do Fico" de Dilma Rousseff e o tempo das oposições está minguando ao nível do falatório, nada além disso. Talvez seja o momento do governo dar uma guinada para frente e à esquerda.

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